Diferença entre Frenectomia e Frenotomia

Os freios consistem em pregas de membrana mucosa com tecido fibroso e são estruturas dinâmicas sujeitas a variações na forma, tamanho e posição durante os diferentes estágios de crescimento do indivíduo.

Segundo a literatura, freios labiais possuem a função de limitar os movimentos dos lábios, promovendo a estabilização da linha média e impedindo a excessiva exposição da gengiva. Já o freio lingual tem a função de limitar o movimento da língua para favorecer a deglutição, fala e fonação.

Em alguns casos, pode haver alteração na função, caracterizando freio labial patológico, em que há presença de diastema interincisal, problemas estéticos, acúmulo de biofilme, tracionamento anormal do lábio superior, dificuldade de escovação e na fonética de algumas letras.

Logo, é comum que procedimentos sejam feitos com o intuito de reparar eventuais distúrbios nos freios, seja labial ou lingual. Os mais conhecidos são a Frenotomia e a Frenectomia.

Nesse artigo, vamos conferir as principais diferenças entre esses procedimentos cirúrgicos, abordando de forma simplificada o processo de diagnóstico, bem como as etapas clínicas. Além disso, também será possível conferir imagens de casos reais e os principais benefícios para os pacientes.

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Diferença entre frenotomia e frenectomia

Os nomes podem ser um tanto parecidos, contudo, existem diferenças entre os procedimentos.

Frenotomia: procedimento tem como objetivo cortar ou dividir o freio. Pode ser executado sem anestesia local e com o mínimo desconforto, sendo um procedimento bastante utilizado em pacientes odontopediátricos.

Frenectomia: procedimento cirúrgico que visa a remoção do freio labial, lingual e bridas, permitindo tanto a movimentação ortodôntica para fechamento de diastemas, como a movimentação adequada da língua, necessária às atividades funcionais.

Benefícios da Frenectomia labial e/ou lingual

A frenectomia traz inúmeros benefícios para o paciente, principalmente, considerando que é comum realizar o procedimento em crianças.

Ela possibilita a movimentação e o posicionamento (repouso) ideal da língua, contribuindo na pronúncia adequada de sílabas e palavras, reduz a chance de retração gengival e promove uma higiene mais adequada.

Além disso, em casos de diastema, permite uma movimentação ortodôntica facilitando o tratamento.

Caso clínico – Antes e depois de uma Frenectomia:

Paciente adulto, queixa principal: estética do sorriso. Ao exame clínico, observou-se presença de diastema importante na região entre incisivos centrais. Foi realizada afrenectomia para possibilitar a reabilitação estética em região anterior.

*O relato do paciente é o mais importante a ser levado em conta na hora de planejar o caso. Primeiro, escute as queixas dele, para então propor um tratamento (ou algumas possibilidades de tratamento).

Segundo Souza (2015), quando os incisivos centrais superiores erupcionam, nenhum osso é posto na porção inferior, causando assim um espaço interincisivo que é chamado de diastema, podendo afetar a harmonia do sorriso.

O diastema é comumente detectado em crianças na fase da dentição mista, e pode ter outras causas como:

  • dentes com diâmetro insuficiente na região maxilar;
  • incisivos laterais conoides;
  • agenesias de incisivos laterais;
  • macroglossia;
  • expansão dos maxilares;
  • hiperatividade lingual;
  • hábitos parafuncionais;
  • e outras alterações dentárias.

A seguir, é possível conferir o antes de depois do paciente. Na primeira figura, podemos observar o freio labial em região de incisivos, posicionado entre os dentes 11 e 21. Já na segunda figura, observamos o pós-operatório (14 dias), após a remoção do freio labial.

Figura min
Freio labial em região de incisivos entre os elementos dentários 11 e 21.
Pós-operatório
Pós-operatório.

Na última figura, podemos observar o resultado da reabilitação estética pós frenectomia labial.

Sorriso do paciente após o polimento
Sorriso do paciente após o polimento.

Benefícios da Frenotomia

A Frenotomia deve ser realizada sempre que a aquiloglossia causar algum prejuízo as funções estomatognáticas de uma criança, sendo muito utilizada em neonatos.

O procedimento permite uma melhor amamentação, tanto para mãe quanto para o bebê, influenciando diretamente na nutrição correta da criança.

Além disso, possibilita uma melhor movimentação da língua, e, consequentemente, melhor pronúncia das palavras ao desenvolver a dicção contribuindo para o desenvolvimento psíquico-emocional do paciente.

Diagnóstico e indicações de Fretonomia em bebês

A frenotomia pode ser indicada para bebês que apresentem dificuldades na amamentação natural, durante os primeiros meses de vida. Esta cirurgia é realizada após o Teste da Linguinha (TL), este é feito em crianças recém-nascidas ou com até seis meses de idade.

Caso exista alguma anomalia na movimentação da língua durante a sucção por parte do bebê, tem-se como efeito uma dor persistente no mamilo materno, lesões na área e problemas no amparo da pega (AGOSTINI, 2014).

Sempre fique atento aos sinais de anquiloglossia dos bebês, nem sempre o diagnóstico é realizado no primeiro mês de vida.

Questione sobre amamentação, movimentação lingual, irritabilidade da criança, etc. Ter uma visão geral do contexto é importante para um bom diagnóstico e plano de tratamento.

Como é feita a Frenotomia em bebês?

O paciente é submetido ao exame clínico, onde realiza-se o levantamento da língua, analisado a forma, a inserção e o repouso dos lábios. Diante das informações coletadas, é realizado o diagnóstico de anquiloglossia, seguindo com a elaboração do planejamento cirúrgico.

