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Dentifrícios: Tudo que o cirurgião-dentista precisa saber

O creme dental, também conhecido como dentifrício ou pasta de dentes, é um produto essencial para os cuidados diários com a higiene oral. Usado em conjunto com a escova de dentes, além de facilitar a remoção de biofilme, permite a administração de substâncias na superfície dental, como por exemplo o flúor.

Por muitos anos, foi considerado apenas um simples item cosmético. No entanto, com a constante evolução de estudos e pesquisas científicas sobre o tema, hoje ele desempenha um importante papel terapêutico na manutenção da saúde bucal dos pacientes.

Para que possa recomendar o produto mais apropriado e que atenda às necessidades individuais de cada paciente, é fundamental que o cirurgião-dentista entenda quais os principais componentes dos cremes dentais, como abrasivos, flavorizantes, agentes terapêuticos, etc, suas características e indicações de uso.

Ao longo deste artigo, confira mais informações sobre os cremes dentais e suas principais indicações.

Origem do creme dental

Os dentifrícios são pastas que apresentam consistência de creme ou gel e apresentam em sua composição substâncias químicas que facilitam a remoção e/ou desorganização do biofilme dental, além de possibilitar a administração de fluoreto no elemento dental.

A escovação com dentifrício fluoretado é fundamental para a prevenção da doença cárie e da doença periodontal.

O creme dental surgiu no Egito há 4 mil anos e era composto basicamente por pedra pomes pulverizada e vinagre e aplicado sobre os dentes com pequenos ramos de arbustos.

Em 1850, o médico e farmacêutico britânico Washington Sheffield Wentworth criou uma mistura semelhante à utilizada atualmente, armazenada em um tubo.

Já o primeiro dentifrício comercializado foi desenvolvido em 1950, nos Estados Unidos, inicialmente como um pó, e depois modificado para a forma de pasta dental.

Mas foi na década de 70-80, com o lançamento de produtos fluoretados – com fluoreto de sódio (NaF) e monofluorfosfato de sódio (MFP) em sua composição – que houve um grande aumento das vendas.

Daí em diante, novas apresentações e formulações do produto foram desenvolvidas para atender as mais diversas necessidades bucais da população.

Composição dos dentifrícios

Hoje, além de substâncias para estabilizar a viscosidade do produto, os dentifrícios trazem demais componentes preventivos, que auxiliam no tratamento de determinadas patologias e na prevenção de vários problemas bucais.

Logo, a composição básica apresenta:

  • Abrasivo (20-50%);
  • Umectante (20-40%);
  • Água (20-35%);
  • Ligante (1-2%);
  • Detergente (1-3%);
  • Flavorizante (1-2%);
  • Conservante (0,05-0,5%);
  • Princípios preventivo-terapêuticos (0,4-1%).

Abrasivos

Os agentes abrasivos são utilizados para limpeza e polimento superficial, proporcionando ao paciente a impressão de “dentes mais brancos”.

A abrasividade é medida pelo RDA (Relative Dentin Abrasivity), ou seja, o potencial de abrasividade em relação ao tecido dental.

Como saber a abrasividade (RDA) dos cremes dental?

Internacionalmente o valor aceito de RDA é de 250, e apesar da grande variedade disponível no mercado, nenhum apresenta um valor RDA maior que o permitido.

Na tabela a seguir, é possível conferir os níveis de abrasividade de acordo com o valor RDA.

Abrasividade Creme Dental

A quantidade de abrasivos utilizada no creme dental precisa ser limitada para que não ocorra a abrasão no elemento dental. Logo, o melhor abrasivo é aquele que fornece o máximo de limpeza com a menor abrasividade.

O uso de abrasivos promove o polimento dental e a sensação de limpeza. O desgaste de esmalte e dentina possui relação maior com outros fatores, como por exemplo força aplicada na escovação, dureza das cerdas da escova dental e ingestão de alimentos ácidos.

Saiba mais em 👉 Retração Gengival: causas e tratamentos

Umectantes

Os umectantes são agentes hidrofílicos (possuem afinidade com a água) que auxiliam na consistência dos dentifrícios, impedindo, por exemplo, que o mesmo endureça dentro da embalagem.

Alguns umectantes comumente usados na fabricação são o sorbitol e glicerol.

Ligantes

Agentes ligantes ou aglutinantes são responsáveis pela homogeneidade do dentifrício. Um exemplo de ligante muito utilizado é a carboximetilcelulose sódica (CMC).

