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Como planejar sua sala de esterilização na odontologia?

A rotina do consultório odontológico exige cuidados e manter a sala de atendimento apta para receber os pacientes reque uma atenção especial. Por isso, a biossegurança é fundamental para prevenir e evitar infecções e contaminações cruzadas.

Basicamente, contaminação cruzada é a transmissão de microrganismos de pessoa para pessoa através de uma superfície contaminada ou de instrumentos. Seja pelo contato com sangue, saliva, objeto clínico contaminado, inalação ou inoculação por itens perfurantes ou cortantes.

Vale lembrar que a contaminação pode ocorrer não só com pacientes, mas também com dentistas. Por isso, a esterilização dos materiais odontológicos é de extrema importância e exige qualidade. Para manter sua a biossegurança em dia, é importante pensar em uma sala específica para esterilização de materiais odontológicos.

Mas antes, vamos entender como evitar a contaminação cruzada:

  • Utilize os EPIs adequados como luvas, máscaras, aventais e protetores faciais;
  • Limpeza e desinfecção do consultório;
  • Descarte correto de materiais;
  • Garanta que a equipe odontológico esteja com as vacinas atualizadas e boas condições de saúde;
  • Realize treinamentos regulares de biossegurança;
  • Proteja filmes e recipientes;
  • Troque as barreiras impermeáveis;
  • Utilize corretamente jalecos e aventais;
  • Armazene corretamente os materiais esterilizados;
  • Destine uma sala para esterilização.

Sala de esterilização odontológica regulamentada pela ANVISA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), regulamenta a legislação sobre esterilização na Odontologia, incluindo o planejamento da sala, fluxo e controle de esterilização, além claro, das diretrizes do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e Conselho Regional de Odontologia (CRO).

Normas de esterilização na Odontologia: conheça as principais

A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) é uma norma regulamentar criada pela diretoria da ANVISA para estabelecer regras, diretrizes e procedimentos obrigatórios sobre produtos, serviços e ambientes sujeitos à vigilância sanitária.

Principais RDCs para esterilização na odontologia

Sobre as normas de esterilização na Odontologia, é fundamental que o dentista conheça as principais RDCs aplicáveis:

  • RDC nº 50/2002: requisitos físicos e estruturais de ambientes de saúde, descrevendo também sobre clínicas e consultórios odontológicos;
  • RDC nº 15/2012: boas práticas para o processamento de produtos para saúde, incluindo a esterilização odontológica;
  • RDC nº 63/2011: boas práticas de funcionamento dos serviços de saúde, abordando sobre gestão de riscos, indicadores, protocolos e segurança do paciente.
  • RDC nº 1002/2025: boas práticas de funcionamento para os serviços de assistência odontológica em todo o país, desde infraestrutura até processamento de materiais.

Vale destacar que o cumprimento das normas não é opcional, afinal, são critérios mínimos para garantir a segurança do paciente, dos dentistas e da equipe odontológica.

Saiba mais:

RDC nº 50/2002

Regula projeto, construção e adequação física de estabelecimentos de saúde:

  • Hospitais;
  • Centros cirúrgicos;
  • Unidades básicas de saúde (UBS);
  • Clínicas de saúde;
  • Estrutura do Centro de Material e Esterilização (CME).

Exemplos de aplicação da norma:

  • Dimensionamento de ambientes;
  • Fluxos físico-funcionais (limpo x sujo);
  • Materiais de pisos, paredes e tetos;
  • Ventilação, iluminação e instalações prediais;
  • Barreiras físicas e layout do CME.

É exigida nas seguintes situações:

  • Aprovação de projeto;
  • Alvará inicial;
  • Reformas.

RDC nº 15/2012

Regula as boas práticas para o processamento de produtos para saúde, definindo regras operacionais e de qualidade. Incluindo:

  • Limpeza;
  • Desinfecção;
  • Esterilização;
  • Armazenamento;
  • Transporte;
  • Rastreabilidade;
  • Exemplos de aplicação da norma:
  • Classificação de CME;
  • Validação e monitoramento de processos;
  • Qualificação de equipamentos;
  • Capacitação da equipe;
  • Registros e rastreabilidade dos materiais;
  • Responsabilidades técnicas.

