Em uma realidade de “se doer arranca” ter à disposição da população um tratamento comprovadamente eficaz é muito importante para a saúde pública. Em um país como o nosso, onde a Odontologia é benefício de poucos e onde a extensão territorial dificulta o acesso aos consultórios dentários, à extração dos dentes ainda é opção de tratamento.

Para diminuir a perda, muitas vezes precoce, dos dentes, surgiu o ART ou TRA – Técnica Restauradora Atraumática. A técnica é um procedimento clínico, de campo muito utilizada em Odontopediatria, Odontogeriatria e acompanhamento de casos de pacientes especiais, no caso de visitas domiciliares realizadas por profissionais no Programa Estratégia de Saúde da Família, permitindo que o dentista atue em saúde mesmo que em condições adversas.

O ART surgiu em meados da década de 80 na África como uma alternativa para as numerosas populações que não tinham a possibilidade de tratamento restaurador convencional, por conta da falta de energia elétrica e equipamentos odontológicos, como crianças em países subdesenvolvidos e grupos de refugiados.

A técnica é simples: utilizam-se instrumentos manuais para a remoção de tecido cariado e restauração da cavidade com cimento de ionômero de vidro. A técnica é pouco invasiva, onde a remoção mecânica feita com cureta retira a dentina infectada por microorganismos cariogênicos e preserva a dentina afetada, que é passível de remineralização.

A vantagem do TRA é que não há necessidade do uso de equipamentos odontológicos: cadeira, instrumentos de alta rotação, isolamento absoluto, dentre outros. Fora que os materiais utilizados são de fácil transporte e armazenamento, possibilitando amplo alcance da técnica em diversas populações. Apesar de ser um tratamento restaurador muitas vezes definitivo, não dispensa a associação com programas de educação em saúde.

Estudos demonstram que a taxa de sucesso do ART em dentição permanente é de 93% para restaurações classe I e 67% em classe II. Para dentição decídua, 79% para classe I e 59% para demais faces.

A escolha do material restaurador – Cimento de Ionômero de Vidro – se faz por suas vantagens:

  • Liberação de fluoretos
  • Biocompatibilidade pulpar
  • Adesão química ao tecido dentinário

Como é feito?

  • Prepara o local para que o paciente deite no colo do operador – podem ser dois mesas ou dois cadeiras escolares
  • Orientação de higiene oral
  • Remoção de tecido cariado com cureta de dentina
  • Condicionamento da superfície com ácido poliacrílico por um período de 15 segundos
  • Lavagem com bolinha de algodão embebida em água
  • Secagem com bolinha de algodão
  • Manipulação do Ionômero
  • Inserção na cavidade com espátula
  • Aguardar tempo de presa (endurecimento, perda de brilho do material)
  • Selar com esmalte incolor para as unhas

Ser Dentista é isso! Preservar o sorriso mesmo longe da tecnologia dos consultórios convencionais. É ter a certeza de que o dom dado por Deus atinge a população com o mínimo de recurso possível. É fazer sorrir muito com pouco! É amar Odonto!

*Juliana Lemes é graduada pela UNESP-SJC, atua em clínica geral e estética dental. Dentista 10h por dia, “escritora” nas horas vagas e “maquiadora” de vez em quando – das resinas, dos clareamentos, dos sorrisos e dos pincéis!

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