Essas substâncias garantem que os componentes fiquem misturados e dão textura e cremosidade ao produto.

Detergentes

Substâncias detergentes facilitam a limpeza, ressuspendendo os resíduos removidos da superfície. Possuem propriedades molhantes, emulsificantes, espumógenas e solubilizantes.

O mais utilizado é o lauril sulfato de sódio (LSS), que em altas concentrações pode causar reações alérgicas.

Há quem diga que o LSS seria um agente cancerígeno, mas a afirmação não pode ser confirmada devido à falta de comprovações científicas.

Para pacientes alérgicos ou sensíveis à essa substância, é recomendado o uso de produtos sem LSS na composição.

Flavorizantes

Os agentes flavorizantes são responsáveis pelo “bom hálito”, porém, em alguns casos, sua utilização pode se relacionar à sensibilidade na mucosa bucal (queimação) por conta dos óleos aromáticos utilizados na fórmula. Desse modo, deve-se orientar o paciente a mudar de marca caso ele relate queimação.

Em algumas situações, pode-se prescrever uma pasta dentifrícia manipulada com baixa concentração de óleos aromáticos, além de menores concentrações de LSS (lauril sulfato de sódio), detergente muito utilizado em cosméticos, também relacionado com sensibilidade.

Conservantes

Os conservantes são utilizados para preservar o produto, mantendo a fórmula ativa e prevenindo o crescimento de microrganismos.

O uso de conservantes é essencial devido à grande quantidade de água utilizada na formulação, principalmente nas versões fluidas do produto.

O principal conservante encontrado nas formulações é o p-hidroxibenzoato de metila.

Agentes terapêuticos

A adição de substâncias preventivo-terapêuticas na composição é de grande importância para o combate de doenças e infecções que acometem os tecidos bucais.

O flúor, por exemplo, é a substância terapêutica mais utilizada na fabricação de cremes dentais.

Por auxiliar no processo de remineralização do esmalte dental após a exposição ao ácido produzido por bactérias cariogênicas, é o princípio ativo de maior importância para a prevenção da doença cárie.

Contudo, também é possível encontrar outros agentes terapêuticos na composição, como por exemplo:

  • Zinco e pirofostato contra a formação de tártaro;
  • Óleos essenciais para auxiliar na remoção do biofilme;
  • Peróxidos que auxiliam na remoção de manchas;
  • Clorexidina como agente antimicrobiano;
  • Triclosan;
  • Xilitol.

Para prevenir a doença periodontal, alguns agentes são adicionados à formulação, como por exemplo o triclosan com copolímero ou citrato de zinco, a clorexidina, o xilitol e extratos naturais, promovendo o controle do biofilme.

Tipos de dentifrícios

Para indicar o dentifrício com flúor ideal para cada paciente, o dentista deve considerar os seguintes fatores:

  • Saúde bucal;
  • Hábitos de higiene oral e histórico do paciente;
  • Manchas no esmalte e origem destas manchas;
  • Retração gengival;
  • Desgaste de esmalte e/ou dentina;
  • Sensibilidade dental.

Hoje, é possível encontrar uma grande variedade de produtos no mercado, com diferentes formulações e apresentações.

Neste caso, o dentista deve estar atento à composição de cada produto, a fim de indicar a melhor solução para seus pacientes.

A seguir, trouxemos os principais tipos de cremes dentais disponíveis. Confira!

Cremes dentais anticárie

A escovação mecânica em conjunto com o creme dental é a forma mais eficaz de evitar o desenvolvimento de biofilme, e consequentemente da doença cárie. Contudo, nem sempre a escovação é feita de forma adequada e com a frequência recomendada pelos dentistas.

Visto isso, cremes dentais com flúor em sua composição são os mais indicados, tanto para pacientes adultos quanto para crianças, para compensar as limitações da escovação, tornando o esmalte dentário mais resistentes à bactérias cariogênicas e acelerando o processo de remineralização.

Além disso, para oferecer uma proteção realmente efetiva, é necessário que o dentifrício fluoretado tenha uma concentração mínima de flúor em sua composição, que de acordo com estudos científicos deve ser a partir de 1000 ppm F (mg F/kg).

No Brasil, há opções de cremes com concentração de 1500 ppm, pois o carbonato de cálcio, utilizado como abrasivo, reage com o flúor e diminui a quantidade ativa de produto na formulação.