É exigida em inspeções de rotina e fiscalizações, como:

  • POPs (procedimentos operacionais padrão);
  • Registros de limpeza, esterilização e monitoramento;
  • Rastreabilidade dos produtos;
  • Qualificação de equipamentos;
  • Treinamento da equipe;
  • Responsável técnico.

RDC nº 63/2011

Regula os requisitos de boas práticas de funcionamento para todos os serviços de saúde, públicos ou privados. Exemplos:

  • Organização do serviço de saúde;
  • Gestão da qualidade e segurança do paciente;
  • Gestão de riscos sanitários;
  • Padronização de processos.

Exemplos de aplicação da norma:

  • Gestão e organização do estabelecimento;
  • Responsabilidade técnica;
  • Manuais de normas e rotinas;
  • Segurança do paciente;
  • Gestão de riscos;
  • Capacitação da equipe;
  • Gerenciamento de resíduos.

É exigida em:

  • Início do funcionamento do serviço de saúde;
  • Inspeções sanitárias;
  • Auditorias sanitárias;
  • Investigações de eventos adversos.

RDC 1002/2025

Estabelece padrões de boas práticas de funcionamento para serviços que prestam assistência odontológica no Brasil, como consultórios, clínicas, ensino, radiologia odontológica e laboratórios de prótese dentária, com foco em:

  • Qualidade e humanização dos processos;
  • Redução e controle de riscos sanitários;
  • Segurança de todos os envolvidos.

Exemplos de aplicação da norma:

  • Estrutura física mínima;
  • Rastreabilidade e registros de esterilização;
  • Proibições de equipamentos e produtos;
  • Novos fluxos de processamento de instrumentais;
  • Gerenciamento de resíduos;
  • Documentos como POPs e Manuais de Boas Práticas;
  • Capacitação da equipe (com devidos registros);
  • e outros.

É exigida em:

  • Consultórios individuais;
  • Clínicas odontológicas;
  • Serviços odontológicos coletivos;
  • Sedação inalatória/endovenosa;
  • Centros cirúrgicos odontológicos;
  • Unidades móveis/portáteis de odontologia;
  • Serviços odontológicos em escolas;
  • Laboratórios de prótese dentária.

Principais mudanças e exigências da RDC 1002/2025:

Proibição do uso de estufas (forno de Pasteur) e da esterilização química por imersão, tornando a autoclave obrigatória.
Obrigatoriedade de fluxo unidirecional, com separação clara entre área suja e área limpa de esterilização.
Obrigatoriedade de testes físicos, químicos e biológicos em frequência definida. 
Proibição do uso de detergentes domésticos e pastas abrasivas no processamento de dispositivos médicos.
Rastreabilidade da esterilização, por meio de etiquetas com data, lote, responsável e integradores químicos.
Esterilização válida por até seis meses, desde que a embalagem esteja íntegra e os processos validados (em alguns estados, o prazo era de 7 dias).
Forte recomendação da esterilização das peças de mão, como canetas de alta rotação.
Classificação por níveis de complexidade:
A – Consultórios Simples;
B – Centros Cirúrgicos.
Cada um deles deve respeitar diferentes exigências de layout, infraestrutura, fluxos e controle sanitário.
Forte recomendação da esterilização das peças de mão, como canetas de alta rotação.
Obrigatoriedade de documentos como Manual de Boas Práticas, POPs, registros de treinamentos e PGRSS.

Para conferir todas as mudanças, leia a RDC 1002/2025 completa aqui!

Para facilitar a compreensão em relação à esterilização na Odontologia, podemos resumir como:

  • RDC 15/2012: regulamenta o processamento de materiais;
  • RDC 63/2011: regulamenta a gestão e segurança dos serviços;
  • RDC 50/2002: regulamenta a estrutura física.
  • RDC 1002/2025: regulamenta especificamente o funcionamento dos serviços odontológicos.

Quais as recomendações do CFO e CROs sobre esterilização na odontologia?

