As restaurações em resina composta envolvem diversas etapas, desde o preparo cavitário até a finalização da restauração, sendo fundamental o dentista seguir rigorosamente cada passo para garantir o sucesso do tratamento odontológico e diminuir a possibilidade de sensibilidade pós-operatória.
A sensibilidade após restauração com resina composta é um tema que gera muitas dúvidas, tanto em dentistas quanto em pacientes, pois há diversos fatores envolvidos, como por exemplo a ponta diamantada, condicionamento ácido, uso adequado dos adesivos e técnica de inserção da resina, entre outros.
Neste artigo, vamos abordar o que é a sensibilidade pós-operatória na Odontologia, principais causas e como prevenir a sensibilidade após restauração dentária.
Sensibilidade pós – operatória na Odontologia
A sensibilidade após a restauração é caracterizada por uma dor aguda, geralmente transitória e que pode ser desencadeada por diversos estímulos, como por exemplo estímulos mecânicos (mastigação), estímulos térmicos (alimentos gelados ou quentes) ou químicos (materiais restauradores), ocorrendo após procedimentos restauradores, mesmo em dentes previamente assintomáticos, sendo mais comum sua ocorrência em dentes posteriores.
A sensibilidade ocorre, na maioria dos casos, por origem dentinária devido à movimentação de fluidos (teoria hidrodinâmica).
Pode ocorrer também estímulo pulpar, causado por falhas nas etapas do procedimento restaurador, pois quando a dentina é desgastada/exposta, os túbulos permitem que os estímulos externos atinjam os nervos, resultando na sensação de dor.
Outra possibilidade é a sensibilidade por origem periodontal, por causa da pressão exercida pelo grampo de isolamento absoluto e/ou por trauma oclusal (restauração prematura ou interferência oclusal).
Este quadro pode surgir minutos, horas ou até dias após o procedimento, e na grande maioria dos casos, tende a se resolver espontaneamente.
A sensibilidade é prevalente em restaurações em que há necessidade de realizar condicionamento ácido e aplicação de adesivo dental, por causa das propriedades físico-químicas dos materiais restauradores e da interação direta com a estrutura dental.
Outro motivo frequente é a microinfiltração na margem da restauração, ocorrendo infiltração de fluidos ou bactérias, resultando em inflamação da polpa e sensibilidade.
A sensibilidade dentária pode variar em intensidade (desde leve até extremamente dolorosa), sendo fundamental o dentista compreender todas as possibilidades que podem ocasionar o caso clínico, para evitar a condição.
Além da dor aguda, é comum ocorrer desconforto ao mastigar ou ao tocar o dente afetado. Em alguns casos, a sensibilidade pode ser constante, indicando uma possível inflamação pulpar.
Para realizar o diagnóstico, é fundamental o dentista realizar uma anamnese detalhada para identificar a intensidade e duração da dor, fatores que a desencadeiam, exame clínico e exame radiográfico, com o objetivo de aplicar a conduta adequada em cada situação clínica.
Causas da sensibilidade pós-restauração
Diversos fatores podem contribuir para o surgimento da sensibilidade pós-operatória em restaurações de resina, devido à complexidade de cada etapa restauradora. Conheça as principais causas:
Técnica operatória inadequada
- Desgaste excessivo da estrutura dentária;
- Irrigação insuficiente no momento do preparo cavitário;
- Uso de broca “cega”, com pouco poder de corte;
- Isolamento inadequado do campo operatório, permitindo a contaminação com saliva ou fluido gengival, prejudicando a adesão e favorecendo a infiltração marginal;
- Proteção inadequada do complexo dentino-pulpar;
- Erros na técnica adesiva: falhas na técnica de condicionamento ácido, secagem excessiva da dentina ou aplicação inadequada do adesivo, comprometendo a integridade da camada híbrida;
- Incremento excessivo de resina, resultando em maior estresse de contração de polimerização e, consequentemente, microinfiltração e sensibilidade;
- Fotopolimerização inadequada, sendo fundamental verificar a capacidade de polimerização por meio de um radiômetro.
