A exodontia, também chamada de extração dentária, é uma técnica cirúrgica indicada para a remoção de um dente do seu alvéolo funcional.
Embora a Odontologia esteja voltada para uma filosofia mais conservadora, os índices de extrações dentárias no Brasil ainda são considerados bastante altos.
Mais do que remover um elemento dentário, é um procedimento envolve planejamento cirúrgico, respeito às estruturas anatômicas, previsibilidade de cicatrização e a reabilitação do paciente.
Pensando nisso, vamos abordar neste artigo as indicações e contraindicações da exodontia, tipos de exodontia e os instrumentais utilizados, além dos principais cuidados pós-operatórios a fim de evitar intercorrências e complicações.
Indicações e contraindicações da exodontia
Infelizmente, em muitos casos, a remoção do elemento dental é a melhor alternativa para promover a saúde bucal e/ou sistêmica.
Por isso, é fundamental o dentista avaliar a cada caso as indicações e contraindicações da extração dentária, para realizar o planejamento ideal para cada caso clínico.
Quais são as indicações da exodontia?
A exodontia é indicada quando há impossibilidade de recuperação do dente, da sua inserção na estrutura alveolar e da sua disposição funcional.
Entre as indicações da exodontia, destacam-se:
- Lesões de cárie;
- Reabsorções dentárias internas e externas;
- Fraturas coronárias e radiculares;
- Doença periodontal;
- Presença de lesões patológicas inflamatórias, císticas e/ou tumorais;
- Traumas maxilomandibulares;
- Tratamentos ortodônticos;
- Tratamento protético;
- Dentes supranumerários ou impactados;
- Adequação da cavidade bucal (ex: antes de radioterapia).
Quais são as contraindicações da exodontia?
A exodontia é contraindicada por condições orais ou sistêmicas.
Contraindicações orais da exodontia:
- Dentes ou raízes localizados em regiões acometidas por tumores malignos;
- Dentes ou raízes próximos à lesões vasculares;
- Pacientes oncológicos submetidos à radioterapia na região de cabeça e pescoço;
- Presença de processos inflamatórios ou infecções agudas como gengivites, pericoronarites e abscesso dentoalveolar.
Contraindicações sistêmicas da exodontia:
- Doenças sistêmicas não controladas, com o por exemplo diabetes, distúrbios hemorrágicos, hipertensão e doenças cardiovasculares;
- Pacientes em uso de bisfosfonatos, anticoagulantes ou antiangiogênicos requerem planejamento individualizado;
- Infecção local aguda, com necessidade de controle do foco infeccioso antes da extração dentária.
É importante lembrar que as contraindicações sistêmicas para a exodontia sob anestesia local incluem a análise das informações clínicas de saúde do paciente.
Mas, no geral, não existe uma contraindicação absoluta permanente para realização da exodontia, sendo fundamental o acompanhamento multidisciplinar do paciente (médico e dentista).
Como fazer o planejamento da exodontia?
Para segurança do paciente e sucesso do caso clínico, é fundamental o dentista realizar as seguintes etapas:
- Anamnese odontológica:
- Histórico do paciente;
- Condição de saúde bucal;
- Condição sistêmica;
- Usos continuo de medicamentos;
- Alergias.
- Avaliação pré – operatória
Avaliação clínica e avaliação radiográfica para avaliar a presença de fatores que podem dificultar o procedimento, como por exemplo:
- Posicionamento da coroa, quando presente;
- Mobilidade da raiz;
- Dilacerações radiculares;
- Anquilose;
- Lesões periapicais;
- Anomalias dentárias;
- Hipercementose;
- Taurodontismo;
- Proximidade à estruturas anatômicas importantes.
Dentes adjacentes e estruturas anatômicas vitais, como o seio maxilar e o nervo alveolar inferior, também devem ser avaliadas para que sejam adequadamente preservadas.
- Controle da ansiedade e da dor durante a exodontia
- O tratamento odontológico em geral é considerado ansiogênico, visto que os procedimentos cirúrgicos provocam ansiedade e emergências médicas;
- É importante verificar o grau de ansiedade de cada paciente e utilizar métodos de controle, sejam esses medicamentosos ou não;
- Escolha adequada do anestésico odontológico e técnica anestésica para sucesso da anestesia local e controle da dor.
