O uso de Benzocaína na Odontologia

Odontologia

Anestesia Benzocaína na odontologia

A anestesia tem a função de bloquear, de forma reversível, a geração e a liberação do impulso nervoso, evitando a dor e, ao mesmo tempo, mantendo o indivíduo consciente e seguro.

Dentro da odontologia, a benzocaína é o anestésico mais comum. Esse fármaco, juntamente com a Lidocaína, é um dos anestésicos locais mais utilizados pelos cirurgiões-dentistas. A seguir, saiba mais sobre o uso da benzocaína na odontologia, suas variações, contraindicações e muito mais.

Tipos de anestésicos locais: ésteres e amidas

Podemos dividir os anestésicos locais em dois grandes grupos: ésteres e amidas. Os anestésicos do tipo éster foram os primeiros utilizados na odontologia. No entanto, atualmente, os anestésicos mais comuns e utilizados são os do grupo amida.

Essa mudança ocorreu porque, no Brasil, não é possível adquirir ésteres em forma de tubete, uma vez que sua toxicidade impossibilita o uso em seringas carpule. Além disso, os anestésicos do grupo amida tendem a ser mais estáveis e a chance de desencadear alergias nos pacientes é muito pequena.

A benzocaína pertence ao grupo de ésteres e, ainda assim, é um anestésico muito popular, usado em consultórios odontológicos como um anestésico de superfície. É, inclusive, o único anestésico do grupo éster liberado para uso no país.

Já no grupo das amidas temos a lidocaína, a prilocaína e a mepivacaína como os três fármacos mais usados na odontologia. Falaremos mais sobre eles ao longo do texto.

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Apresentação do anestésico Benzocaína

A benzocaína pode ser encontrada no mercado em diferentes formatos. Cada um deles tem uma indicação específica. Saiba mais a seguir:

Benzocaína pomada

A benzocaína do tipo pomada é mais indicada para o tratamento e diminuição de dor no caso de ulceração aftosa recorrente e também em úlceras causadas por traumas. 

Benzocaína spray

Já a benzocaína do tipo spray é mais indicada para aliviar dores e desconfortos da região bucal e também da garganta, sintomas comuns provocados por infecções da área interna da boca. 

Esse tipo também é uma opção para anestesiar o céu da boca do paciente e evitar que ele apresente episódios de vômitos durante processos de moldagem.

Benzocaína gel

A benzocaína em gel é uma opção interessante para uso anterior à aplicação da injeção anestésica local, pois alivia o desconforto da picada, um incômodo comum a muitos pacientes.

Benzocaína solução gengival

Sob forma de líquido, esse tipo de benzocaína deve ser aplicada diretamente sobre o local dolorido, ou por meio de uma compressa, com leves toques para a absorção do produto pela pele.

Benzocaína pastilha

Um tipo bastante popular da benzocaína, a pastilha é utilizada para tratar e aliviar sintomas causados por infecções, como dor e coceira na garganta, além de outros desconfortos orais.

A benzocaína na forma de pomada ou gel tem baixa solubilidade, o que faz com que o anestésico seja absorvido de forma lenta. Desse modo, o fármaco costuma alcançar o seu efeito máximo em 15 minutos. Já a duração anestésica pode durar até 45 minutos, dependendo da dose administrada.

O anestésico Benzotop da DFL, por exemplo, para alcançar o efeito desejado, sugere-se que sejam feitas aplicações de 0,5 g, até a dose máxima recomendada de 2 g.

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Vasoconstritores e analgésicos

Os vasoconstritores são substâncias existentes na composição dos analgésicos locais odontológicos. A função do vasoconstritor é provocar a contração dos vasos sanguíneos no local onde será aplicada a injeção analgésica.

O objetivo do vasoconstritor é limitar a absorção do anestésico pela corrente sanguínea reduzindo o risco de intoxicação e, ao mesmo tempo, aumentando o tempo de ação do analgésico.

O vasoconstritor também é indicado para procedimentos cirúrgicos por provocar hemostasia, diminuindo o risco de sangramentos e hemorragias durante os procedimentos invasivos. Os vasoconstritores mais comuns são:

  • Epinefrina;
  • Norepinefrina;
  • Levonordefrina;
  • Fenilefrina;
  • Felipressina.

