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Frenectomia e Frenotomia: conheça a diferença entre os procedimentos na Odontologia

Frenectomia x Frenotomia Veja as principais diferenças

Os freios ou frênulos consistem em pregas de membrana mucosa com tecido fibroso e são
estruturas dinâmicas, sujeitas a variações na forma, tamanho e posição durante os diferentes
estágios de crescimento do indivíduo.

Quando ocorre uma alteração no freio labial ou no freio lingual que possa comprometer a
função e/ou a estética, existe a necessidade de realizar o procedimento cirúrgico de frenotomia
ou frenectomia, de acordo com a complexidade do caso clínico.

Nesse artigo, vamos conferir as principais diferenças entre essas cirurgias, abordando de forma
simplificada o processo de diagnóstico, bem como as etapas clínicas.

Além disso, também será possível conferir imagens de casos reais e os principais benefícios para
os pacientes.

Diferença entre frenotomia e frenectomia

Antes de entendermos a diferença entre os procedimentos cirúrgicos, vamos abordar a função e
limitações causadas por alterações no freio labial e no freio lingual:

Freio labial:

  • Também chamado de frênulo labial;
  • Função de limitar os movimentos dos lábios;
  • Promove a estabilização da linha média;
  • Impede a exposição excessiva da gengiva.

Quando há alteração na inserção do freio, caracterizando o freio labial patológico, podem ocorrer diversos problemas, como por exemplo:

  • Diastema interincisal;
  • Alteração estética;
  • Acúmulo de biofilme;
  • Tracionamento anormal do lábio superior;
  • Dificuldade de escovação;
  • Fonética de algumas letras.

Freio lingual:

  • Também chamado de frênulo lingual;
  • Função de limitar e controlar os movimentos da língua;
  • Impacto direto na deglutição, fala e fonação.

Já quando ocorre a alteração da inserção do freio lingual, pode acarretar problemas em bebês, crianças e adultos:

Problemas em bebês:

    • Dificuldade de amamentação;
    • Impacta na pega do bebê.

    Problemas em crianças e adultos:

    • Dificuldade de de deglutição;
    • Dificuldade de fonação.

    Essa alteração causa a anquiloglossia, popularmente chamada de “língua presa”.

    Logo, é comum que procedimentos cirúrgicos sejam feitos com o intuito de reparar eventuais
    distúrbios nos freios, seja labial ou lingual. Os mais conhecidos são a frenotomia e a frenectomia.

    Logo, é comum que procedimentos cirúrgicos sejam feitos com o intuito de reparar eventuais
    distúrbios nos freios, seja labial ou lingual. Os mais conhecidos são a frenotomia e a frenectomia.

    Qual a diferença entre frenotomia e frenectomia?

    Os nomes podem ser um tanto parecidos, contudo, existem diferenças entre os procedimentos:

    • Frenotomia: procedimento tem como objetivo cortar ou dividir o freio, sendo um
      procedimento bastante utilizado em pacientes odontopediátricos;
    • Frenectomia: procedimento cirúrgico que visa a remoção do freio (labial ou lingual) e bridas (se necessário), permitindo tanto a movimentação ortodôntica para fechamento de diastemas (no caso do frênulo labial), bem como a movimentação adequada da língua (no caso do frênulo lingual).

    Ambos são realizados pela técnica cirúrgica convencional ou utilizando laser. A escolha é feita de acordo com a avaliação do dentista e a necessidade do caso clínico.

    CID Odontológico

    A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) é uma das principais ferramentas epidemiológicas do cotidiano médico e odontológico.

    É de suma importância o dentista saber documentar corretamente os procedimentos realizados, visto que a principal função do CID é monitorar a incidência e prevalência de doenças, através por meio de uma padronização universal.

    Para esses procedimentos, os CIDs principais são:

    • CID 10 – K06.10 Fibromatose gengival
    • CID 10 – Q38.1 Anquiloglossia

    Quais os benefícios da frenectomia?

    Os procedimentos de frenectomia oferecem inúmeros benefícios para o paciente, principalmente, considerando que é comum realizar o procedimento em crianças.

    Quais os benefícios da frenectomia labial?

    • Prevenção de retração gengival;
    • Melhora a higiene oral;
    • Estética do sorriso;
    • Perimite o fechamento de diastema;
    • Facilita o tratamento ortodôntico.

    Quais os benefícios da frenectomia lingual?

    1. Em bebês:
    • Melhora a amamentação;
    • Contribui para a pega do bebê;
    • Facilita a deglutição;
    • Previne problemas de desenvolvimento oral e facial.

    2. Em crianças e adultos:

      • Possibilita a movimentação e o posicionamento ideal da língua;
      • Contribui na pronúncia adequada de sílabas e palavras;
      • Facilita a deglutição;
      • Promove uma higiene mais adequada

      Para exemplificar o benefício do procedimento, segue o relato de um caso clínico:

      Caso clínico: Antes e depois de uma frenectomia labial

      • Paciente adulto, queixa principal: estética do sorriso;
      • Ao exame clínico, observou-se presença de diastema importante na região entre incisivos centrais;
      • Foi realizada a frenectomia para possibilitar a reabilitação estética em região anterior.