- Biossegurança odontológica EPIs (máscara, gorro, óculos de proteção etc.), luvas e avental estéreis;
Para preparação do paciente, recomenda-se campo estéril, óculos de proteção e bochecho antisséptico, seguido de assepsia da face.
- Ergonomia Odontológica
- A posição adequada do Cirurgião-Dentista facilita a realização do procedimento;
- A exodontia pode ser realizada com o operador sentado ou em pé;
- Uma posição ergonômica permite melhor visualização do campo de trabalho, além de estabilidade e apoio ao manejar o fórceps de extração e demais instrumentais;
- Sugere-se que para extração de dentes superiores o cirurgião permaneça em frente ou ao lado do paciente;
- Já em caso de exodontia de dentes inferiores, o cirurgião deve posicionar-se atrás da cadeira odontológica durante a extração de dentes anteriores e posteriores direitos.
Quais os tipos de exodontia?
A exodontia pode ser classificada de acordo com o grau de complexidade do procedimento e a necessidade de intervenções cirúrgicas adicionais.
Saiba mais sobre os tipos de exodontia:
- Exodontia simples:
- Indicada para dentes erupcionados e com cora preservada;
- Sem necessidade de retalho e osteotomia;
- Dentes decíduos;
- Extração dentária para tratamento ortodôntico;
- Mobilidade por doença periodontal.
- Exodontia de média complexidade:
- Exodontia em múltiplos quadrantes;
- Dentes semi-erupcionados;
- Dentes com raízes complexas;
- Pode ocorrer necessidade de retalho e pequena osteotomia.
- Exodontia de alta complexidade:
- Também chamada de exodontia complexa ou exodontia cirúrgica;
- Necessidade de retalho e/ou osteotomia e odontossecção;;
- Proximidade de estruturas anatômicas importantes;
- Coroa com sinais de atrição, o que pode reduzir muito seu comprimento;
- Hipercementose, pois, o excesso de cemento forma uma grande raiz, difícil de ser removida por meio da abertura do alvéolo;
- Dilaceração radicular;
- Dentes anquilosados, pois, a perda do ligamento periodontal dificulta o deslocamento do dente do alvéolo;
- Terceiros molares erupcionados pois, na maioria das vezes, o acesso a eles é limitado;
- Dentes tratados endodonticamente, especialmente quando presentes núcleos intrarradiculares, pois, são mais propensos a fraturas durante as extrações.
- Exodontia de raiz residual:
- Dente com cora totalmente destruída, mas raiz íntegra;
- Raiz residual devido à doença cárie.
Entender essas diferenças auxilia no planejamento, na escolha dos instrumentais e na comunicação clara com o paciente.
Instrumentais para exodontia
Os princípios da exodontia são baseados em conceitos mecânicos, utilizando dispositivos que promovem força em intensidade e direção diferentes.
- Cunha – sua função é gerar grandes forças no sentido e na direção do movimento;
- Alavanca – sua função é transmitir uma força que provoque um deslocamento;
- Roda – se caracteriza por movimentos circulares e está associada a um eixo;
- Polia – usada para transferir força e movimento a partir de um dispositivo fixo, criando um movimento de avulsão unitária absolutamente vertical.
Para realização desses princípios são necessários instrumentais básicos de diérese, exérese, hemostasia e síntese.
Além disso, é preciso lançar mão de instrumentais mais especializados como os fórceps e as alavancas para a realização do procedimento.
Quais são os instrumentais para exodontia?
O domínio do procedimento está diretamente ligado ao conhecimento técnico e ao uso correto dos instrumentais para extração dentária.
Cada instrumento tem uma função específica e contribui para a eficiência e segurança da exodontia.
Conheça os principais instrumentais para extração dentária:
- Seringa carpule: para anestesia local;
- Afastador de Minnesota: proteger e afastar tecidos moles;
- Descolador tipo MOLT: para descolamento do retalho;
- Pinças diversas (dente de rato, Sombral, Etriche): manipulação de tecidos;
- Lima para osso: para regularizar as bordas ósseas;
- Pinça hemostática curva: usada para controle de sangramento;
- Cureta de Lucas: para curetagem do alvéolo;
- Porta-agulha e tesoura de Íris: realização de sutura;
- Brocas para osteotomia e odontossecção: esférica nº 6, Zecria, 702, 703.
