Dentro da odontologia atual uma das dúvidas mais frequentes do clínico geral está relacionada as vantagens e desvantagens da resina composta quando comparada ao amálgama. 

Amálgama: prós e contras.

Sabe-se que por muitos anos o amálgama foi o material de escolha mais utilizado no mundo apresentando vantagens como: custo relativamente baixo, alta resistência mastigatória e resistência ao desgaste, grande durabilidade, facilidade de execução da técnica restauradora, pequena infiltração marginal (corrosão marginal proporciona um melhor vedamento da cavidade no que se refere ao selamento da interface/dente da restauração), além de menor reincidência de cárie  (condicionada à adaptação marginal). Porém, assim como todos os outros materiais, requer conhecimento e manuseio correto. 

Embora o amálgama tenha ótimos pontos, hoje não se cogita sua utilização como primeira escolha exceto em populações em risco de exclusão ou países com recursos extremamente limitados. Ademais, é válido ressaltar a também existência de suas desvantagens:

  • Falta de estética, devido à sua cor prateada, o torna pouco atraente nas restaurações principalmente com acesso visível direto. 
  • Incapacidade adesiva: por isso é necessário fazer uma cavidade retentiva, tornando-a uma técnica menos conservadora. 
  • Desenho cavitário óptimo: é de extrema importância não deixar escassas esperas ou zonas de acumulação de tensões, pelo que é necessário efetuar um desenho específico das paredes que irão alojar a restauração. Além de prestar atenção especial para não deixar o esmalte sem suporte de dentina que pode levar à fratura da restauração. 
  • Possibilidade de manchar tecidos próximos, como paredes de dentes saudáveis, mucosa jugal próxima, etc. 
  • Composição feita por ligas metálicas nas quais inclui-se mercúrio, prata e estanho; podendo ser absorvidas de forma tóxica por nosso organismo. 

Assim, o amálgama trata-se de um material com vertentes que se estendem desde fatores estéticos até casos em que sua grande extensão promova risco de fratura do dente em virtude de sua expansão tardia, uma vez que o metal sofre muitas alterações em meio úmido. Dessa forma, a redução do uso do amálgama tem sido gerada essencialmente pelos benefícios e aperfeiçoamentos de novos materiais restauradores adesivos, técnicas restauradoras menos invasivas e da grande exigência estética dentro da odontologia. 

Resina composta: prós e contras

Por sua vez, a resina composta é material que tem ampla indicação. É um dos mais utilizados e possui muitos pontos a serem enfatizados também.  Podemos iniciar por sua adesão química, na qual não é preciso grandes preparos, tornando-se um procedimento mais conservador. Há também uma diversidade de cores possibilitando mimetizar a cor do dente natural, proporcionando estética inquestionável. Em casos de reparo é corrigida de forma rápida e em sessão única por ser versátil. Ademais, os estudos comprovam constantemente que se trata de um material muito seguro e resistente, uma vez que, possui introdução de cerâmica em sua composição. 

Pesquisas recentes também corroboram as vantagens da resina: “Restaurações diretas em resina composta mostraram desempenho clínico satisfatório e longevidade clínica em avaliação clínica de 17 anos”;  

“Em dentes restaurados com resinas compostas, o índice de fraturas longitudinais é de 4,7%, em amálgama 18,7% 

“O índice de sobrevivência para restaurações em resina é de 91,7% em 5 anos e de 82,2% em 10 anos, sendo a experiência do operador e a correta observância das técnicas adesivas e restauradoras, fatores primordiais para este desempenho”.  

Entretanto, a resina composta também apresenta suas limitações. Existe o fator de contração de polimerização, necessitando que a resina seja inserida em pequenos incrementos, exceto quando usam-se as resinas denominadas “bulk fill”, que permitem incrementos únicos de até 4mm de espessura. Há também uma maior facilidade de comprometimento das margens da restauração por micro infiltrações entre a resina e o dente e subsequentes cáries secundárias. Ademais, como em qualquer outra técnica o domínio do profissional em realizar o procedimento corretamente é ponto notório no sucesso e longevidade

Portanto, a dúvida existe e ecoa diante tantos prós e contras: trocar o amálgama por resina? Sim ou não?  

No entanto, tenho a visão que não se pode dizer qual é o melhor material restaurador, já que cada caso exige uma avaliação do profissional e uma técnica mais apropriada para a situação clínica e para o paciente. 

Acredito que a princípio é preciso analisar pontos importantes tais como:

  • A condição da integridade marginal;
  • Boa adaptação da resina;
  • Sonda periodontal sem interferência na superfície que abrange restauração/dente;
  • Ausência de fratura;
  • Inexistência de falha entre restauração/dente;
  • Análise para verificar extensão radiográfica;
  • Avaliação sobre possíveis cáries por infiltração;
  • Possuir anatomia correta para executar melhor função.  

Assim, posteriormente caberá a transparência do profissional para com o paciente e bom senso sobre a melhor conduta a ser realizada. 

E você, leitor, qual sua opção de escolha para materiais na restauração?