      Dica clínica:

      • O relato do paciente é o mais importante a ser levado em conta na hora de planejar o caso;
      • Primeiro, escute as queixas dele, para então propor um tratamento (ou algumas possibilidades de tratamento).

      Importante:

      Segundo Souza (2015), quando os incisivos centrais superiores erupcionam, nenhum osso é
      posto na porção inferior, causando assim um espaço interincisivo que é chamado de diastema,
      podendo afetar a harmonia do sorriso.

      Quais são as causas do diastema?

      O diastema é comumente detectado em crianças na fase da dentição mista, e pode ter outras causas como:

      • Dentes com diâmetro insuficiente na região maxilar;
      • Incisivos laterais conoides;
      • Agenesias de incisivos laterais;
      • Macroglossia;
      • Expansão dos maxilares;
      • Hiperatividade lingual;
      • Hábitos parafuncionais;
      • Outras alterações dentárias.

      A seguir, é possível conferir o antes de depois do paciente:

      Freio labial em região de incisivos entre os elementos dentários 11 e 21.

      Na primeira figura, podemos observar o freio labial em região de incisivos, posicionado entre os dentes 11 e 21.

      Já na segunda figura, observamos o pós-operatório (14 dias), após a remoção do freio labial.

      Já na segunda figura, observamos o pós-operatório: 14 dias após a remoção do freio labial.

      Na última figura, podemos observar o resultado da reabilitação estética pós frenectomia labial.

      Na última figura, podemos observar o resultado da reabilitação estética pós frenectomia labial.

      Quais os benefícios da frenotomia?

      Os procedimentos de frenotomia apresentam diversos benefícios, semelhantes aos
      da frenectomia.

      Quais os benefícios da frenotomia labial?

      • Permite o fechamento de diastemas;
      • Melhora a fonação;
      • Diminui a possibilidade de retração gengival;
      • Facilita a higienização.

      Quais os benefícios da frenotomia lingual?

      1. Em bebês:
      • Melhora da amamentação;
      • Promoção do desenvolvimento oral;
      • Prevenção de problemas de fala;
      • Prevenção de problemas respiratórios.

      2. Em crianças e adultos:

      • Permite a movimentação e o posicionamento ideal da língua;
      • Melhora a fonação e deglutição;
      • Permite uma higiene oral adequada.

      Dica clínica:

      • A frenotomia lingual deve ser realizada sempre que a anquiloglossia causar algum prejuízo as funções estomatognáticas de uma criança, sendo muito utilizada em neonatos;
      • O procedimento permite uma melhor amamentação, tanto para mãe quanto para o bebê, influenciando diretamente na nutrição correta da criança;
      • Além disso, possibilita uma melhor movimentação da língua, e, consequentemente, melhor pronúncia das palavras ao desenvolver a dicção contribuindo para o desenvolvimento psíquicoemocional do paciente.

      Diagnóstico e indicações de fretonomia lingual em bebês

      • O procedimento pode ser indicado para bebês que apresentem dificuldades na amamentação natural, durante os primeiros meses de vida;
      • Esta cirurgia é realizada após o Teste da Linguinha (TL). O teste é feito em crianças recém nascidas ou com até seis meses de idade;
      • Caso exista alguma anomalia na movimentação da língua durante a sucção por parte do bebê, tem-se como efeito uma dor persistente no mamilo materno, lesões na área e problemas no amparo da pega (AGOSTINI, 2014).

      Importante:

      1. Sempre fique atento aos sinais de anquiloglossia em bebês, nem sempre o diagnóstico é realizado no primeiro mês de vida;
      2. Questione sobre amamentação, movimentação lingual, irritabilidade da criança, etc.;
      3. Ter uma visão geral do contexto é importante para um bom diagnóstico e plano de tratamento.

      Como é feita a frenotomia lingual em bebês?

      O paciente é submetido ao exame clínico, onde realiza-se o levantamento da língua, analisado a forma, a inserção e o repouso dos lábios.

      Diante das informações coletadas, é realizado o diagnóstico de anquiloglossia, seguindo com a elaboração do planejamento cirúrgico.

      Saiba mais sobre o procedimento:

      O protocolo da cirurgia de anquiloglossia conta com as seguintes etapas:

      • Preparo da mesa clínica, além da gaze e algodão estéril;
      • Geralmente realiza-se anestesia tópica com benzocaína e algodão estéril envolto na pinça anestesia local com lidocaína 2% + epinefrina 1:100.000 com agulha curta, aplicado na face ventral da língua anestesiando o nervo lingual;
      • Apreensão do frênulo lingual com tentacânula e secção do mesmo com tesoura de ponta reta – frenotomia, liberando assim o freio;
      • A hemostasia imediata é realizada com compressa de gaze, não havendo necessidade de sutura;
      • Imediatamente após a cirurgia orienta-se que a mãe coloque a criança para amamentar (peito);
      • A medicação pós-operatória é prescrita caso o profissional perceba que há necessidade.

