Biossegurança e retorno das aulas práticas

Universitários

Frente a pandemia global, causada pelo SARS-CoV-2, e manifestação da COVID-19 foi assim denominada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), muitas profissões tiveram que se reinventar e com a Odontologia não é diferente.

Contudo, a pandemia afetou não apenas Cirurgiões-Dentistas que, priorizando apenas as urgências e emergências, precisaram reduzir os atendimentos, como também estudantes de Odontologia do Brasil inteiro que tiveram suas aulas práticas da faculdade suspensas por um longo período. 

Visto isso, é preciso se readequar a situação, seguindo na íntegra todas as normas de biossegurança, com a finalidade de garantir a sua segurança e a do paciente. Novamente, salientando que, preferencialmente, os atendimentos devem ser voltados para urgência e emergência.

A seguir, serão abordadas algumas diretrizes para a retomada das atividades presenciais de forma organizada, através de boas práticas.

Como se portar  

Para segurança de todos, as recomendações devem iniciar no momento da saída de casa até o seu retorno, incluindo o deslocamento, e permanência na Instituição de Ensino Superior (IES).

 

Regras gerais de boa conduta: 

  • Não saia de casa, se estiver com sintomas de gripe ou outras manifestações clínicas relacionadas a doença;
  • Sempre higienize bem as mãos;
  • Use máscara de tecido (máscara civil), durante todo o tempo que estiver circulando pelo campus; 
  • Cubra a boca com o antebraço ou use lenço descartável, ao tossir e espirrar; 
  • Nunca leve a mão aos olhos, boca ou nariz; 
  • Não compartilhe objetos pessoais; 
  • Mantenha ambientes ventilados, sempre que possível; 
  • Use álcool 70% em superfícies ou objetos, sempre antes e depois do manuseio; 
  • Nunca cogite alimentar-se em ambientes como clínica, laboratório ou outros espaços de práticas acadêmicas; 
  • Prenda os cabelos se forem compridos; 
  • Use unhas curtas e sem esmalte, preferencialmente;
  • Não use barba, preferencialmente;
  • Evite aglomerações e tente manter o máximo distanciamento possível; 
  • Retire todos os adereços, como anéis, pulseiras, cordões, brincos e relógios para as práticas em laboratórios e para atender pacientes; 
  • Atente-se para higienização de celulares e computadores;  
  • Use a vestimenta correta de acordo com as regras de laboratório, espaços de práticas ou clínicas. 

 

Contato prévio com o paciente

Por questões de segurança, realize contato prévio com o paciente por via remota, seja telefone, e-mail, Whatsapp ou outro aplicativo de comunicação.

Ao agendar consultas:

  • Pergunte ao usuário se ele ou acompanhante, apresenta sintomas gripais;
  • Informe aos usuários e acompanhantes que devem ir ao atendimento usando máscara de tecido e permanecer com esta durante o tempo em que estiverem nas dependências do prédio e no seu trajeto de ida e de volta;
  • Informe o usuário que evite se adiantar ou atrasar em relação ao horário agendado;
  • Solicite que, se possível, realize higiene bucal prévia antes de se deslocar para a consulta agendada;
  • Oriente o usuário e o acompanhante que levem o mínimo de objetos possíveis, de preferência apenas exames e documentos;
  • Oriente também que, de preferência, o usuário e acompanhante levem outra máscara (limpa) para ser utilizada após o atendimento, ao saírem da clínica.
  • Informe que a presença de um companhante é permitida apenas se for estritamente necessário. Como em casos de crianças, idosos, portadores de necessidades especiais e demais grupos;

 

Protocolos de Biossegurança 

É crucial que os acadêmicos e profissionais estejam atentos às normas de biossegurança e sigam na íntegra os protocolos, antes, durante e após o atendimento.
 

