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Toxina Botulínica: você sabe realmente o que é mito e o que é realidade?

A evolução da ciência e os estudos científicos têm nos permitido um conhecimento cada vez mais profundo a respeito da toxina botulínica, seu mecanismo de ação, efeitos e particularidades.

Contudo, ainda existem muitos mitos e informações equivocadas a respeito da substância, que infelizmente vem sendo repassados até hoje. 

Quer conferir quais são eles? Neste texto vamos relembrar fatos importantes sobre a toxina botulínica e os principais mitos e verdades.

Vale salientar que toda informação contida nesse post é baseada em literatura cientifica atual. Confira, a seguir!

Sobre Toxina Botulínica

De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), a aplicação de toxina botulínica é o procedimento estético minimamente invasivo mais realizado no mundo.

No Brasil, é o procedimento mais abordado nos cursos de Harmonização Orofacial, sendo considerado um tratamento de entrada na harmonização.

Em relação à substância toxina botulínica, podemos defini-la como um fármaco neuromodulador que bloqueia temporariamente os músculos faciais.

Na prática, isso significa que a toxina age na interação neurônio e célula.

Atua modulando essa comunicação entre o neurônio e a célula muscular, inibindo a liberação de neurotransmissores responsáveis pela contração muscular. Ela é uma neurotoxina que possui alta potência, o que faz com que precise de pouca quantidade para ser efetiva.

Dosagem e aplicação de toxina botulínica

A toxina botulínica, assim como os demais fármacos, possui uma dose ideal — a menor dose possível para que se consiga os efeitos esperados.

Em subdoses, ela não atinge o resultado desejado, já em dose excessiva provoca efeitos adversos ao paciente.

Visto que, muitas vezes, a diferença entre um medicamento e um veneno está só na dosagem, é muito importante conhecer a fundo esse fármaco.

Sempre buscando encontrar a menor dose efetiva para o nosso paciente, que não lhe cause efeitos adversos nem resultados aquém do esperado.

A toxina botulínica também conta com mecanismos de ação altamente específicos, o que é importante para que ela tenha uma ação local, em determinada região no organismo, e não uma ação sistêmica.

Isso faz dela uma substância com alto grau de segurança e previsibilidade no tratamento.

Em casos de falha no tratamento, é comum que o profissional responsabilize a marca fabricante da toxina em um primeiro momento.

Contudo, sabemos que a maioria dos erros relacionados à toxina não tem relação direta com a marca comercial e sim com a técnica, armazenamento e conhecimento do injetor ao manipular esse fármaco.

É um consenso mundial atualmente, baseando-se em estudos científicos de relevância, que devemos aplicar doses menores de toxina em nossos pacientes, principalmente na primeira aplicação.

Essa prática reduz a probabilidade de o sistema imune do paciente reagir de forma exacerbada.

Não podemos esquecer que o próprio nome, toxina, já nos indica que estamos injetando um antígeno. E todo antígeno que entra no sistema imune do nosso paciente vai gerar anticorpos.

Nos tratamentos com toxina botulínica, esses anticorpos podem estar relacionados diretamente com a quantidade de toxina injetada.

O efeito dessa formação de anticorpos leva a uma diminuição da durabilidade dos efeitos dessa toxina a nível de paralisação muscular.

Toxina Botulínica: Mitos x Realidade

Agora que já conhecemos fatos estabelecidos sobre a toxina botulínica, é hora de abordar os principais mitos para que você, profissional, esclareça vários pontos que ainda hoje causam confusão.

Vamos lá?

Mito #1: O paciente não deve abaixar a cabeça e nem mexer no rosto por 4 horas após a aplicação.

Mito!Muitos profissionais ainda fazem essa recomendação, simplesmente porque aprenderam assim, mas essa é uma informação que não possui respaldo científico.

A toxina botulínica ingressa no neurônio motor entre 5 e 10 minutos após ser injetada, e forma uma ligação química que não pode ser desfeita.

Por segurança, basta que o profissional oriente o paciente a não mexer na região da aplicação por 30 minutos.

Mito #2: Não fazer atividade físicas no dia da aplicação, pois a toxina pode migrar.

Essa recomendação também não possui fundamento científico algum, pelo mesmo motivo da explicação anterior.

Mito #3 Mito: A toxina botulínica é uma molécula extremamente frágil. Não devemos movimentar frasco e seringa depois que a toxina foi reconstituída.

Estudos submeteram a toxina reconstituída a estresse mecânico de agitação e os resultados mostraram que não houve alteração na eficácia e duração dos efeitos esperados.

A toxina possui certa fragilidade, por isso, devemos ter cuidado na hora de constituí-la, injetando o soro lentamente dentro do frasco.

Não é necessário promover uma movimentação vigorosa, mas podemos movimentar o frasco para que todo o líquido entre em contato com as paredes do recipiente.

Mito #4: A suplementação com zinco, aumenta a durabilidade da toxina.

A toxina precisa de zinco no seu mecanismo de ação, mas não foi determinada a associação a todas as etapas.

A quantidade de zinco nesse processo é mínima, mesmo em uma deficiência, a toxina recupera o zinco dos tecidos e continua o processo de bloqueio da liberação de acetilcolina.

A suplementação equivocada de zinco pode causar vários efeitos adversos, como cefaleias, aumento da probabilidade de zumbidos, alterações no olfato e paladar e interações medicamentosas.

Uma suplementação poderia melhorar a duração da toxina apenas em casos de indivíduos com déficit de zinco intra-neural.

