A remoção seletiva de tecido cariado ou remoção parcial de cárie, consiste na remoção de parte da dentina cariada, deixando apenas aquela localizada na parede de fundo, seguida da realização do selamento cavitário com material restaurador.

Ainda se discutem as chances de sucesso/insucesso quando comparadas à remoção total.

Para refletirmos mais sobre assunto, segue abaixo o relato de caso da Dra. Juliana Lemes.

Há alguns dias atendi uma paciente que precisava trocar uma restauração que, de acordo com ela, havia sido feita há menos de 3 meses e que estava “incomodando”.

Quando examinei constatei que havia cárie remanescente por baixo da resina feita.

Minha conduta foi remover a resina, remover a cárie e avaliar, de acordo com a profundidade, a necessidade ou não de um tratamento de canal. Removi muito tecido cariado, mas consegui não expor os cornos pulpares. Orientei a paciente em relação à profundidade e, principalmente, em relação à tentativa de manter aquele dente vivo.

Fiz como aprendi na faculdade: um curativo expectante – forramento com hidróxido de cálcio + restauração com ionômero de vidro.

Vou acompanhar por um período de 45 a 60 dias e, se não houver sintomatologia dolorosa, farei a nova restauração. Mas já avisei que se se doer a paciente deve me procurar imediatamente.

Como sabem, sou formada há quase 10 anos e o que eu tenho como conduta é a remoção total de tecido cariado. Mas pelo que percebi num debate gerado numa página no Facebook, a Odontodiva da Depressão (que sou eu, por acaso rsrs), muitos colegas defendem a remoção parcial do tecido cariado como alternativa conservadora da vitalidade do dente.

Fui pesquisar na literatura e, realmente, há muitos trabalhos sobre isso. E da mesma maneira que há muita publicação sobre, há muito debate sobre o tema.

O que é a remoção parcial de cárie?

A remoção parcial da cárie tem como objetivo manter a vitalidade do dente, removendo apenas a camada de dentina amolecida, não expondo os cornos pulpares, seguida de selamento da cavidade.

A cárie é removida totalmente nas paredes circundantes do preparo e, na parede pulpar, aquela dentina de aspecto acastanhado é selada e é feito um acompanhamento de caso, pois estudos provam a capacidade de regeneração dessa dentina.

“A zona mais profunda pode ser remineralizada por ainda não ter sido infectada e o colágeno não ter sido quebrado de forma irreversível” (GUEDES PINTO, 2003). O procedimento é indicado tanto para a dentição decídua quanto para a dentição permanente.

O assunto deu o que falar! Cada colega com uma justificativa e, alguns, com relatos de situações onde eles próprios foram os pacientes.

Em que se baseia a remoção seletiva de cárie?

Venho de uma escola onde a prevenção e o tratamento conservador é ensinado e defendido. Sabemos que os avanços tecnológicos no desenvolvimento de materiais dentários proporciona ao profissional a utilização de técnicas cada vez menos invasivas no consultório

A intenção da Odontologia atual é preservar tecido em vez de remover. E eu acho super válido!

Porém fico com receio de algumas manobras conservadoras para tratamento. A remoção de cárie é uma delas.

Eu, como profissional, conduzo o tratamento levando em conta diversos fatores:

  • Qualidade da higiene bucal do paciente;
  • A periodicidade com que o paciente comparece ao consultório;
  • Nível socioeconômico do paciente.
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História médico-odontológica do paciente.

Em casos onde o paciente possui múltiplas lesões de cárie, higiene bucal deficiente, pouco ou nenhum acesso à água fluoretada no abastecimento e uso de aparelhos que retém maior quantidade de placa bacteriana (aparelhos ortodônticos, próteses com grampos), opto por remoção total do tecido.

Meu pensamento é: o paciente já tem fatores demais que justifiquem o aparecimento de lesões cariosas ou o agravamento de lesões já existentes.

Remoção parcial de tecido cariado

Quando o paciente é mais jovem, tem um ou outro dente a ser restaurado e possui boa higiene, opto por remover parcialmente e acompanhar o caso a cada 6 meses, com sondagens e radiografias para avaliar se houve evolução da doença ou remineralização dentinária.

Além disso, oriento o paciente em relação à conduta e registro em ficha clínica. Devemos sim, sempre que possível, optar por manter a maior quantidade de tecido possível, preservando a vitalidade do dente. Mas não devemos nos culpar pela infelicidade da cárie ter afetado o dente a ponto de ser necessário o tratamento de canal.

Sabemos que é uma doença e que, como qualquer outra, possui uma evolução caso não haja intervenção profissional em tempo adequado. De todo o debate fica o ensinamento: o verdadeiro tratamento conservador começa com a prevenção em saúde bucal e motivação do paciente a mudar seus hábitos de higiene.

Consultas de rotina, profilaxia, aplicação de flúor e orientações em saúde são os passos básicos da Odontologia que queremos exercer!

Avalie cada caso e proceda de acordo com os conhecimentos adquiridos com os estudos. Só não podemos nos culpar por não termos diagnosticado e intervido corretamente nas doenças que acometem a boca dos nossos pacientes!

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E você? Qual sua opinião sobre o assunto? Você realiza a remoção parcial do tecido cariado ou a remoção total do tecido cariado? Deixe sua opinião nos comentários!