Quanto custa um bráquete que se descola?

Ortodontia

Bráquete

O bráquete é uma peça essencial do aparelho ortodôntico fixo. É ele que faz a movimentação e o reposicionamento dos dentes, garantindo o alinhamento e o resultado tão esperado pelo paciente. 

Um bráquete que se descola não só atrapalha o tratamento, travando os resultados, mas também envolve uma visita extra, é frustrante para o profissional e para o paciente, além de custar muito dinheiro! 

Se você, enquanto profissional, acredita que o valor de um bráquete é unicamente o preço de cada unidade, está enganado. O custo real desse objeto e os impactos da recolocação para o seu consultório é o que veremos a seguir.

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Quanto custa a colagem de um novo bráquete?

Muitas pessoas, dentistas e pacientes, devem pensar que o custo da recolocação de um bráquete perdido é o preço de um novo bráquete, estando longe de ser verdade. 

O real custo de recolocar um bráquete é o “custo de cadeira” ou “tempo de cadeira”, caso prefira este termo. Ou seja, o custo real é o tempo e a dedicação do profissional àquela atividade.

Para ter uma noção do que estamos falando, vejamos.

Divida todos os custos fixos de sua clínica (renda, aluguel, eletricidade, funcionários, seguros, impostos, internet, etc.) pelo tempo real de funcionamento da sua sala ou consultório e saberá o quanto custa cada minuto de trabalho. 

Agora multiplique esse resultado pelo tempo que demorou para recolocar um bráquete (retirar o arco, preparar a superfície do dente para a colagem, posicionar, colar, polimerizar e recolocar o arco).

A sua surpresa vai ser grande! O valor será de 10 a 20 vezes o preço de um bráquete. Para muitos, pode parecer exagero ou até desnecessário pensar desta forma, mas não é.

O cirurgião-dentista, enquanto profissional autônomo, deve conhecer e aplicar técnicas eficientes de gestão do seu negócio. E isso envolve saber, de forma detalhada, o custo de cada procedimento que ele realiza no seu consultório, mesmo que seja uma tarefa curta, de alguns minutos.

Quer saber como calcular sua hora clínica? Leia o artigo: Quanto vale a minha hora clínica?

Quando você para o que está fazendo ou modifica a sua agenda para encaixar uma recolocação de bráquete, você está disponibilizando o seu tempo e os seus conhecimentos e deve ser reembolsado por aquilo.

Não dar a devida importância a essa atividade, muitas vezes corriqueira, é perder dinheiro, de verdade. 

E quando falamos em gestão financeira de um profissional que trabalha por conta própria, ter custos sem ganhos é algo que não pode acontecer, sob risco de impactar diretamente nos lucros do negócio e na continuidade do mesmo.

O custo final da reposição de um bráquete poderia ser evitado utilizando um produto de alta qualidade, mas quando só é levado em consideração o preço de um bráquete o barato pode sair caro no decorrer do tratamento.

Como escolher o material para o aparelho ortodôntico?

Vejamos quais são os aspectos que devemos considerar para saber se uma base de bráquete tem mais ou menos qualidade. 

Para que um bráquete se fixe firmemente há dois fatores importantes a serem considerados: 

  1. A anatomia da base;
  2. O  tipo de retenção mecânica.

A anatomia da base (compound contour) é indispensável para que o bráquete se adapte à forma do dente de forma estável e não bascule. Uma boa anatomia ajuda também a posicionar o bráquete no lugar certo e assim transmitir as forças de rotação, angulação e torque de forma ótima. 

Como nem todas as anatomias dos dentes são iguais, é muito difícil conseguir uma base que sirva estatisticamente para a maioria deles.

Assumindo uma boa anatomia da base, entra em jogo a eficácia da retenção mecânica (pontos de ancoragem na base para a fixação da resina), uma vez que o adesivo deve “agarrar” de alguma forma à base para cumprir a sua função. 

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Os materiais mais utilizados na fabricação dos bráquetes são: o metal e a cerâmica. Mas, qual escolher? Bom, optar por um ou outro material depende de alguns fatores, como o custo, o tempo de uso e o resultado estético.

Assim, vale a pena ver junto ao paciente, apresentando a ele todas as opções disponíveis e avaliando o que para ele pode ter o melhor custo-benefício.

Bráquete metálico

É o mais comum de todos, tendo sido muito utilizado ao longo do tempo e sempre com ótimos resultados . É feito em aço inoxidável, com boa resistência metálica, inclusive à corrosão, apresentando o melhor custo-benefício para o paciente. 