Características dos materiais restauradores
Devido à contração de polimerização das resinas compostas, podem ocorrer tensões na interface adesiva, causando microtrincas e favorecendo a permeabilidade dentinária.
Além disso, o tipo de sistema adesivo utilizado (adesivo dentário autocondicionante ou adesivo dentário convencional), a viscosidade da resina composta e a intensidade de polimerização (uso de fontes de luz inadequadas ou com potência irregular), influenciam diretamente a qualidade da restauração e contribuem para a possibilidade de sensibilidade.

Condições pulpares
A profundidade da restauração pode desencadear respostas inflamatórias pulpares, principalmente em dentes com câmaras pulpares amplas.
Oclusão dentária
O ajuste oclusal inadequado pode gerar sobrecargas na restauração e sobrecarregar o tecido periodontal, além de e favorecer a micromovimentação dos fluidos dentinários, causando dor sensibilidade ao mastigar.
Como realizar o manejo em pacientes com sensibilidade pós-operatória?
Mesmo com todas as medidas preventivas, a sensibilidade pode ocorrer, sendo de extrema importância o dentista realizar o manejo adequado do paciente, por meio das seguintes medidas:
- Avaliar a restauração: identificar se há infiltração, fraturas ou contato prematuro;
- Se necessário, realizar ajuste oclusal;
- Realizar exame radiográfico, para avaliar a possibilidade de outras patologias associadas ao quadro clínico;
- Se necessário, refazer o procedimento restaurador.
Além disso, é fundamental o dentista orientar o paciente sobre as características da condição:
- Quadros leves melhoram em poucos dias;
- Quadros moderados ou intensos necessitam de avaliação clínica;
- Alimentos quentes e frios podem potencializar a sensibilidade;
- A higiene oral adequada é fundamental para evitar complicações e agravar o quadro.
É importante lembrar que pacientes com histórico prévio de hipersensibilidade são mais suscetíveis à quadros de sensibilidade após restauração.
Como prevenir a sensibilidade pós – operatoria em procedimentos restauradores?
Prevenir a sensibilidade dentária é fundamental para garantir o conforto do paciente e a longevidade do procedimento restaurador.
Para evitar a condição clínica, o profissional deve realizar as seguintes medidas:
Anamnese detalhada e exame clínico minucioso
Avaliar a saúde bucal e histórico de sensibilidade, identificar se há condições que comprometem o tecido pulpar, periodontal e a integridade do elemento dental, verificando a presença de lesões cariosas, fraturas e trincas.
Isolamento absoluto
É fundamental para evitar a contaminação do campo operatório, que pode causar interferências na interface adesiva, além da contaminação bacteriana.
Complemente: Saiba mais sobre o Isolamento absoluto: técnica, dicas clínicas e passo a passo
Técnica adequada
Respeitar rigorosamente cada etapa do procedimento restaurador:
- Utilizar brocas novas, com poder de corte adequado;
- Alta rotação com refrigeração adequada;
- Se necessário, realizar a proteção do complexo dentino-pulpar;
- Evitar a desidratação da dentina, que pode comprometer a formação da camada híbrida;
- Aplicar o adesivo de acordo com as recomendações do fabricante;
- Evitar a inserção de grandes volumes de resina;
- Polimerização com fonte de luz com intensidade adequada;
- Realizar ajuste oclusal.
A sensibilidade pós-operatória após restaurações em resina composta é um desafio recorrente na prática odontológica, mas que pode ser prevenido e controlado.
Evitar erros comuns, como por exemplo falhas na execução do preparo cavitário, na técnica adesiva e restauradora e ajuste oclusal inadequado, são condutas clinicas que minimizam riscos, garantindo o sucesso do caso clínico.
A sensibilidade pós-operatória na Odontologia é consequência de falhas no procedimento restaurador, impactando na qualidade da restauração e no conforto do paciente.
Compreender as causas, identificar os sinais e sintomas e realizar o manejo adequado são medidas fundamentais para solucionar a condição e promover o sucesso do tratamento odontológico.
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