Sequência de colocação de equipamento de proteção pessoal (EPI) – paramentação:

  1. Avental cirúrgico descartável de mangas longas, impermeável e com gramatura de 50g/m2.
  2. Higienização das mãos.
  3. Respirador (N95/PFF2 ou similar sem válvula), necessário quando o procedimento vai gerar aerossóis, caso contrário, usar a máscara cirúrgica;
  4. Higienização das mãos;
  5. Óculos de proteção com fechamento lateral;
  6. Higienização das mãos;
  7. Gorro em polipropileno 30g/m2;
  8. Higienização das mãos;
  9. Protetor facial (face shield), com fechamento na testa e que chegue até a orelha e abaixo do queixo;
  10. Higienização das mãos;
  11. Luvas de procedimentos de látex ou vinílica;

IMPORTANTE:

  • Neste momento de paramentação, entre uma etapa e outra, sempre higienize as mãos!
  • Idealmente tenha uma roupa privativa para o ambiente clínico, assim como um sapato privativo. A roupa sugerida é o pijama cirúrgico ou scrub que deve ser vestido na instituição, antes do aluno entrar no ambiente clínico.
  • Separe apenas os instrumentais e materiais de consumo que serão utilizados no procedimento clínico.
  • Lembre-se: quando optar pela máscara de proteção respiratória, é preciso fazer a verificação positiva e negativa da vedação.

 

Preparo do Box 

Barreiras físicas de proteção: 

  • Realize a desinfecção das superfícies utilizando produtos à base de álcool a 70%, hipoclorito de sódio a 1% ou ácido peracético a 0,2%, a depender da superfície e instalar barreiras físicas de proteção (filmes de PVC ou sacos plásticos).
  • Utilize a cuspideira o mínimo possível, somente em casos de extrema necessidade. Dê preferência à sucção da saliva por meio de bomba a vácuorealize a descontaminação ao final de cada atendimento com hipoclorito a 1%; 
  • Utilize a cuspideira o mínimo possível, somente em casos de extrema necessidade. Dê preferência à sucção da saliva por meio de bomba a vácuorealize a descontaminação ao final de cada atendimento com hipoclorito a 1%; 
  • Utilize pontas descartáveis nas seringas tríplices;
  •  Mantenha nas bancadas de trabalho somente o material que será utilizado no procedimento. 

 

Recebendo o paciente

  • Conforme já citado, o paciente deve chegar para a consulta com a higiene bucal previamente feita;
  • O operador ou auxiliar, pré-paramentado deve recepcionar o usuário na entrada da clínica;
  • O paciente só deve tirar a máscara quando o atendimento começar a ocorrer;
  • O paciente deve entrar com a máscara de tecido, e assim permanecer sentado na cadeira odontológica, enquanto o auxiliar coloca os óculos de proteção, gorro e babador. Quando o operador for atuar no ambiente bucal, é o momento que o paciente guarda a máscara;
  • No box, oriente o usuário a guardar sua máscara em um envelope de papel.

 

 

Precauções durante o atendimento 

  • Trabalhe a 6 mãos sempre que possível, atuando em trio (operador, auxiliar e aluno circulante);
  • Nunca toque o paciente desnecessariamente, o colega ou a si próprio; 
  • Nunca ajuste a máscara, respirador, óculos ou viseira sem realizar prévia antissepsia das mãos; 
  • Utilize isolamento absoluto sempre que possível; 
  • Utilize o mínimo possível a turbina de alta rotação; 
  • Acione os instrumentos rotatórios e a seringa tríplice dentro de um saco plástico por 30 segundos antes do seu primeiro uso naquele usuário e realize a sucção da água; 
  • Evite utilizar a seringa tríplice, especialmente na função spray; 
  • Sempre que possível, utilize algodão/gaze estéril para secagem de regiões intrabucais; 
  • Recomenda-se a utilização de sugadores de alta potência (bomba a vácuo); 
  • Não utilize aparelhos que gerem aerossóis como jato de bicarbonato e ultrassom; 
  • Sempre que possível, recomenda-se utilizar dispositivos manuais, como escavadores de dentina para remoção de lesões cariosas (evite canetas de alta e baixa rotação) e curetas para raspagem periodontal. Prefira técnicas químico-mecânicas se necessário.
  •  Evite radiografias intrabucais. Sempre que possível, realize radiografias extrabucais.

Ao final do atendimento 

  • Oriente o paciente a colocar nova máscara de tecido (limpa) e permanecer sentado. 
  • Realize a remoção das luvas descartáveis empregando a técnica para evitar a contaminação das mãos. 
  • Realize a higiene das mãos imediatamente após a retirada das luvas descartáveis. 

 

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Desmontagem do Box 

Operador 1 

  • Mantenha todos os EPIs, retire as luvas de procedimento e descarteas adequadamente, higienize as mãos, vista o avental plástico descartável com fechamento nas costas (ou avental impermeável descartável em TNT 30g m2) sobre o avental cirúrgico, e calce as luvas de borracha de cano longo e tamanho apropriado para limpeza;
  • Leve o instrumental dentro da caixa com tampa até o expurgo e realize sua limpeza e preparo para esterilização. 