      Para facilitar a compreensão, seguem imagens de “ antes e depois” de um caso clínico de frenotomia lingual:

      Principais materiais utilizados na frenotomia:

      Tempo cirúrgico: o procedimento é rápido, dura em torno de 10 minutos.

      Cuidados pós-operátorios após frenectomia e frenotomia

      Os cuidados pós-operatórios são fundamentais para evitar possíveis complicações e devem ser, de preferência, entregues por escrito ao paciente ou responsáveis após o procedimento, sendo os mesmos cuidados para os dois procedimentos:

      • Alimentação líquida/pastosa e fria nos primeiros dias;
      • Manter repouso;
      • Ao dormir, manter a cabeça em posição elevada (utilizando dois travesseiros abaixo da nuca);
      • Nunca dormir com a barriga voltada para a cama – para evitar sangramento, por ser uma área muito vascularizada (principalmente língua);
      • Evitar calor, locais quentes, exposição ao sol e atividade física até a remoção da sutura;
      • Não cuspir;
      • Não fumar;
      • Manter uma ótima higiene oral para evitar infecções, inclusive utilizar fio dental delicadamente;
      • Escovar os dentes com escova macia de cabeça pequena, preservando o local da cirurgia (não escovar a região da cirurgia);
      • Não realizar bochecho nas primeiras 72 horas;
      • Higienizar o local da cirurgia delicadamente com cotonete embebido em solução à base de clorexidina a 0,12% (quando possível);
      • Tomar corretamente a medicação prescrita, seguindo corretamente o horário estipulado.

      Importante:

      • Por mais que os procedimentos são considerados “simples”, afetam uma área muito vascularizada;
      • Riscos de hemorragias não devem ser descartados;
      • O paciente necessita de cuidados e acompanhamento pós-operatório.

      Dica clínica:

      • Na maior parte dos casos, o paciente deve passar a ser acompanhado por um fonoaudiólogo;
      • O profissional avaliará a deficiência do paciente e orientará os exercícios que melhorarão sua motricidade lingual;
      • O tratamento irá auxiliar na melhora da pronúncia das palavras e da deglutição

      A frenotomia é indicada nos casos em que a liberação parcial do freio é suficiente para estabelecer estética e função, especialmente em pacientes jovens.

      Já a frenectomia é uma procedimento cirúrgico indicada quando há interferências estruturais mais complexas, que em longo prazo oferece impactos funcionais, periodontais e estéticos significativos.

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      Saiba mais sobre Cirurgia na Odontologia:

      Texto reescrito pela Dra Fernanda Skupien em março de 2026.

      Referências:

      • ANDRADE, J. J. DA S.; CABRAL, L. N.; MALASPINA, O. A. Reabilitação estética anterior pós-frenectomia: relato de caso. ARCHIVES OF HEALTH INVESTIGATION, v. 6, n. 10, 31 out. 2017.
      • GOMESª, Anny. FRENOTOMIA LINGUAL EM PACIENTE INFANTIL: RELATO DE CASO. In: GOMESª, Anny. Acadêmico do Curso de Odontologia da Faculdade Avantis. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso (Odontologia) – Universidade Tiradentes, Aracaju, 2018. Disponível em: http://openrit.grupotiradentes.com:8080/xmlui/bitstream/handle/set/3537/FRENOTOMIA%20LINGUAL%20EM%20PACIENTE%20INFANTIL%20-%20RELATO%20DE%20CASO%20%28UNIT-SE%29.pdf?sequence=1. Acesso em: 1 fev. 2022.
      • SILVA, Hewerton Luis, SILVA, Jairson José da, ALMEIDA, Luís Fernando de. Frenectomia: revisão de conceitos e técnicas cirúrgicas. SALUSVITA, Bauru, v. 37, n. 1, p. 139-150, 2018.
      • LEAL, Ricardo. Frenectomia lingual e labial em Odontopediatria. Artigo
de
Revisão
Bibliográfica
, [S. l.], p. 1-32, 1 jun. 2010. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/56674/2/tese%20de%20Ricardo%20Leal.pdf. Acesso em: 1 fev. 2022.
      • MENEZES, Flavio. Frenectomia e Frenotomia (Lingual ou Labial). Instituto Odontológico , [S. l.], p. 1-1, 7 fev. 2018. Disponível em: http://www.odontologiaprudente.com.br/frenectomia-lingual-labial-presidente-prudente.php. Acesso em: 1 fev. 2022

      Publicado por
      Dra. Maria Cecília de Azevedo

      Cirurgiã-dentista pela Universidade do Vale do Itajaí, residente no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - USP Bauru.

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