  • Existência de um fluxo definido;
  • Uso correto da autoclave;
  • Comprovação do processo de esterilização;
  • Presença de registros e controles de esterilização;
  • Condições de armazenamento dos materiais estéreis;
  • Capacitação da equipe envolvida no processamento.

Leia aqui o manual com orientações sobre esterilização criado pelo CFO.

Vamos planejar sua sala de esterilização odontológica?

1. Limpeza

  • Processo inicial;
  • Remoção de sujidades visíveis (sangue, saliva, restos orgânicos e inorgânicos);
  • Geralmente realizada com água, detergente e ação mecânica (escovação ou ultrassom);
  • Não elimina microrganismos, mas reduz significativamente sua quantidade;
  • Indispensável antes da desinfecção ou esterilização.

2. Desinfecção

  • Etapa responsável pela redução da carga microbiana;
  • Utiliza agentes químicos desinfetantes;
  • Indicada para superfícies, equipamentos e materiais que não podem ser esterilizados.

3. Esterilização

  • Eliminação total de carga microbiana, incluindo esporos resistentes;
  • Realizada por meio de autoclave odontológica.

Compreender esses conceitos é fundamental para planejar corretamente a sala de esterilização minimizando riscos e otimizando o tempo clínico.

Qual a finalidade da sala de esterilização odontológico?

  • Limpeza;
  • Desinfecção;
  • Secagem;
  • Embalagem;
  • Esterilização;
  • Armazenamento de materiais esterilizados.

Como planejar a sala de esterilização odontológica?

Para planejar a sala, é fundamental compreender o volume de atendimento da clínica, o número de cadeiras odontológicas e a quantidade média de instrumentais utilizados por período.

Esses fatores impactam diretamente no tamanho do espaço, na escolha dos equipamentos e na definição do fluxo de esterilização.

Conheça as principais recomendações:

Equipamentos essenciais

  • Autoclave;
  • Seladora térmica;
  • Cuba Ultrassônica.

Divisão das áreas

  • Área para recebimento;
  • Área para descontaminação;
  • Área para lavagem e secagem;
  • Área para empacotamento;
  • Área para esterilização;
  • Área para armazenamento;
  • Bancadas para materiais contaminados e limpos.

Fluxo físico

  • Ter um manual de rotinas;
  • Fluxo sempre do sujo para o limpo;
  • Sem cruzamento de materiais;

O instrumental entra por uma porta/área e passa por todas as etapas:

  • Utilizar apenas papel descartável para secagem e/ou ar comprimido para evitar manchas e corrosão;
  • Embalar os instrumentais adequadamente;
  • Armazenar em local seco e protegido.

Fluxo da sala de esterilização odontológica

O fluxo de esterilização odontológica envolve várias etapas críticas para garantir a biossegurança e a eficácia do processo.

É fundamental que o fluxo seja unidirecional, garantindo que os instrumentais sigam sempre em uma única direção: do contaminado para o estéril, sem qualquer cruzamento.

O fluxo de esterilização na Odontologia é dividido em três áreas principais:

  • Área suja (expurgo): processamento inicial e pré-limpeza;
  • Área limpa (preparo e embalagem): inspeção e acondicionamento;
  • Área estéril: esterilização em autoclave e armazenamento.

Área suja

  • Também chamada de expurgo;
  • O transporte de material contaminado da sala de atendimento deve ser realizado utilizando recipientes com tampa, para impedir a contaminação cruzada;
  • Local onde os instrumentais recém-utilizados chegam após o atendimento clínico;
  • Área indicada para a remoção inicial de resíduos orgânicos e a redução da carga microbiana.

As principais atividades dessa área incluem:

  • Recebimento dos instrumentais contaminados;
  • Limpeza manual ou automatizada;
  • Uso de detergentes enzimáticos;
  • Enxágue e secagem inicial.

Deve conter uma pia exclusiva e bancada adequada, para reduzir os riscos de contaminação cruzada.

Área Limpa

Após a limpeza, os instrumentais seguem para a área limpa. Nessa área ocorre a inspeção, preparo dos materiais e embalagem para a esterilização.

