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Anestésico odontológico: como utilizar nas diferentes situações clínicas?

Lidocaína Saiba mais sobre esse anestésic

Os anestésicos locais são drogas usadas com a função de bloquear temporariamente a condução do estímulo nervoso gerando a perda da sensibilidade sem a perda de consciência.

São fármacos muito utilizados na Odontologia para induzir a anestesia em pequenas àreas da face e cavidade oral.

Mas você sabe qual anestésico odontológico utilizar nas diferentes situações clínicas?

É muito comum, por questão de hábito, que profissionais elejam um ou no máximo dois tipos de anestésicos para serem utilizados em todos os procedimentos clínicos, e em todos os seus pacientes, sejam eles, crianças, adultos ou idosos.

No entanto, muitas vezes o anestésico eleito de forma padronizada não satisfaz as necessidades clínicas e/ou não preserva o bem-estar dos pacientes.

Além disso, geralmente os profissionais têm dúvidas na hora de escolher o anestésico local na Odontologia devido aos diversos tipos existentes no mercado.

Por isso, além de uma anamnese detalhada, o dentista deve estar atento aos fatores que diminuem ou potencializam o efeito dos anestésicos locais:

  • Técnica utilizada: infiltrativa ou bloqueio regional;
  • Variação anatômica e/ou aplicação da solução anestésica na área adequada;
  • Condição tecidual: alteração de pH ou vascularização devido à inflamação e/ou infecção;
  • Resposta individual de cada paciente.

Segundo Malamed (especialista referência em relação à anestesia na Odontologia), quatro fatores devem ser considerados para o profissional escolher o anestésico, devido à variação de potencial de anestesia dos diferentes sais disponíveis no mercado :

  1. Necessidade de controle da dor depois do procedimento clínico;
  2. Possibilidade do paciente se automutilar no período pós-operatório, como por exemplo, morder a região anestesiada sem perceber;
  3. Necessidade de hemostasia;
  4. Contraindicação relativa ou absoluta `a um determinado sal anestésico.

Quais são os tipos de anestésicos disponíveis para o dentista?

Os anestésicos locais atuam bloqueando temporariamente a condução dos impulsos pelas fibras nervosas, de forma reversível e sem alteração do nível de consciência.

As soluções anestésicas agem provocando vasodilatação, e consequentemente facilitando a absorção, aumentando a toxicidade e diminuindo o tempo de duração.

Sendo assim, com o intuito de aumentar o tempo de duração, diminuir a absorção e a toxicidade sistêmica, uma substância vasoconstritora é adicionada às soluções anestésicas.

Os anestésicos locais utilizados na Odontologia, são do tipo amida.

Os sais anestésicos mais utilizados na Odontologia são:

  • Lidocaína – Concentração: 2% e 3%
  • Mepivacaína – Concentração: 2% e 3%
  • Prilocaína – Concentração: 4%
  • Articaína – Concentração: 4%
  • Bupivacaína (Neocaína) – Concentração: 0,5%

Vasoconstritores em anestésicos locais odontológicos

Os anestésicos possuem propriedades vasodilatadoras, aumentando a circulação local. Para compensar essa ação, são associados agentes vasoconstritores nos anestésicos locais odontológicos.

No Brasil, os vasoconstritores mais utilizados são:

  • Epinefrina (adrenalina);
  • Norepinefrina (noradrenalina);
  • Levonordefrina (neocoberfina);
  • Fenilefrina;
  • Felipressina.

A associação de vasoconstritores apresenta os seguintes benefícios:

  • Menor quantidade de anestésico nos procedimentos;
  • Maior duração da anestesia devido à absorção mais lenta;;
  • Hemostasia;
  • Diminuição da toxicidade sistêmica.

A fenilefrina é associada exclusivamente à lidocaína (Biocaína ou Novocol), apresentando potência menor que a adrenalina, entretanto uma maior estabilidade e um maior tempo de duração.

A felipressina (Octapressin) é sempre associada à prilocaína (tem como vantagem o fato de não induzir alterações na pressão arterial, na circulação coronária, no volume cardíaco e no pulso). Entretanto não é indicada para situações em que se precisa de hemostasia.

