Aparelho Metálico x Aparelho Estético

Mercado

Quem atua com ortodontia provavelmente ouve com frequência o questionamento dos pacientes sobre a possibilidade de utilizarem, em seus respectivos casos, algum tipo de aparelho estético, ao invés do tradicional metálico. Hoje em dia isso é extremamente comum e nossa clientela já chega nas consultas com um verdadeiro desejo pela máxima estética.Mas acontece que os pacientes, quase sempre leigos, enxergam que as únicas diferenças entre bráquetes metálicos e estéticos são a cor e o preço. Já nós ortodontistas sabemos que existem muitas outras, e que essas peculiaridades de cada aparelho devem ser levadas em conta no momento do planejamento do caso.

Por isso, além da minha opinião de mais de 15 anos de ortodontia, pra poder relatar aqui quais são as principais diferenças entre aparelhos estéticos e metálicos, fiz também uma breve pesquisa com meus alunos e alguns colegas, baseado na experiência de suas rotinas.

A principal diferença notada e citada por colegas diz respeito à resistência das peças. Trata-se de uma maior tendência a fratura de aletas e ganchos dos bráquetes estéticos durante o processo mastigatório. Bráquetes metálicos são naturalmente mais maleáveis e aceitam melhor, sem fraturar, alguma pressão excessiva que sobre eles possa ocorrer.

Outra situação bastante relatada foi sobre a soltura de peças. Alguns colegas deixaram claro que tem um índice maior (cerca de 25%) de recolagens de peças dos aparelhos estéticos, e apesar de sabermos que essa situação também está diretamente ligada ao protocolo de colagem do aparelho, é impossível não leva-la em consideração.

Particularmente, tive durante certo tempo muitos problemas com quebras de aletas e ganchos, além da soltura de peças, mas depois que passei a utilizar o a linha Iceram da Orthometric notei sensível melhora. A composição das peças é bastante resistente e a sua base mais côncava encaixa-se melhor à face vestibular convexa dos dentes, minimizando a interface de resina entre eles, o que sabemos, aumenta consideravelmente a probabilidade de sucesso das colagens.

Outra diferença muito relatada diz respeito ao atrito. Apesar do ótimo polimento e acabamento das peças, dependendo da mecânica utilizada, o contato entre o metal dos arcos e o material estético dos braquetes gera um atrito maior que o que ocorre nos aparelhos metálicos e isso pode sim ser um dificultador da evolução dos casos, pois diminui a velocidade de retrações, por exemplo, agindo como um “freio de mão puxado”. Essa limitação é real e não podemos ignorá-la.

Alguns colegas inclusive relataram que em casos onde o planejamento envolve retrações, eles de cara já avisam aos seus pacientes que não é possível utilizar aparelhos estéticos. Discordo veementemente dessa postura, até porque existem opções de braquetes, como o Iceram Slot Metálico que associa a estética buscada pelo paciente, com o deslize e diminuição de atrito necessários para uma retração rápida e efetiva. Então se o meu paciente quer um tratamento ortodôntico mais discreto, não serei eu que o privarei desse direito.

Por fim, e para mim, a mais importante das características de um bráquete é a confiabilidade das medidas do seu slot. Trabalho há anos com a técnica bidimensional e ter um slot com medidas confiáveis é fundamental para o sucesso do meu trabalho. Por isso uso e recomendo o metálico Orthometric Premium Elite Bidimensional, pois sei que nele preencho totalmente o slot das peças com altura 0,018 ao inserir um arco com altura 0,018.

Isso que é fundamental para a expressão perfeita dos torques e angulações da prescrição. Há aparelhos similares à venda no mercado, onde a altura do slot não é confiável, sendo neles inclusive possível se inserir arcos de calibres maiores, o que evidencia a falta desse controle de qualidade no acabamento das peças e compromete o resultado final do caso.

Finalizo dizendo que independente de metálicos ou estéticos, mais importante que o material do bráquete utilizado, é saber a indicação de cada opção disponível no mercado e a confiabilidade de cada fabricante. Lembre-se que seus pacientes não conhecem marcas comerciais de aparelhos e nem conseguem mensurar os resultados de cada um deles. Eles conhecem a SUA marca e vão avaliar os resultados que VOCÊ entrega. Então, faça boas escolhas.

Artigos Relacionados