Além desses, o fórceps odontológico e as alavancas odontológicas são fundamentais para luxação e remoção do elemento dental, como veremos a seguir, detalhando os modelos e indicações.
Saiba mais sobre o uso de fórceps e alavancas para exodontia:
Fórceps para exodontia
O fórceps odontológico é um instrumental exclusivo da exodontia, sendo composto por dois cabos que, ao se articularem, promovem a ação da ponta ativa.
Como utilizar o fórceps para exodontia?
- Posicionar o instrumental verticalmente, paralelo ao longo eixo do dente;
- Adaptar o fórceps à anatomia coronorradicular sem lesar o tecido gengival;
- Primeiro, adapta-se a parte ativa lingual, seguida pela parte ativa vestibular.
Quanto mais apical for introduzida a ponta ativa, maior o efeito de cunha e maior a potência do movimento de alavanca.
Saiba mais sobre a indicação clínica:
| FÓRCEPS | INDICAÇÃO |
| 1 | Incisivos e caninos |
| 16 | Chifre de touro, molares direito e esquerdo |
| 17 | Molares inferiores |
| 18R | Molares direitos |
| 18L | Molares esquerdos |
| 53R | Molares direitos |
| 53L | Molares esquerdos |
| 65 | Raízes fraturadas, incisivos inferiores e pré-molares estreitos |
| 68 | Raízes residuais ou seccionadas cirurgicamente |
| 69 | Raízes inferiores e superiores |
| 87 | Chifre de boi, molares |
| 88 | Molares com coroas destruídas |
| 150 | Incisivos, caninos e pré-molares |
| 151 | Incisivos, caninos e pré-molares inferiores |
Alavancas para exodontia
As alavancas odontológicas, também conhecidas como elevadores para exodontia, podem ser retas ou anguladas, com diferentes tipos de lâmina ativa.
São indicadas para luxar e remover dentes e raízes não compatíveis à adaptação dos fórceps.
Como utilizar as alavancas para exodontia?
- São introduzidas em posição perpendicular, entre o dente ou a raiz a serem extraídos, e os septos ósseos interdentais ou interradiculares;
- A alavanca permite aplicar os princípios de alavancas de primeira (interfixa) e segunda (inter-resistente) classes, além do conceito da cunha e da roda;
- Empunhar no sentido digito palmar e, para evitar seu deslizamento, o dedo indicador do cirurgião deverá repousar sobre a haste;
- A parte ativa da alavanca deve ser apoiada entre o tecido ósseo do alvéolo e o dente a ser extraído;
- Posicioná-la na crista óssea do espaço interdental ou no espaço interradicular;
- Tomar cuidado para não utilizar o dente vizinho como apoio da alavanca;
- Produzir uma força progressiva e controlada na região mesial ou distal da raiz a ser extraída;
- Não usar como ponto de apoio as corticais palatinas ou linguais.
Saiba mais sobre a indicação clínica:
| ALAVANCA | INDICAÇÃO |
| Apical reta 301 | Tipo de alavanca utilizada para iniciar a luxação e para remover raízes dentárias após a extração. |
| Apical reta 304 | |
| Apical reta 305 | |
| Apical angulada 302 | Usadas para auxiliar a remoção de pontas de raízes e espículas ósseas. |
| Apical angulada 303 | |
| Seldin reta 1 | Utilizadas para auxiliar em cirurgias, extrações, remoção de pontas de raízes e espículas ósseas em áreas de difícil acesso. |
| Seldin angulada direita 1R | |
| Seldin angulada esquerda 1L | |
| Apexo 301 | Possui a mesma função que a alavanca Heidbrink, mas a diferença fica em seu formato, que é mais achatado e sem curvas. |
| Apexo 302 | |
| Apexo 303 | |
| Heidbrink 1 | Usada para auxiliar o deslocamento dos ossos durante cirurgias. |
Como utilizar os instrumentais para exodontia?
