Implante dentário carga imediata

Implante Imediato tem sido amplamente utilizados e estudados na Odontologia. Por muitos anos pesquisou-se e discutiu-se sobre a necessidade e vantagens da utilização de substitutos ósseos para preenchimento do GAP entre implante e osso.

Hoje, porém, isso já está bem estabelecido e sabemos que a utilização desses materiais é essencial para obtermos sucesso nesse tipo de tratamento. Outros quesitos como diâmetro do implante, dimensão do gap e o perfil de emergência da coroa provisória tem sido estudados e parecem ter grande importância nos resultados finais. (1) 

Constantemente novas opções e materiais são lançados no mercado e, dessa forma, a escolha do substituto ósseo ainda é alvo de muitas dúvidas e discussões. Com o objetivo de simplificar esta decisão resolvemos trazer de forma simples e prática os principais tipos de enxerto disponíveis para uso atualmente, suas principais características, aplicabilidade, vantagens e desvantagens 

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Técnica Cirúrgica de implante

Antes da seleção do substituto ósseo, porém, há outras questões de suma importância a serem consideradas, e a técnica cirúrgica, certamente é uma delas. A parede óssea vestibular dos dentes anteriores superiores, casos onde rotineiramente optamos pelos implantes imediatos,  é extremamente delgada e composta principalmente de osso cortical, na maioria dos indivíduos.

Além disso, ela possui três fontes de suprimento sanguíneo: o ligamento periodontal, que é perdido no momento da extração, a medula óssea e o periósteo.

Dessa forma, ao optar-se por uma cirurgia com retalho, perde-se o suprimento do periósteo por alguns dias, até que a região se reanastomose e o suprimento seja reestabelecido, aumentando drasticamente assim, as chances de reabsorção dessa estrutura.(1) Dessa forma, é de extrema importância a observância do uso de técnicas de exodontia minimamente invasiva nesses casos e de cirurgias flapless, sempre que possível. 

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Tipos de Enxerto ósseo dentário

Com relação aos materiais de enxertia, eles divergem entre si, ainda de maneira relevante, por suas capacidades e limitações. 

A escolha, portanto, deve ser ditada pelo bom conhecimento das propriedades de cada material.(2) 

Enxerto de osso autógeno

É definido como a transferência de tecido ósseo de uma área doadora a uma área receptora no mesmo indivíduo.(2) Ainda que haja, nos dias atuais, uma grande procura dos substitutos de osso autógeno, com o objetivo de diminuir a morbidade pós operatória, esse tipo de enxerto ainda é considerado referência por sua confiabilidade e aceitação. 

É o único altamente osteogênico, osteoindutor e osteocondutor, além de ser resistente à infecções e ter ausência de respostas imunes. 

Esses enxertos variam muito com base na região de coleta e densidade óssea, podendo ser corticais ou medulares, e utilizados de forma particulada ou em blocos.  As principais desvantagens são reabsorção óssea nem sempre previsível (pode ter rápida reabsorção), necessidade de coleta, aumentando a morbidade e limitação de disponibilidade. (2) 

No caso dos implantes imediatos, é muito comum a coleta ser realizada na região da tuberosidade da maxila. Algumas técnicas foram desenvolvidas e resultados excepcionais são alcançados quando seguem-se adequadamente os parâmetros e protocolos estabelecidos: um exemplo é a chamada técnica RDI (Restauração dente alveolar imediata) desenvolvida pelo professor José Carlos Martins da Rosa e equipe. 

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Enxerto homógeno

É definido como a transferência de osso, apropriadamente tratado entre indivíduos da mesma espécie (osso de banco de ossos). Embora muitos profissionais estejam habituados e optem por esse tipo de enxerto, há ainda muita controvérsia sobre seus resultados.

Propriedades osteocondutoras insignificantes, processos de substituição lentos e incompletos são alguns dos problemas descritos. 

De, qualquer forma, eles parecem ter vantagens em casos de amplas reconstruções, por disporem de quantidade ilimitada, sendo essa sua principal vantagem, além da baixa morbidade por não necessitar de cirurgia de coleta. Em casos de implantes imediatos, contudo, eles não se mostram uma boa opção.  

Enxerto xenógeno

É a transferência de osso, apropriadamente tratado entre indivíduos de espécies diferentes (osso bovino liofilizado). Certamente um dos materiais mais usados e estudados nos últimos anos. Pode-se apresentar em fórmula de grânulos (maiores ou menores), blocos e etc.  

Suas principais vantagens são ser osteocondutor, ter disponibilidade ilimitada, evitar a coleta de osso autógeno diminuindo a morbidade pós operatória e integrar-se muito bem com o osso neoformado(2). É um material de muito fácil uso e manuseio, e de lenta reabsorção, tornando-se uma excelente opção. Alguns estudos sugerem que ele apresenta melhores resultados quando utilizado juntamente a uma barreira semipermeável.(1,2) .

Além disso, também podem ser utilizados numa mistura com osso autógeno, somando assim as propriedades dos dois materiais. 

Materiais aloplásticos

Define-se como qualquer material substituto de osso, capaz de aumentar as propriedades osteocondutoras. Se apresentam de diversas formas: porosos, cristalinos, amorfos, granulados, etc.

Os principais materiais são as hidroxiapatitas, o fosfato tricálcio, os biovidros e o sulfato de cálcio. Suas principais vantagens são a disponibilidade ilimitada, ser osteocondutor e a apresentar baixa morbidade. Eles não são osteogênicos nem osteoindutores e em geral não devem ser utilizados de forma pura (sem barreiras semi-permeáveis).

Sua principal desvantagem é que são, normalmente, pouco e lentamente reabsorvidos, dificultando a substituição por osso autógeno neoformado, aumentando assim o tempo de tratamento. Todavia, esses materiais estão em constante evolução e aprimoramento, sendo que temos atualmente excelentes opções no mercado, e, além disso, são uma boa opção para casos onde o paciente tenha alguma restrição ao uso de materiais de origem animal, por exemplo.  

Conclusão

Por fim, podemos concluir que temos hoje excelentes opções de biomateriais, sendo que os enxertos xenógenos e aloplásticos apresentam-se como boas opções para o uso em casos de implantes imediatos, desde que bem observados seus critérios e levados em consideração as devidas orientações dos fabricantes. 

Paralelamente os enxertos autógenos continuam sendo referência por conta de suas propriedades e sua alta confiabilidade, tendo como principal desvantagem o aumento da morbidade pós operatória. 

Finalizo reiterando que podemos ter bons resultados com todos esses materiais desde que sigamos protocolos de utilização e mantenhamos uma excelente técnica cirúrgica e seleção adequada de casos. 

Referências: 
  1. Rosa, J. C. M da; et al. Restauração dentoalveolar imediata no contexto atual: estudos e resultados de 9 anos de aplicabilidade da técnica – cap. 05-01. In: Francischone, C. E. Osseointegração na Clínica Multidisciplinar – Estética e Longevidade. 2016.
  2. Chiapasco, M; Romeo, E. Reabilitação oral com prótese implantossuportada para casos complexos. Editora Santos, 2007. Loyolla, M.; et al. Enxertos ósseos autógenos e xenógenos como alternativa de manutenção do espaço alveolar. Rev. Gestão e Saúde, 2020. 

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