Além disso, para pacientes adultos com alto risco de cárie, também existem opções de dentifrícios com alta concentração de flúor, como Orthogard da Colgate e Clinpro da Solventum, contendo 5000 ppm F em suas fórmulas.

Cremes dentais antitártaro

Esta categoria possui agentes terapêuticos que interagem com o cálcio, dificultando a formação de biofilme dental e a mineralização do mesmo, agindo como um coadjuvante na prevenção do cálculo dental e doenças periodontais.

Os produtos cuja formulação promete somente dificultar a formação do biofilme, são comercializados como creme dental antiplaca.

Cremes dentais para gengivite

Em relação ao tratamento de gengivite, a intensificação da higiene bucal é o primeiro passo para combatê-la, além do tratamento odontológico e acompanhamento clínico.

Desta forma, pode-se indicar formulações com substâncias antissépticas, contribuindo para diminuir a inflamação tecidual.

O triclosan associado com gantrez ou zinco, por exemplo, tem ação efetiva contra o acúmulo de biofilme dental, auxiliando no tratamento de inflamações gengivais e na redução da formação de cálculo.

O creme dental Periogard da Colgate é uma excelente opção para pacientes com gengivite, reduzindo o sangramento gengival em até 62,8%.

Cremes Dentais Clareadores

O manchamento dos dentes está relacionado com a pigmentação da camada de proteínas salivares (película adquirida) continuamente em formação na superfície dental.

Logo, os dentifrícios clareadores, também chamados de cremes dentais branqueadores são compostos por agentes abrasivos ( carbonato de cálcio, fosfato de cálcio, sílica hidratada, bicarbonato de sódio, etc) ou por agentes químicos (peróxidos, pirofosfato, etc), removendo as manchas superficiais.

O uso prolongado desses cremes pode causar sensibilidade dental, e no caso dos dentifrícios abrasivos, desgaste da estrutura dental.

Esse tipo de produto não substitui o clareamento realizado pelo dentista, pois apresentam mecanismos de ação e efetividades distintos e seu uso não é indicado concomitante com a técnica profissional.

Cremes dentais para sensibilidade

A sensibilidade dentinária é uma das principais queixas dos pacientes em consultório odontológico, pois costuma causar muita dor e desconforto.

Esse distúrbio ocorre devido à perda de esmalte e/ou cemento, deixando a dentina exposta a estímulos externos como alimentos frios, quentes, ácidos, etc.

Em conjunto com demais tratamentos e técnicas em consultório, o uso de cremes dentais para dentes sensíveis também pode ser indicado para auxiliar pacientes que apresentam esse quadro clínico.

Atualmente, está disponível no mercado produtos com dois tipos de mecanismo de ação: dessensibilizastes que agem por ação neural e por ação obliteradora.

A principal substância utilizada na fabricação de dentifrícios para sensibilidade com ação obliteradora é o cloreto de estrôncio, que favorecem a obliteração dos canalículos dentinários.

Nos produtos que atuam por ação neural, o agente mais utilizado é o nitrato de potássio.

Todavia, já existem algumas soluções inovadoras no mercado brasileiro, como o creme dental elmex Sensitive, que possui tricálcio fosfato e arginina em sua composição, promovendo alívio imediato e proteção a longo prazo contra a sensibilidade.

Creme dental para xerostomia

Indicados para pacientes com diminuição do fluxo salivar, não provocam ardência e aliviam os sintomas da xerostomia.

Dentifrícios para Odontopediatria

Para pacientes infantis, além de indicar um dentifrício, é preciso orientar os pais sobre os perigos da ingestão, a quantidade utilizada e a importância do monitoramento da criança enquanto ela escova os dentes, devido ao risco de fluorose dental e demais problemas sistêmicos causados pela ingestão do produto.

No entanto, ainda que a fluorose se manifeste de forma branda, não comprometendo a estética ou afetando a qualidade de vida das crianças, os estudos são claros ao afirmar que não existe prevenção da cárie quando cremes dentais sem flúor são utilizados.

Sendo assim, o uso de cremes dentais fluoretados se justifica desde a erupção dos primeiros dentes decíduos.

Concentração de flúor no creme dental infantil

Em relação à concentração da substância em dentifrícios com flúor, há consenso entre pesquisadores de que os efeitos benéficos existem somente para concentrações iguais ou acima de 1.000 ppm de flúor.

