Principais síndromes na Odontologia

Odontologia

Síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que estão associados a mais de uma causa, ou seja, pode envolver diversas origens.

Sendo assim, síndrome não é sinônimo de doença, pois, esta está relacionada com causas e sintomas específicos. De certa forma, elas estão interligadas, mas não são tratadas da mesma forma.

As síndromes podem ocorrer de forma isolada ou manifestar-se de forma sistêmica. E, apesar de muitas vezes serem pouco conhecidas e estudadas pelos profissionais, estas merecem atenção especial, pois, podem provocar danos por muitas vezes irreversíveis aos pacientes que as desenvolvem.

Nesse sentido, em relação à Odontologia, serão ressaltadas as principais síndromes que podem apresentar suas primeiras manifestações na cavidade bucal.

Síndrome de Peutz-Jeghers

A síndrome de Peutz-Jeghers é de caráter autossômico dominante, caracterizada por lesões tipo sardas nas mãos, pele peribucal e mucosa bucal, em conjunto com polipose intestinal e predisposição dos pacientes afetados para desenvolver câncer.

As lesões bucais acometem mais de 90% dos pacientes, apresentando-se como máculas castanhas a azul-acinzentadas que afetam principalmente a zona do vermelhão, as mucosas labial e jugal, e a língua. O número de lesões e a extensão de envolvimento podem variar de modo marcante de paciente para paciente.

As lesões de pele geralmente se desenvolvem na infância e envolvem as áreas periorofaciais (boca, nariz, anus e região genital).Os pólipos intestinais podem ser encontrados espalhados por todas as áreas produtoras de muco do trato gastrintestinal, sendo o jejuno e o íleo comumente afetados.

Os pacientes com síndrome de Peutz-Jeghers deverão ser monitorados para o desenvolvimento de tumor.

Síndrome de Behçet

A síndrome de Behçet parece representar um processo imune anormal desencadeado por um antígeno. É incomum em indivíduos melanodermas e em geral se desenvolve na terceira e quarta décadas de vida com uma prevalência pelo gênero masculino.

Asulcerações bucais costumam ser um anúncio do início da doença e ocorrem em praticamente todos os pacientes. As lesões são semelhantes às ulcerações aftosas nas suas diferentes formas, apresentando a mesma duração e frequência. Individualmente as lesões variam em tamanho e são circundadas por uma grande área de eritema difuso.

As lesões genitais ocorrem em 75% dos pacientes, sendo menos frequente do que as lesões bucais, mas são mais profundas e tendem a regredir deixando cicatriz. As lesões cutâneas comuns incluem pápulas eritematosas, vesículas, pústulas, piodermatite, foliculite, erupções acneiformes e lesões semelhantes ao eritema nodoso. De forma isolada, nenhuma medicação é universalmente efetiva.

Síndrome de Sjögren

A síndrome de Sjögrené uma doença autoimune crônica sistêmica que envolve principalmente as glândulas salivares e lacrimais, resultando em xerostomia(boca seca) e xeroftalmia(secura ocular).

É observada predominantemente em adultos de meia-idade, com predileção pelo gênero feminino (9:1). O principal sintoma na cavidade bucal é a xerostomia, no entanto, a intensidade dessa secura pode variar. Os pacientes acometidos podem se queixar de dificuldades durante a deglutição, de alterações de paladar ou de dificuldades em usar próteses removíveis.

A língua geralmente se torna fissurada e exibe atrofia das papilas. A mucosa bucal pode se apresentar vermelha e dolorida, usualmente como resultado de uma candidíase secundária. As úlceras causadas por próteses e a queilite angular são comuns. A falta da ação de limpeza da saliva predispõe o paciente a cáries, especialmente as cervicais.

Cerca de um terço até metade dos pacientes apresenta aumento firme e difuso das glândulas salivares maiores durante o curso da doença. Geralmente, esse aumento é bilateral, podendo ser indolor ou levemente doloroso. Os efeitos nos olhos geralmente são chamados de queratoconjuntivite sicca (sicca significa “seca”) e a pele geralmente é seca, bem como as mucosas nasal e vaginal.

O principal tratamento do paciente com síndrome de Sjögren é o de suporte, podendo ser utilizado: saliva artificial, balas ou chicletes sem açúcar para auxiliar na manutenção da lubrificação bucal; produtos de higiene oral que contenham lactoperoxidase, lisozima e lactoferrina; medicamentos sialogogos, como a pilocarpina e a cevimelina, podem ser úteis para estimular o fluxo salivar se houver a presença de tecido glandular viável .

Doença de Addison

A Doença de Addison foi descrita pela primeira vez pelo anatomista Tomas Addison, que a classificou como uma síndrome clínica de perda de sal em indivíduos com hiperpigmentação cutânea, associada à destruição da glândula adrenal.

Atualmente é caracterizada pela produção insuficiente de hormônios corticosteroides pela suprarrenal provocada pela destruição do córtex da suprarrenal que pode estar ligada a diversas causas como: destruição autoimune, infecções, neoplasias, entre outras.

Com a destruição gradual do córtex da suprarrenal, um início insidioso de fadiga, irritabilidade, depressão, fraqueza e hipotensão pode ser notado, durante um período de meses. Ocorre uma hiperpigmentação generalizada da pele, descrita como bronzeamento.

As manifestações bucais incluem pigmentação macular marrom difusa ou em placas na mucosa bucal, provocada pelo excesso de produção de melanina. Com frequência, as alterações na mucosa bucal são a primeira manifestação da doença, com a hiperpigmentação da pele ocorrendo posteriormente.

O paciente se queixa de distúrbios gastrintestinais, como anorexia, náusea, vômitos, diarreia, perda de peso e um peculiar desejo de comer sal, devido à hiponatremia causada pela falta do mineralocorticoide aldosterona. A doença de Addison é tratada com a terapia de reposição tanto de glicocorticoide (como a hidrocirtisona) como de mineralocorticoide (como a fludrocortisona).

Considerando que essas síndromes, assim como outras patologias, podem ter seus primeiros sinais na cavidade bucal, é de suma importância que o Profissional de Odontologia conheça os aspectos clínicos comumente observados para saber identificar e diagnosticar essas condições quando necessário.

Dra, Natalia
Referencias:

Neville, BW et al. Patologia Oral & Maxilofacial. Koogan. 4ª edição. 2016.

Marcucci, G. Fundamentos de Odontologia –Estomatologia. Santos. 3ª edição.2020.

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