Tabela de anestésicos na odontologia
tabela de anestésicos odontológicos

Para a escolha adequada do anestésico e vasoconstritor, o dentista deve avaliar a complexidade do caso clínico e se o paciente tem algum comprometimento sistêmico temporário ou permanente, como por exemplo gestantes, hipertensos, cardiopatas, diabéticos, entre outras condições.

Como calcular dose máxima de anestésico na Odontologia?

Apesar dos vasoconstritores na Odontologia não produzirem efeitos farmacológicos, diante de uma injeção intravascular acidental, interferências medicamentosas ou doses elevadas, estes podem provocar efeitos prejudiciais no sistema circulatório.

Sendo assim, é importante saber calcular a dose máxima dos anestésicos locais na Odontologia, para evitar a superdosagem e seus efeitos indesejados.

Para calcular a dosagem adequada para cada paciente, o dentista deverá realizar os seguintes cálculos:

  • Quantos mg de anestésico estão presentes no tubete;
  • Calcular de acordo com o peso do paciente, a dose máxima de anestésico que o mesmo pode receber (em mg);
  • Determinar o número máximo de tubetes de acordo o peso do paciente.
quadro da calculo da  dose máxima de anestésicos na odontologia
Demonstramos na figura como fazer o cálculo de dose máxima de anestésico de forma rápida e prática.

Fatores importantes na escolha do anestésico local na Odontologia

Para a escolha da solução anestésica (sal anestésico + vasoconstritor) ideal para cada procedimento e perfil do paciente, o dentista precisa analisar os seguintes fatores:

  • Técnica anestésica:
  • Tempo de início da ação do sal anestésico;
  • Duração do procedimento;
  • Condição sistêmica do paciente e contraindicações;
  • Nível de toxicidade;
  • Necessidade de controle da dor após o procedimento clínico;
  • Dose máxima recomendada.
Itens cirúrgicos na dental speed

Uma vez que é necessário escolher o anestésico odontológico que será utilizado em determinada situação clínica, o Cirurgião-Dentista precisa considerar alguns fatores específicos relacionados ao paciente:

Fator clínico do paciente:

  • Tipo de procedimento a ser realizado;
  • Período de tempo de duração do procedimento;
  • Necessidade de hemostasia;
  • Necessidade ou não de controle da dor pós-operatória.

Fator sistêmico do paciente:

  • Pediátrico;
  • Gestantes;
  • Diabéticos;
  • Insuficiência renal;
  • Asmáticos;
  • Alterações cardiovasculares (angina, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, arritmias, etc);
  • Hipertensos;
  • Porfirias hepáticas.

Separamos esse vídeo que descreve sobre a possibilidade de proporcionar a anestesia sem dor ao seu paciente. Assista ao vídeo com a Dra. Carla Lohn.

Portando, essas condições muitas vezes exigem cautela na utilização de alguns anestésicos ou até mesmo a sua contraindicação, como pode ser observado na tabela abaixo:

Contra indicações do uso de anestésicos na odontologia
Contra indicações do uso de anestésico odontológicos

A anestesia local na Odontologia faz parte da rotina clínica no consultório. Quando é necessária aplicação do anestésico local odontológico, além da técnica adequada, é fundamental a escolha da solução anestésica ideal para o procedimento e dosagem adequada, para evitar desconforto e/ou intercorrências médicas, que infelizmente, podem levar ao óbito do paciente.

Além disso, o dentista deve ter no consultório diferentes tipos de anestésicos para atender a necessidade de cada situação clínica, como por exemplo as condições sistêmicas, alergias e/ou uso de medicamentos que podem interagir com o fármaco escolhido.

Por fim, com base nas considerações relatadas, podemos perceber que embora o ato de anestesiar seja rotineiro na Odontologia, este muitas vezes acaba sendo negligenciado. Por isso, é fundamental que o Cirurgião-Dentista sempre fique atento às particularidades e necessidades de seus pacientes.

Se você quiser saber mais sobre anestésicos na Odontologia, veja estes artigos:

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Até a próxima!

Referência: Terapêutica Medicamentosa em Odontologia – Eduardo Dias Andrade

Publicado por
Profª Dra. Natália Galvão Garcia

Cirurgiã-dentista pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG), Mestre, Doutora e Pós-Doutora pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), Professora Dra. do curso de Odontologia do Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS – MG). Atua no consultório nas áreas de Diagnóstico Oral, Cirurgia Oral Menor, Pacientes Especiais e Laserterapia. CROMG: 56425

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