- O manuseio adequado do fórceps envolve o seu encaixe na região apical, sem lesar estruturas adjacentes, para minimizar o risco de fraturas das coroas ou raízes;
- Há quem prefira descolar o tecido gengival ao redor do colo do dente com intuito de preparar espaço para as extremidades do fórceps;
- Para promover a expansão do osso alveolar, sugere-se a introdução de um elevador apical, fazendo movimentos como uma cunha posicionada o mais próximo possível da região apical no alvéolo, no colo do dente a ser extraído;
- Aos expandir o alvéolo dental, os ligamentos periodontais afrouxem e o dente seja forçado em direção coronal;
- Para manter a atuação de uma força suave para expandir o alvéolo, a pressão de luxação pode ser aplicada utilizando o fórceps correto e bem-posicionado para agir como cunha no alvéolo;
- É importante que o centro de rotação seja mantido o mais próximo possível da região apical e que as luxações sejam lentas;
- Não se deve aplicar uma força intensa com o elevador, pois, pode resultar em fratura;
- À medida que o dente vai se soltando, o fórceps deve ser reposicionado cada vez mais próximo da região apical com intuito de aumentar a eficiência do instrumento e reduzir o risco de fratura.
Dicas clínicas:
- Para realizar a exodontia é necessário a expansão do osso alveolar e a separação da inserção dos tecidos periodontais e tecidos moles;
- Os elevadores e fórceps são utilizados para promover uma força controlada que consiga expandir sem fraturar o processo alveolar, as raízes ou a coroa do dente;
- Após remover o dente, é importante realizar uma curetagem do alvéolo;
- Se necessário, remover bordas ósseas pontiagudas;
- Esses procedimentos devem ser seguidos por irrigação e compressão do alvéolo para realização da sutura.
Exodontia e cuidados pós-operatórios
O sucesso da exodontia não termina com a remoção do elemento dental.
As orientações pós-operatórias são fundamentais para a prevenção de complicações, além de promover a reparação tecidual adequada.
Complicações pós-operatórias após exodontia
Procedimentos cirúrgicos em geral, podem envolver complicações pós-operatórias.
Sendo assim, mesmo diante de uma exodontia simples, devem ser consideradas complicações como:
- Hemorragias;
- Hematomas;
- Equimoses;
- Parestesias;
- Edema;
- Trismo;
- Infecções.
Ao mesmo tempo, há um alto risco de desenvolvimento de alveolite, a qual pode estar relacionada a falhas no processo de cicatrização, trauma operatórios, condições sistêmicas, entre outros.
Clinicamente observa-se uma ferida óssea alveolar exposta com odor fétido, desprotegida pela desintegração do coágulo, provocando dor localizada que se potencializa e pode irradiar.
Cuidados pós-operatórios da exodontia
- Repouso, evitar esforço físico e exposição ao calor são importantes na prevenção de hemorragias;
- Alimentação deve ser fria, líquida e/ou pastosa;
- Além disso, o gelo, logo após a realização do procedimento, auxilia reduzindo o edema, a dor e o sangramento;
- A higienização oral adequada é de suma importância;
- O paciente deve higienizar a cavidade bucal normalmente, utilizando escova de dente, creme dental e antisséptico para bochecho, tomando cuidado com a área da ferida cirúrgica;
- Nas primeiras horas após a realização da cirurgia, o paciente deve ser orientado a realizar um bochecho leve, evitando o deslocamento do coágulo e/ou da sutura.
Dica clínica
- O paciente deve ser orientado a procurar atendimento imediatamente em caso de dor intensa, sangramento abundante, mal-estar, febre etc;
- É fundamental monitorar o paciente durante o pós-operatório;
- O ideal é que todas essas orientações supracitadas sejam descritas e fornecidas para o paciente levar para casa.
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Apesar da extração dentária ainda ser amplamente realizada, em muitos casos esse procedimento poderia ser evitado, se houvesse maior incentivo em relação à prevenção.
Sendo assim, uma higienização bucal adequada associada a consultas odontológicas periódicas são essenciais na prevenção de uma série de problemas odontológicos que podem se agravar ao longo do tempo e provocar a perda dentária.
Quando necessária, é de extrema importância o dentista conhecer as indicações e contraindicações, para realizar o planejamento cirúrgico e reabilitador necessário para promover o sucesso do caso clínico.
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- Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC) em Endodontia: Precisão e benefícios
- Terapêutica Medicamentosa na Endodontia
Referências Bibliográficas:
- Puricelli E. Técnica anestésica, exodontia e cirurgia dentoalveolar. (Abeno). Grupo A; 2013.
- Prado R. Cirurgia Bucomaxilofacial: Diagnóstico e Tratamento. (2nd edição). Grupo GEN; 2018.



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