Mini-Implantes no palato. O que você precisa saber?

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A ancoragem esquelética propicia e otimiza nossos tratamentos ortodônticos. O ortodontista que ainda não a pratica, precisa fazê-lo.  A região do palato é um dos locais mais favoráveis para a instalação de mini-implantes. Fatores como fácil acessibilidade, cobertura total de gengiva queratinizada e boa qualidade óssea em sítios específicos contribuem para a redução do risco de inflamação e aumento da estabilidade primária. No entanto, a presença de vasos, nervos e forames demanda grande atenção no momento da instalação desses dispositivos. Lesões nestas estruturas podem levar ao comprometimento da técnica e do tratamento.

Por este motivo, vamos, neste artigo, explanar sobre a anatomia do palato e regiões favoráveis ou não indicadas para sua instalação, Boa leitura!

A região palatina da maxila é formada pelo palato duro e pelo palato mole. O palato duro é formado pelos processos palatinos direito e esquerdo da maxila, unidos por meio da sutura palatina mediana, e pela lâmina horizontal do osso palatino de cada lado, unido pela sutura palatina transversa. Na região anterior da sutura palatina mediana, encontra-se o forame incisivo, pelo qual emergem o nervo nasopalatino e a artéria palatina maior. Entre os segundos e terceiros molares, encontra-se o forame palatino maior, por onde emergem vasos e nervos palatinos maiores. Posteriormente aos forames palatinos maiores, encontram-se os forames palatinos menores, por onde emergem os vasos e nervos palatinos menores.

Visando evitar o contato com o canal incisivo, nervo nasopalatino e artéria palatina maior, é recomendável evitar a instalação de mini-implantes na área do forame incisivo e até 3mm posterior a esse.

No sentido vertical, de 2 a 8mm acima das cristas marginais, a maior quantidade de tecido ósseo se encontra entre o segundo pré-molar e o primeiro molar.

Não se recomenda a instalação de mini-implantes a partir de 8mm distante da crista marginal, devido à presença dos seios maxilares

Na sutura palatina mediana e áreas paramedianas, à cerca de 6 mm posterior ao forame incisivo, a altura óssea média é superior a 6mm, tanto para homens quanto para mulheres, sendo uma área favorável para a colocação de mini-implantes.

Contudo, em crianças e adolescentes, a instalação de mini-implantes na sutura deve ser evitada, em razão dessa não estar completamente ossificada. Em tais casos, deve-se dar preferência pela instalação do mini-implante nas áreas paramedianas, atentando para a diminuição da espessura óssea total nessa região à medida que se caminha lateralmente.

Para evitar grandes momentos de força, as regiões de mucosa espessa, como as localizadas a 6mm lateralmente à sutura, devem ser evitadas. Regiões de espessura de gengiva inserida adequada estão localizadas na sutura, até 3mm lateralmente a essa e próximas à crista marginal

O procedimento de instalação do mini-implante deve ser realizado apenas sob anestesia mucoperióstea, sendo que, em caso de contato com o periodonto, a sensibilidade será relatada pelo paciente e, dessa forma, evitará que perfurações severas ocorram. Por palatino, a região próxima às raízes dos dentes com maior disponibilidade óssea é entre o segundo pré-molar e o primeiro molar, entre 2 e 8mm acima da crista marginal O palato mole é composto de tecido fibroso e formado pelos músculos tensor do véu palatino, levantador do véu palatino, palatoglosso, palatofaríngeo e músculo da úvula. Nessa região não se recomenda a instalação de mini-implantes, devido à indisponibilidade óssea.

Até a próxima matéria!

Bibliografia Recomendada:

Chang; Tseng .Miniscrew implant applications in contemporary orthodontics.Kaohsiung Journal of Medical Sciences (2014) 30, 111e115
Savoi; Xu; Tsol; Paganelli; Matinlinna. Anatomical and mechanical properties of swine midpalatal suture in the premaxillary and palatine region. Scientific Reports (2018)8:7073

 

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