Autores:
Luis Henrique Araújo Raposo – Professor de Prótese Fixa, Materiais Odontológicos e Oclusão da Faculdade de Odontologia – UFU (FO.UFU)
Analice Giovani Pereira – Professora do Centro de Reabilitação de Pacientes com LCNC e HD – FO.UFU
Paulo Vinicius Soares– Professor de Dentística e Materiais Odontológicos da FO.UFU

Com o desenvolvimento dos materiais odontológicos, as cerâmicas tornaram excelente opção para reabilitação indireta, até mesmo para confecção de laminados, que provou ser uma técnica de tratamento estético e funcional de sucesso. As facetas confeccionadas em cerâmica apresentam diversas vantagens, pois reúnem algumas das principais qualidades dos compósitos resinosos, como a capacidade de adesão ao substrato dentário, com as características das cerâmicas: estabilidade de cor, alta resistência e durabilidade, excelente lisura superficial, resistência à abrasão, baixo acúmulo de placa bacterina; além de coeficiente de expansão térmica, rigidez e propriedades óticas semelhantes ao esmalte dental.

Portanto, os autores deste trabalho tem como objetivo descrever caso clínico de paciente com restauração de resina composta insatisfatória no elemento 16 que estava tratado endodonticamente, onde optou-se pela substituição por restauração parcial cerâmica Onlay. 

Discussão

Devido à baixa resistência das cerâmicas feldspáticas e da tentativa de confecção de coroas somente em material vítreo, pautou-se desenvolvimento destes materiais, sendo a transição do aumento da porcentagem de material cristalino com a diminuição da porcentagem de vidro. Uma das opções para aumentar a resistência foi a introdução de cristais de leucita às cerâmicas feldspáticas (SiO2-Al2O3-K­­2O), que previne a propagação de micro fraturas internas à matriz. Mesmo com o aumento razoável da resistência, este sistema continuou apresentando boa translucidez e propriedades óticas, apesar de inferior ao das cerâmicas não reforçadas.

A inserção de cristais de leucita não foi suficiente para permitir a indicação de próteses confeccionadas somente em cerâmicas para situações mais extensas. Então, nova composição foi criada após adicionar cristais de dissilicato de lítio (SiO2-LiO­2) para reforçar cerâmicas feldspáticas. Estes cristais ficam dispersos de forma interlaçada em matriz vítrea, impedindo a propagação de trinca no interior do material. Este sistema, além da melhor resistência à flexão e resistência quando comparado com as outras cerâmicas vítreas possui alto padrão estético devido a matriz vítrea e os cristais de dissilicato de lítio com índice de refração de luz semelhante, sem interferência significativa da translucidez; além do poder de adesão aos cimentos resinosos após o condicionamento ácido e silanização.

Os cimentos resinosos também podem se classificado quanto ao método de interação com o substrato: convencionais e autoadesivos. Os cimentos resinosos convencionais não são capazes de se ligar ao substrato dentário sem a prévia aplicação do sistema adesivo; e existem em todos os três mecanismos de iniciação. Já o cimento autoadesivo é capaz de se unir ao substrato dentário dispensando a etapa do condicionamento ácido prévio e aplicação de primer/adesivo, apresentando como maior vantagem a simplificação da técnica.

Conclusões

Devido resistência da cerâmica a base de dissilicato de Lítio (e-Max, IvoclarVivadent) os profissionais realizaram ajustes e provas prévias a cimentação com segurança;
Os preparos realizados com pontas diamantadas (KG Sorensens, Kit 6720) permitiram formato adequado do preparo indicado para cerâmicas vítreas reforçadas;
O uso de cimento auto-adesivo (Set PP, SDI) evitou o tratamento superficial do substrato, e a fotoativação com LED de alta potência (Radi Plus) favoreceu segurança na polimerização do cimento resinoso.
A paciente ficou satisfeita com o resultado, o qual também agradou toda a equipe de profissionais. 

Referências

1 – Blatz MB, Sadan A, Kern M. Resin-ceramic bonding: a review of the literature.  J Prosthet Dent. 2003 Mar;89(3):268-74.

2 – Soares PV, Zeola LF, Pereira FA, Milito GA, Machado AC. Reabilitação Estética do Sorriso com Facetas Cerâmicas Reforçadas por Dissilicato de Lítio. Rev Odontol Bras Central 2012;21(56).

3 – Soares PV, Spini PH, Carvalho VF, Souza PG, Gonzaga RC, Tolentino AB, Machado  AC. Esthetic rehabilitation with laminated ceramic veneers reinforced by lithium disilicate. Quintessence Int. 2014 Feb;45(2):129-33.

4 – HIGASHI, C. et al. Cerâmicas em dentes anteriores: Parte I –  indicações clínicas dos sistemas cerâmicos. Clin. Inter. J. Braz.  Dent., São José, v. 2, n.1, p. 23-31, 2006.

5 – Magne P, Belser UC. Bonded porcelain restorations in the anterior dentition— a biomimetic approach. Chicago: Quintessence Publishing Co; 2002.

Caso Clínico

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