Essa etapa é de extrema importância para o sucesso da esterilização.

Área Estéril

Contém a autoclave e o espaço destinado ao armazenamento dos materiais já esterilizados.

Ocorrem os seguintes processos:

  • Esterilização na autoclave odontológica;
  • Controle da qualidade da esterilização;
  • Liberação dos materiais após validação;
  • Armazenamento em armários fechados e identificados.

É importante que o ambiente seja protegido de umidade, luz e calor.

O acesso à área deve ser controlado, garantindo a manutenção do material estéril até o momento do uso clínico.

Esterilização odontológica: etapas e cuidados

A esterilização na autoclave odontológica é indicada para eliminar os microrganismos, prevenindo a contaminação cruzada, promovendo a saúde do paciente e do profissional.

Para garantir a biossegurança e o sucesso do processo de esterilização, é importante o dentista realizar os seguintes passos:

Uso de EPIs

Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) durante todas as etapas do processo de limpeza, desinfecção e esterilização:

  • Luva;
  • Máscara;
  • Avental;
  • Gorro;
  • Óculos,
  • Faceshield.

Fluxo Unidirecional

  • Organizar a sala de esterilização com áreas separadas para cada etapa do fluxo;
  • Evitar a contaminação cruzada entre as etapas.

Empacotamento correto

  • Secagem adequada;
  • Embalagem adequada;
  • Vedamento da embalagem;
  • Identificar a data da esterilização.

Esterilização em autoclave

  • A esterilização por autoclave acontece pelo vapor sobre pressão;
  • Método exigido pela ANVISA;
  • Seguir as recomendações do fabricante da autoclave;
  • Não empilhar pacotes;
  • Utilizar indicadores físicos, químicos e biológicos para monitorar a qualidade da esterilização.

Etapas do monitoramento da esterilização na odontologia

1. Monitoramento físico da esterilização odontológica

  • Deve ser realizado em todos os ciclos de esterilização;
  • Verificar o registro dos indicadores físicos mostrados no painel do equipamento;
  • Avaliar tempo, temperatura e pressão.

2. Monitoramento químico da esterilização odontológica

  • Monitora o processo de esterilização por meio de uma reação química com o indicador utilizado;
  • Identifica se há falhas na qualidade da esterilização;
  • São divididos em seis classes, mas na Odontologia são utilizados somente indicadores químicos Classe 1, 4, 5 e 6, sendo eles:

Classe 01

  • Indicador de processo;
  • Confirma se o material foi exposto ao ciclo de esterilização.

Classe 4

  • Indicador multiparamétrico;
  • Monitora múltiplos parâmetros simultaneamente;
  • Exemplo: tempo e temperatura.

Classe 5

  • Indicadores integradores;
  • Registram a exposição cumulativa à um parâmetro durante todo o ciclo da autoclave.

Classe 6

  • Indicadores Emuladores;
  • Simulam o comportamento de itens específicos durante o processo de esterilização.

3. Monitoramento biológico da esterilização odontológica

  • Considerado o padrão-ouro da biossegurança;
  • Utilizam esporos para monitorar todo o processo;
  • Usar no mínimo semanalmente.

Os resultados devem ser registrados e os testes guardados por até 05 anos.

Como garantir a qualidade e durabilidade da esterilização na Odontologia?

  • Limpe e desinfete bancadas, pias e superfícies entre cada ciclo de esterilização;
  • Utilize a embalagem adequada para a categoria de artigo odontológico esterilizado;
  • Não ultrapasse 75% da capacidade da autoclave;
  • Ao esterilizar, mantenha espaço entre os pacotes;
  • Guarde os materiais esterilizados em armários fechados, protegidos de calor, umidade e luz solar;
  • O treinamento da equipe é essencial para promover a qualidade do processo e durabilidade da esterilização.

Outro ponto de extrema importância são os registros obrigatórios:

  • Controle de ciclos da autoclave;
  • Resultados de indicadores químicos e biológicos;
  • Manutenção preventiva e corretiva da autoclave.

Esses documentos não apenas atendem às exigências legais, mas também são ferramentas de gestão da biossegurança no consultório odontológico.

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