Em indivíduos com níveis normais, a suplementação não aumentaria a duração dos efeitos de paralisação muscular.

Mito #5: A toxina botulínica migra.

É comum ouvirmos essa frase como justificativa quando a toxina atinge outro musculo indesejado próximo ao musculo alvo, como em caso de ptose de pálpebra, por exemplo.

No entanto, a toxina não migra para outro musculo quando é injetada corretamente nas aplicações estéticas (com indicação neuromuscular).

Sendo assim é importante diferenciarmos corretamente o comportamento da toxina nos tecidos em relação ao espalhamento, difusão e transporte.

Confira:

  • Espalhamento:

Espalhamento é o movimento físico-mecânico da toxina botulínica causado pela injeção do produto nos tecidos.

Por ser uma substância líquida, a toxina possui um halo de espalhamento.

Dependendo do volume de soro usado na reconstituição e da velocidade que o profissional injeta, ela pode se espalhar além do local pretendido.  

Velocidade de injeção e volume maior = maior halo de espalhamento.

Desse modo, a recomendação em consenso é de sempre fazer a reconstituição seca, 1:1 (1ml de soro para 100ui de toxina).

  • Difusão:

A toxina se difunde nos tecidos e se liga aos receptores. É expressada no halo de ação e depende da dose de toxina injetada.

Ao injetar uma dose muito maior do que a necessária para o músculo alvo, o halo de ação pode ficar maior naquela região e não se limitar à região pretendida, atingindo outros músculos próximos.

  • Transporte:

É conhecido como transporte axonal retrogrado da toxina botulínica.

Uma parte da toxina injetada perifericamente consegue entrar pelos neurônios e ser transportada até chegar ao sistema nervoso central.

Esse movimento está relacionado ao efeito analgésico central da toxina.

Mito #6: Existem alguns tipos de toxinas que não produzem efeito vacina (anticorpos).

A toxina é um antígeno, sendo assim, apesar de incomum, pode causar imunização.

Infelizmente, não é possível saber qual dosagem irá provocar uma imunização, pois é algo que depende do injetor e do próprio organismo do paciente.

Neste caso, para evitar essa situação, deve-se utilizar a menor dose possível para obter os efeitos estéticos desejados e não reaplicar o produto antes de 3 meses.

Mito #7: Existem aparelhos de radiofrequência que podem reverter a ação da toxina botulínica.

Atualmente, não existe nada documentado em literatura cientifica que comprove a reversibilidade dos efeitos da toxina, nem medicamentos, nem aparelhos.

Mito #8: A toxina botulínica trata o bruxismo.

A toxina não controla a etiologia dos eventos do bruxismo do sono.

Na verdade, ela reduz a força muscular e a dor, mas os eventos do bruxismo continuam e podem provocar desgaste.

Para proteger os dentes de bruxismo e controlar a dor, o tratamento de primeira escolha continua sendo a placa oclusal.

O uso do material melhora a sintomatologia dolorosa sem apresentar os efeitos colaterais das aplicações de altas doses de toxina nos músculos masseter e temporal.

Em casos de pacientes refratários, em que outras terapias conservadoras não funcionaram, podemos aplicar a toxina botulínica para efeito analgésico.

A aplicação deve ser feita em doses baixas – 30ui no masseter e 10ui no temporal. Essa é a dosagem com menos efeitos adversos, se comparada a doses medias e altas.

Estudos atuais relatam que nessa dosagem a toxina promove redução de dor, e quando ocorrem efeitos adversos, o organismo se recupera do terceiro ao sexto mês. 

Entre os efeitos adversos das altas e médias doses estão a diminuição da espessura muscular e reabsorção óssea na cabeça da mandíbula e no processo coronóide.

Tais efeitos não foram totalmente revertidos até o sexto mês.

Mito #9 Colocar mais soro no frasco, enfraquece a toxina.

Colocar mais soro não muda a potência da toxina, pois a ação da toxina depende da dose e não do soro.

Acontece que, ao colocarmos mais soro, teremos uma dose menor de toxina em um mesmo volume.

Injetando uma dose menor, consequentemente, haverá uma durabilidade menor dos efeitos de paralisação muscular.

#VERDADE! Os efeitos da toxina, duram menos em pacientes que praticam atividade física intensa.

Sim! Estudos recentes mostram que isso acontece.

Contudo, os mecanismos e motivos pelos quais isso ocorre e ainda não foram elucidados.

Papelaria personalidade de harmonização orofacial

Para conduzirmos um tratamento com toxina botulínica de forma segura, eficaz e versátil, é essencial que tenhamos um conhecimento profundo sobre essa substância, seus efeitos, indicações e contraindicações.

Assim, poderemos transmitir aos nossos pacientes informações corretas, relevantes e confiáveis, que esclareçam suas dúvidas e expectativas sobre o tratamento com esse fármaco fascinante.

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Referências bibliográficas:

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Publicado por
Dra. Lorena Toledo

Cirurgiã dentista pela Universidade Federal de Alfenas/MG - UNIFAL, Especialista em Harmonização Orofacial, Especialista em Ortodontia. Professora de pós graduação em Hof no Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS-MG).  Pós graduação em Harmonização Orofacial avançada e cirúrgica no MARC Institute Miami - USA. Atua clinicamente em São Paulo-SP nas áreas de harmonização orofacial, ortodontia e estética dental. Acredita em uma odontologia de excelência baseada em evidências científicas. CROSP 93.081

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