Procedimento:

O protocolo da frenotomia – cirurgia de anquiloglossia – conta com as seguintes etapas:

  1. Preparo da mesa clínica, além da gaze e algodão estéril.
  2. Geralmente realiza-se anestesia tópica com benzocaína e algodão estéril envolto na pinça, anestesia local com lidocaína 2% + epinefrina 1:100.000 com agulha curta, aplicado na face ventral da língua anestesiando o nervo lingual.
  3. Apreensão do freio lingual com tentacânula e secção do freio lingual com tesoura de ponta reta – frenotomia, liberando assim o freio lingual.
  4. A hemostasia imediata é realizada com compressa de gaze, não havendo necessidade de sutura.
  5. Imediatamente após a cirurgia orienta-se que a mãe coloque a criança para amamentar (peito).
  6. A medicação pós-operatória é prescrita caso o profissional perceba que há necessidade.
Imagem min
antes
Como é feita a frenotomia em bebês?
depois

Principais materiais utilizados na frenotomia:

Principais materiais utilizados na frenotomia

Tempo cirúrgico:

O procedimento é rápido, dura em torno de 10 minutos.

CID Odontológicos: Frenectomia e Frenotomia

A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) é uma das principais ferramentas epidemiológicas do cotidiano médico. É de suma importância o profissional da saúde saber documentar corretamente seus procedimentos, visto que a principal função do CID é monitorar a incidência e prevalência de doenças, através de uma padronização universal.

Para esses procedimentos, os CID’s principais são:

  • CID 10 – K06.10 Fibromatose gengival (Frenectomia)
  • CID 10 – Q38.1 Anquiloglossia
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Cuidados pós-operatórios

Os cuidados pós-operatórios são fundamentais para evitar possíveis complicações e devem ser, de preferência, entregues por escrito ao paciente ou responsáveis após o procedimento.

 São eles:

  • alimentação líquida/pastosa e fria nos primeiros dois dias;
  • manter repouso;
  • ao dormir, manter a cabeça em posição elevada (utilizando dois travesseiros abaixo da nuca).
  • nunca dormir com a barriga voltada para a cama – para evitar sangramento, por ser uma área muito vascularizada (principalmente língua);
  • evitar calor, locais quentes, exposição ao sol e atividade física até a remoção da sutura;
  • não cuspir;
  • não fumar;
  • manter uma ótima higiene oral para evitar infecções, inclusive utilizar fio dental delicadamente;
  • escovar os dentes com escova macia de cabeça pequena, preservando o local da cirurgia (não escovar a região da cirurgia);
  • não realizar bochecho nas primeiras 72 horas;
  • higienizar o local da cirurgia delicadamente com cotonete embebido em solução à base de clorexidina a 0,12% (quando possível);
  • tomar corretamente a medicação prescrita, seguindo corretamente o horário estipulado.

Além disso, na maior parte dos casos, o indivíduo deve passar a ser acompanhada por um profissional fonoaudiólogo. Tal profissional avaliará a deficiência do paciente e orientará o último com exercícios que melhorarão sua motricidade lingual auxiliando, por fim, na melhora da pronúncia das palavras.

Em suma, por mais que a frenectomia e a frenotomia sejam procedimentos considerados “simples”, afetam uma área muito vascularizada, logo, riscos de hemorragias não devem ser descartados. Se você não possui experiência com esse tipo de procedimento, realize-o apenas quando se sentir seguro o suficiente, mesmo com apoio.

Para concluir tenha sempre referência de bons profissionais para sua vida, assim, você criará uma rede de apoio que te auxiliará na resolução.

A odontologia está em constante evolução. Busque o melhor para o seu paciente, sempre ouvindo suas queixas. Nem sempre o que você acha que é melhor para ele é aquilo que ele espera do tratamento.

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Referências:

ANDRADE, J. J. DA S.; CABRAL, L. N.; MALASPINA, O. A. Reabilitação estética anterior pós-frenectomia: relato de caso. ARCHIVES OF HEALTH INVESTIGATION, v. 6, n. 10, 31 out. 2017.

GOMESª, Anny. FRENOTOMIA LINGUAL EM PACIENTE INFANTIL: RELATO DE CASO. In: GOMESª, Anny. Acadêmico do Curso de odontologia da Faculdade Avantis. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (odontologia) – Universidade Tiradentes, Aracaju, 2018. Disponível em: http://openrit.grupotiradentes.com:8080/xmlui/bitstream/handle/set/3537/FRENOTOMIA%20LINGUAL%20EM%20PACIENTE%20INFANTIL%20-%20RELATO%20DE%20CASO%20%28UNIT-SE%29.pdf?sequence=1. Acesso em: 1 fev. 2022.

SILVA, Hewerton Luis, SILVA, Jairson José da, ALMEIDA, Luís Fernando de. Frenectomia: revisão de conceitos e técnicas cirúrgicas. SALUSVITA, Bauru, v. 37, n. 1, p. 139-150, 2018.

LEAL, Ricardo. Frenectomia lingual e labial em OdontopediatriaArtigo
de
Revisão
Bibliográfica
, [S. l.], p. 1-32, 1 jun. 2010. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/56674/2/tese%20de%20Ricardo%20Leal.pdf. Acesso em: 1 fev. 2022.

MENEZES, Flavio. Frenectomia e Frenotomia (Lingual ou Labial). Instituto Odontológico , [S. l.], p. 1-1, 7 fev. 2018. Disponível em: http://www.odontologiaprudente.com.br/frenectomia-lingual-labial-presidente-prudente.php. Acesso em: 1 fev. 2022.

Cirurgiã-dentista pela Universidade do Vale do Itajaí, residente no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - USP Bauru.
Dra. Maria Cecília de Azevedo

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