A desvantagem é a questão estética. Contudo, se não for uma exigência do paciente, é uma excelente alternativa. Por outro lado, há a opção de deixar o aparelho mais personalizado e divertido, com o uso de elástico bengalinha ou corrente, o que atrai muito o público jovem.

Bráquete Cerâmico

O bráquete cerâmico possui uma mecânica de movimentação mais eficiente, reduzindo os atritos e, por consequência, o descolamento das peças. Tem ótima aderência e não mancha após o consumo de alimentos.

Também é um tipo de produto que oferece uma melhor aparência estética, uma vez que a sua cor é similar aos dentes do paciente, ou translúcido, garantindo mais discrição. É uma ótima alternativa para adultos que não querem chamar muita atenção para o uso do aparelho ortodôntico.

Os bráquetes de cerâmica estão muito em alta e são cada vez mais solicitados pelos pacientes nas consultas atuais. O bráquete cerâmico Ice Clear da Orthometric, por exemplo, é feito de óxido de Alumínio policristalino em concentração superior a 99%. Isso permite uma maior translucência, promovendo um ótimo resultado estético.

Braquete IceClear Orthometric
Ice Clear possui excelente custo-benefício para os ortodontistas.

Qualidade dos adesivos para bráquete

Outro ponto que influencia diretamente na boa colagem do bráquete e, consequentemente, na durabilidade dos mesmos no dente tratado é o tipo de adesivo ortodôntico utilizado. Ficar atento à qualidade deste produto é essencial.

O adesivo deve ser eficiente e cumprir o seu objetivo que é fixar o bráquete no dente de forma segura. Porém, não pode agredir o dente e nem prender a peça de forma definitiva, uma vez que deverá ser substituído em breve por outros itens.

Portanto, é necessário que o adesivo atenda a essas duas exigências, cruciais para o bom desempenho do aparelho, segurança do cliente e durabilidade do procedimento, até a consulta de manutenção ou troca dos itens.

Cuidados ao fazer a colagem

Por ser uma peça essencial para o objetivo do aparelho ortodôntico, a aplicação do bráquete deve ser feita com cuidado e seguindo todas as orientações e etapas recomendadas, como veremos a seguir:

Colagem direta

O primeiro passo é o isolamento da área trabalhada, utilizando afastadores de borracha ou roletes de algodão. Em seguida, deve ser feita a sucção da saliva para que não haja contaminação das peças usadas.

Depois, é feita a delimitação da área que receberá o bráquete, seguido da profilaxia, ou limpeza e preparação dos dentes para receber as peças. Essa etapa é essencial para eliminar qualquer risco de contaminação.

As áreas que serão manipuladas devem ser lavadas e secadas com jato de ar livre de agentes contaminantes. Os passos seguintes são a aplicação da resina, a fotopolimerização e a fixação do bráquete na pinça.

É muito importante não manipular  as peças fazendo uso dos dedos diretamente, pois o risco de contaminação aumenta bastante nessas situações.

Depois, é feita a aplicação de uma quantidade pequena de resina em toda a extensão do bráquete a ser colado, seguido do posicionamento do mesmo no dente, sempre com uso de uma pinça e fazendo uma leve pressão.

Por fim, é feita a remoção do excesso de resina e, novamente, a fotopolimerização por cerca de 3 segundos para cada bráquete.

Colagem indireta

A colagem indireta também é uma opção interessante, às vezes, realizada em um tempo menor do que a colagem direta. Nesse procedimento, é utilizada uma moldeira para identificar as características dos dentes, seguido da demarcação dos elementos dentários.

Depois, é feita a aplicação do isolante de gesso, deixando-o secar por 30 segundos. O passo seguinte é a aplicação dos bráquetes com um adesivo de boa qualidade, realização da fotopolimerização e, por fim, a transferência dos bráquetes por meio de outra moldeira.

Assim, o que deve ser levado em consideração antes e durante a aplicação dos bráquetes para impedir que eles se descolem:

Escolher materiais de qualidade, incluindo desde o próprio bráquete até o adesivo que fixará as peças, levando em conta não só o desempenho dos produtos, mas também a diminuição dos riscos de lesões nos tecidos moles da região bucal;

Ficar atento a todos os protocolos de higiene para evitar a contaminação das peças utilizadas, o que também vai influenciar na duração do bráquete na boca;

Veja as dicas da Dra. Laís para uma colagem ortodôntica perfeita!