Por causa da contração dos vasos sanguíneos, os analgésicos com vasoconstritores não devem ser utilizados em pacientes com histórico de doenças cardíacas graves e hipertensão arterial severa.

Quais as indicações de uso da Benzocaína?

Por ser um anestésico de fácil absorção e excelente duração, a benzocaína é indicada para usos diversos e em várias especialidades médicas, como ginecologia e gastroenterologia, por exemplo. Basta observar as inúmeras apresentações do produto disponíveis no mercado farmacológico.

Dentro do consultório dentário, a benzocaína é comumente utilizada de forma prévia às anestesias infiltrativas. Ou seja, o cirurgião-dentista usa o efeito da Benzocaína para aliviar o incômodo da picada da agulha durante a anestesia local.

Além disso, a benzocaína também pode ser utilizada em muitos outros procedimentos odontológicos, como:

  • realização de radiografias;
  • confecção de moldeiras;
  • posicionamentos de prótese;
  • instalação de grampos para isolamento absoluto;
  • remoção de tártaro;
  • procedimentos de harmonização orofacial, entre outros.

Contraindicações da Benzocaína

A Benzocaína, assim como todos os demais anestésicos, precisa ser usada de forma cautelosa, afinal, cada paciente possui suas particularidades. Vejamos com mais detalhes algumas limitações:

Pacientes com mucosa traumatizada ou sépsis

É importante que o anestésico seja administrado com cautela, pois a absorção do produto por meio da lesão é relativamente alta.

Crianças menores de dois anos

A benzocaína não é indicada para crianças com menos de dois anos de idade. Isso se dá devido ao risco de metemoglobinemia, uma síndrome provocada pela concentração excessiva de hemoglobina no sangue. Em casos mais graves, esse distúrbio pode levar o paciente a óbito.

A benzocaína está muito associada à incidência da metemoglobinemia. Portanto, convém evitar o uso em indivíduos com menos de dois anos ou que já tenham sofrido com essa síndrome em alguma fase da vida.

Pacientes com insuficiência cardíaca

Assim como acontece com os outros anestésicos, a benzocaína tem função vasodilatadora, provocada pela adição de vasoconstritores à fórmula do fármaco. Devido ao aumento da absorção e da pressão arterial, não é recomendado o uso em pacientes com doenças cardíacas graves.

Gestantes

Grávidas também devem fazer o uso de benzocaína mediante muita precaução, especialmente durante a fase inicial da gestação.

Além disso, a benzocaína é contraindicada para aqueles pacientes que possuem alguma sensibilidade aos componentes da fórmula do anestésico ou aos demais anestésicos derivados do ácido para-aminobenzóico (PABA).

Por fim, a benzocaína deve ser evitada por aqueles que sofrem com problemas respiratórios e doenças metabólicas.

Anestésicos que podem substituir a benzocaína

Como vimos anteriormente, a benzocaína faz parte de um grupo de anestésicos chamados de ésteres, sendo o único dessa classe comercializada no país para uso tópico. 

Caso não seja possível fazer o seu uso durante o procedimento odontológico, o cirurgião-dentista pode avaliar algumas substituições possíveis, dentre elas, os anestésicos locais pertencentes ao grupo de amidas. São eles:

Lidocaína (cujo uso comercial mais comum é xilocaína)

Como vimos, a lidocaína, junto com a benzocaína, é um dos anestésicos mais usados na odontologia em todo o mundo. A dose máxima recomendada é de 7 mg por kg em adultos.

Quando associada aos vasoconstritores, a ação da lidocaína tem uma duração de até 60 minutos na polpa e de 3 a 5 horas nos tecidos moles, com início a partir dos 4 minutos de aplicação.

A lidocaína é o anestésico mais indicado para uso em gestantes. Ainda assim, possui contraindicações. Não deve ser usada, portanto, em:

  • Pacientes com problemas cardíacos;
  • Alérgicos a anestésicos do grupo amidas;
  • Pacientes com problemas hepáticos de alta gravidade.