Portanto, não é apropriado a recomendação do uso de dentifrícios sem flúor ou com baixa concentração (550/750ppm) para a prevenção da cárie dentária em crianças.

Esta é uma informação importante para repassar aos pacientes, já que a aquisição do dentifrício infantil precisa ser feita levando-se em conta a concentração de flúor e a quantidade de produto na escova de acordo com a faixa etária da criança.

Quantidade correta de creme dental infantil

O efeito anticárie do flúor depende da concentração, mas o risco da fluorose depende da dose. Então, a melhor recomendação para o uso de creme dental infantil com flúor em crianças é adequar a quantidade colocada na escova.

Com isso, reduzimos o risco sem afetar o benefício anticárie.

Confira a quantidade adequada de creme dental fluoretado para crianças:

  • Menores de 2 anos: quantidade correspondente a 1/2 GRÃO DE ARROZ CRU (0,1mg de flúor).
  • Entre 2 e 4 anos: quantidade correspondente a 1 GRÃO DE ARROZ CRU (0,2 mg de flúor).
  • Acima de 5 anos: quantidade correspondente a 1 GRÃO DE ERVILHA (0,4 mg de flúor).

Todas as crianças devem receber os benefícios do fármaco, inclusive os bebês. Porém, é preciso maximizar os efeitos preventivos e minimizar os riscos do desenvolvimento da fluorose dentária.

Isso se faz utilizando formulações com concentração padrão (1.000 – 1.100 ppm de flúor) em baixas quantidades, após as principais refeições e sempre supervisionado por um adulto.

Por fim, é importante explicar aos pacientes que as doenças bucais surgem, basicamente, do acúmulo de biofilme na superfície dental.

Do mesmo modo, enfatizar a importância da remoção mecânica do biofilme dental, ensinar técnicas de escovação eficazes e indicar produtos adequados para cada situação clínica é essencial para manutenção da saúde bucal.

Por isso, aproveite para conferir a linha completa de produtos para higiene oral na Dental Speed, sua parceira na Odontologia.

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Referências: 

CREME dental: como escolher?. CFO, [S. l.], p. 1-1, 13 jun. 2016. Disponível em: https://website.cfo.org.br/creme-dental-como-escolher/. Acesso em: 13 out. 2022. 

9 passos para escolher o melhor creme dental. Veja, [S. l.], p. 1-1, 8 jun. 2019. Disponível em: https://saude.abril.com.br/medicina/9-passos-para-escolher-o-melhor-creme-dental-para-voce-e-sua-familia/. Acesso em: 13 out. 2022. 

SÔNIA Groisman – Dentifrícios: como e quando indicar. [S. l.]: CRORJ, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1PwJjdrUvzs. Acesso em: 13 out. 2022. 

CREMES dentais: entenda a diferença entre eles. Odonto Company, [S. l.], p. 1-1, 8 jun. 2019. Disponível em: https://doutorsantoandre.com.br/odontologia/2022/04/29/diferencas-cremes-dentais/. Acesso em: 13 out. 2022. 

COMO ESCOLHER o melhor creme dental. Uniodonto, [S. l.], p. 1-1, 8 jun. 2019. Disponível em: https://uniodontominas.com.br/como-escolher-o-melhor-creme-dental/. Acesso em: 13 out. 2022. 

TIPOS de cremes dentais: quais existem e quando usar cada um? Fonte: Simpatio em <a href=”https://simpatio.com.br/tipos-cremes-dentais/”>Tipos De Cremes Dentais – Quais Existem e Quando Usar Cada Um?. Simpatio, [S. l.], p. 1-1, 8 jun. 2019. Disponível em: https://simpatio.com.br/tipos-cremes-dentais/. Acesso em: 13 out. 2022. 

Cury JA. Dentifrícios: como escolher e como indicar. In: Associação Paulista dos Cirurgiões-Dentistas. Odontologia. São Paulo: Artes Médicas – Divisão Odontológica. 2002. p.281-95 

Texto escrito originalmente em 29 de março de 2016 por Dra. Juliana Lemes e reescrito no dia 16 de julho de 2024 pela Dra. Fernanda Skupien.

Publicado por
Dra. Juliana Lemes

Graduada pela UNESP-SJC e atua em clínica geral e estética dental.

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