Orientações para os pacientes 

Os cuidados com o bráquete são simples, mas exigem do paciente uma certa atenção e seguimento real das orientações listadas pelo cirurgião-dentista, no que se refere à alimentação e tratamento de doenças que podem causar o descolamento das peças. 

Normalmente, as causas mais comuns relacionadas à queda de um bráquete são:

Ingestão de alimentos muito duros ou pegajosos

São alimentos que exigem uma mastigação mais vigorosa, que se fixam nos dentes e podem fragilizar ou descolar o bráquete. 

Bruxismo

O bruxismo é uma condição que faz com que adultos e crianças pressionem os dentes com força, causando desgaste dentário e quebrando ou descolando o bráquete do aparelho ortodôntico.

O bruxismo acontece, quase sempre, durante o sono. Por causa disso, na maioria das vezes, quem apresenta essa característica não sabe que tem essa condição.

Essa também é uma das razões pelas quais o paciente acredita que a queda ou descolagem do bráquete foi devido à má qualidade do adesivo e não por causa do seu hábito noturno de pressionar os dentes uns contra os outros.

Portanto, é fundamental que o dentista fique atento a este detalhe, especialmente quando o paciente diz seguir certinho as dicas de alimentação e, ainda assim, continua perdendo os bráquetes.

Sendo assim, podemos listar como orientações básicas repassadas ao paciente para preservar os bráquetes intactos por muito mais tempo:

Evitar comer:

  • Pipoca;
  • Amendoim, castanhas e nozes;
  • Torresmo;
  • Pirulito;
  • Chocolates;
  • Doces muito rígidos e crocantes;
  • Bombons pegajosos, que grudam no dente;
  • Evitar morder frutas duras, como maçã e pera.

O ideal é reduzir o consumo destes alimentos ou, no caso das frutas, cortá-las em pequenos pedaços para que elas possam ser apreciadas devagar e sem provocar danos aos dentes ou ao aparelho.

No caso do bruxismo:

Repassar ao paciente a desconfiança de que ele sofra com essa condição, o que pode ser confirmado após a avaliação de outros sintomas e sinais encontrados nos dentes e solicitar o tratamento e acompanhamento com o cirurgião-dentista.

É importante alertar ao paciente que também é responsabilidade dele cuidar bem dos dentes e do seu aparelho ortodôntico. Por melhor que seja o material escolhido para o procedimento, sem o devido cuidado o risco de descolamento existe.

Cobrar consulta para colagem ou não? 

Considerando que a recolocação de um bráquete exige tempo e trabalho do dentista, além do uso de material novo para a reposição, podemos dizer que sim, o profissional não só pode, como deve cobrar para fazer uma nova colagem.

Isso não quer dizer que a culpa da queda do bráquete seja sempre do paciente. É possível que ele sofra de um problema que não saiba, como o bruxismo, e acredite que a peça caiu por causa da má fixação ou por ser um produto de má qualidade.

Mas, também não é culpa do dentista. Aliado a isso, temos todos os custos, já listados no início deste artigo, que devem ser avaliados antes de realizar um procedimento gratuito.

Contudo, optar ou não por essa cobrança depende, exclusivamente, do cirurgião-dentista, que deve levar em conta outras características de cada paciente e do seu relacionamento profissional com ele, tudo de forma individualizada.

Uma alternativa é cobrar um valor que seja confortável para ambas as partes e jamais esquecer de reforçar os cuidados e as orientações em relação à manutenção diária do aparelho ortodôntico.

E quando é necessário repor o bráquete perdido?

Bom, a perda de um bráquete não é considerada uma urgência do ponto de vista odontológico, além de não invalidar todo o trabalho desenvolvido pelo aparelho completo. Mas, para o paciente pode ser desconfortável devido ao fator estético.

É importante que o dentista converse com seu paciente, deixando claro o que ele deve fazer nessa situação. Ele pode esperar até a data da próxima manutenção ou ir ao consultório para uma consulta mais rápida para a reposição da peça perdida.

Como vimos, o custo da recolocação de um bráquete que se descola não deve ser avaliado apenas com base na simplicidade, rapidez ou baixo custo do procedimento, mas sim após análise de todos os fatores envolvidos nessa tarefa e que influenciam diretamente nos ganhos finais do profissional.

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Redatora em Blog Dental Speed
Formada em Administração pela Estácio, especialista em Marketing e redação técnica na área odontológica.
Gabrielli Nery Wandscheer
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