Articaína

A articaína também é uma alternativa à benzocaína, de introdução recente no mercado. Tem quase o dobro do efeito da lidocaína, além de baixa toxicidade, podendo ser administrada em doses mais altas. O efeito inicia a partir do primeiro minuto após a aplicação.

É um anestésico muito interessante para aplicação em tecidos moles e também na parte óssea da região bucal. Tem uma duração longa, de até 75 minutos na polpa e de 3 a 6 horas nos tecidos moles.

Não é recomendado para gestantes devido aos riscos que pode causar à mulher e ao bebê.

Mepivacaína

Outro tipo de anestésico local do grupo midas é a mepivacaína. Sua ação pode durar até 60 minutos na polpa e 5 horas nos tecidos moles, com baixa ação vasodilatadora. Também não é uma boa opção para mulheres grávidas, devendo ser evitada.

Uma boa qualidade da mepivacaína é no tratamento de infecções dentárias. Entretanto, tem potência e toxicidade duas vezes maior do que a lidocaína. A dosagem máxima deve ser de 6,6 mg por kg em adultos.

Prilocaína

Com ação semelhante à lidocaína, a prilocaína começa a fazer efeito a partir dos 3 minutos de aplicação, com duração de até 90 minutos na polpa e até 8 horas nos tecidos moles. 

A sua dose máxima é de 8 mg por kg em adultos. Por ser metabolizada nos rins e fígado, não é indicada para pacientes com doenças renais. 

Além disso, a prilocaína diminui a circulação de oxigênio pelos vasos sanguíneos, devendo ser evitada por gestantes, diabéticos, pessoas com distúrbios de ansiedade, com metemoglobinemia congênita, anemia crônica e falciforme, insuficiência cardíaca e respiratória.

Bupivacaína

Um dos anestésicos do tipo amida mais potente do grupo, a bupivacaína tem o equivalente a quatro vezes mais força do que a lidocaína, componente da mesma classe. A dose máxima administrada deve ser de 1,3 mg por kg para adultos.

O efeito analgésico se inicia a partir dos 6 minutos após a aplicação e sua duração pode chegar a 9 horas nos tecidos moles e 3 horas na polpa.

A bupivacaína não é indicada para uso em gestantes e nem em pacientes com doenças cardíacas por elevar o número de batimentos cardíacos. É um anestésico metabolizado pelo fígado e excretado pelos rins.

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Alergia à benzocaína e demais complicações

Sempre é importante lembrar que antes da administração de qualquer anestésico ou produto de absorção, deve ser feita uma avaliação do histórico do paciente. Possíveis alergias a anestésicos ou a qualquer outro medicamento devem estar disponíveis em sua ficha para eventual consulta posterior.

Os sintomas mais comuns de alergia são vômitos, falta de ar, ansiedade, tremor, aumento da pressão arterial, tontura, inquietação, palpitação e desmaios.

Além de alergia, a benzocaína e os demais anestésicos locais também podem causar algumas complicações ao paciente, como:

  • Parestesia (sensação de dormência e formigamento);
  • Anestesia prolongada;
  • Paralisia de nervo facial;
  • Espasmos;
  • Lesões ou necrose nos tecidos moles;
  • Hematomas, inchaço e dor local;

A intoxicação resultante em óbito por anestésicos locais pode acontecer quando há excesso na aplicação do fármaco, especialmente quando administrado em crianças. É, portanto, um cuidado importante que o cirurgião-dentista deve levar em consideração. São fatores de risco:

  • A interação medicamentosa;
  • A idade;
  • Doenças pré-existentes;
  • A frequência com que o produto é administrado;
  • A forma de aplicação do analgésico, etc.
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Finalmente, a benzocaína é um dos anestésicos mais comuns da área odontológica para aplicação local. Pode ser encontrada em versões variadas, como gel, spray, pomada e pastilhas.

Devido às complicações e contraindicações, a benzocaína pode ser substituída por outros anestésicos, mas sempre seguindo as orientações e indicações de cada fármaco e as particularidades de cada paciente.

Redatora em Blog Dental Speed
Formada em Administração pela Estácio, especialista em Marketing e redação técnica na área odontológica.
Gabrielli Nery Wandscheer
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