Operador 2 

  • Mantenha todos os EPIs, retire as luvas de procedimento descarte-as adequadamente, higienize as mãos e calce as luvas de borracha de cano longo e tamanho apropriado para limpeza; 
  • Recolha todos os materiais perfurocortantes com o uso do porta-agulha e descarte-os em recipiente adequado ainda no box, ou armazene-os no interior de recipiente metálico com tampa para descarte apropriado no setor de expurgo; 
  • Recolha todos os instrumentos da superfície da mesa, colocando-os em bandeja; 
  • Coloque por último o recipiente com perfurocortantes e porta-agulha, se for o caso; 
  • Acondicione a bandeja contendo todos os instrumentos contaminados no interior de uma caixa plástica rígida e hermeticamente fechada, com travas na tampa, para o transporte ao setor de expurgo; 
  • Remova os campos da mesa e o PVC das superfícies, dobrando-os e compactando-os para que gerem o menor volume possível e descarte-os no lixo infectante (lembre-se que a cada paciente deve ser realizada a troca das barreiras de proteção);
  • Lave a parte externa das luvas de borracha com água e sabão; 
  • Enxágue com água corrente evitando respingos; 
  • Seque com papel toalha ou panos descartáveis; 
  • Aplique o desinfetante disponível; 
  • Retire a luva grossa da mão direita puxando-a pelos dedos com a mão esquerda; 
  • Retire a luva grossa da mão esquerda introduzindo os dedos da mão direita desenluvada pela parte de dentro, sem encostar na parte externa da luva de borracha; 
  • Verifique a presença de furos e rasgos e despreze-as se necessário; 
  • Acondicione as luvas de borracha em saco plástico limpo e hermeticamente fechado; 
  • Proceda com a remoção dos EPIs, conforme indicado.

 

Desparamentação 

  1. Deve ser realizada preferencialmente em ambiente destinado especificamente para tal, à saída da clínica. Caso não seja possível, ainda no box remova as luvas e o avental, sendo os demais EPIs removidos fora da clínica, em local designado pela IES. 
  2. Remova as luvas conforme explicado acima e descarte-as imediatamente em lixeira de material biológico;
  3. Higienize as mãos;
  4. Remova o avental;
  5. Higienize as mãos;
  6. Remova o protetor facial;
  7. Higienize as mãos;
  8. Remova o gorro/touca;
  9. Higienize as mãos;
  10. Remova óculos de proteção;
  11. Higienize as mãos;
  12. Remova a máscara/respirador.
  13. Higienize as mãos.

 IMPORTANTE:

A ordem de desparamentação citada acima, é indicada para o aluno que não vai para ambiente de expurgo.

Caso o aluno vá para ambiente de expurgo, deve se atentar a ordem a seguir:

  1. Remova as luvas;
  2. Higienize as mãos;
  3. Remova o avental e descarte em lixo infectante.
  4. Higienize as mãos;
  5. Remova o capote impermeável.
  6. Higienize as mãos;
  7. Calce as luvas de borracha de cano longo.

 

Qual máscara eu devo usar?

  • Máscara cirúrgica:

É utilizada rotineiramente por profissionais da saúde e em pacientes suspeitos ou confirmados com a COVID-19 desde que não sejam realizados procedimentos que gerem aerossóis, com uso complementar de protetor facial (face shield);

  • Máscara N95 ou PFF2:

A máscaras N95 ou PFF2 é utilizada em procedimentos que geram aerossóis em pacientes suspeitos ou confirmados com a COVID-19, com uso complementar de protetor facial (face shield).

  • Máscara de tecido:

Seu uso não é recomendado em hipótese nenhuma pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para profissionais da saúde. A máscara de tecido utilizada para população em geral, deve ser confeccionada de acordo com as recomendações da OMS.

 

Finalmente, é importante salientar que as informações pontuadas neste texto são baseadas em evidências científicas. Todavia, cada Instituição de Ensino provavelmente possuseu Protocolo de Segurança referente ao retorno às aulas práticas, sendo necessário que o estudante siga as orientações da sua Instituição. 

 

Erick Queiroz

Profa. Dra. Maria Regina

 

Referências bibliográficas: