Fios Ortodônticos: Conhecer Para Aplicar! Part. 02

Mercado

As ligas de cobalto-cromo

Foi a Elgin Watch Company que, na década de 40, desenvolveu a liga de cobalto-cromo composta por cobalto (40%), cromo (20%), prata (16%) e níquel (15%). Na década de 60, as ligas de cobalto-cromo foram introduzidas na Ortodontia e patenteadas como Elgiloy®, pela Rocky Mountain Orthodontics3.

A liga de beta-titânio

As ligas de beta-titânio são constituídas de titânio e, quando submetidas ao tratamento térmico, apresentam alteração no rearranjo estrutural de seus átomos, sendo referidas como ligas de titânio em fase “beta”4.

As primeiras aplicações clínicas dessa liga para a Ortodontia ocorreram na década de 80, quando uma forma diferente de titânio, chamado “de alta temperatura”, foi sugerida. A partir de então, ganharam vasta aceitação clínica e popularidade, sendo comercialmente disponibilizados como “TMA” (titanium molybdenum alloy) e, durante muitos anos, apenas uma empresa possuía o direito de fabricação. Atualmente, o mercado oferece um maior número de marcas comerciais4.

As ligas de níquel-titânio (NiTi)

Em 1963, as ligas de níquel-titânio foram desenvolvidas no Laboratório Naval Americano, em Silver Springs – Maryland, pelo pesquisador Willian Buehler. Ele observou pela primeira vez o chamado “efeito memória de forma” desse material. Não havia ainda aplicação dessa liga na Ortodontia6.

Em 1972, a Unitek Corporation produziu essa liga para uso clínico, sob o nome comercial de Nitinol®, composta por 55% de níquel e 45% de titânio, numa estrutura equiatômica3. Em 1976, várias marcas de fios de níquel-titânio foram colocadas no mercado ortodôntico e os mesmos foram caracterizados como materiais de alta recuperação elástica e baixa rigidez, ganhando vasta aceitação clínica por essas propriedades. Considerada como um avanço para a obtenção de forças leves sob grandes ativações, embota não apresentassem, entretanto, efeitos de termoativação nem superelasticidade.

A evolução das ligas de níquel-titânio

As ligas superelásticas de níquel-titânio

Em 1985, foi relatado o uso clínico e laboratorial de uma nova liga superelástica de níqueltitânio, chamada “Chinese NiTi”, desenvolvida especialmente para aplicações em Ortodontia.

O termo “superelasticidade” ainda não havia sido empregado até aquela época. O fio de níquel-titânio chinês foi o primeiro a exibir potencial superelástico. Originalmente desenvolvido na China, e posteriormente tendo suas propriedades melhoradas, foi relatado que tal fio possuía maior recuperação elástica e menor rigidez que o de níqueltitânio convencional de mesma secção transversal, além de menor deformação permanente após flexão.

A partir daí, vários estudos foram conduzidos na tentativa de se produzir fios ortodônticos com propriedades similares, sendo esse objetivo alcançado em 1986, com a introdução do “Japanese NiTi”. Essas ligas foram produzidas pela GAC (GAC Int., NY, EUA) sob o nome comercial de Sentalloy1,2.

As ligas termodinâmicas de níquel-titânio

As ligas termodinâmicas de níquel-titânio surgiram, para fins comerciais, na década de 90. Além das propriedades de recuperação elástica e resiliência dos fios superelásticos, os fios de níqueltitânio termodinâmicos possuem a característica adicional da ativação pela temperatura bucal4.

Os fios de níquel-titânio gradualmente termodinâmicos

Na década de 90, surgiram no mercado os fios de níquel-titânio gradualmente termodinâmicos, por existir um consenso que a resposta dentária à aplicação de força e à quantidade de movimento dentário obtida são dependentes da área da superfície do periodonto. Isso significa que um arco ideal não só deve gerar forças constantes e suaves, como também ser capaz de variar o nível de força de acordo com a área periodontal envolvida. Dessa forma, é necessário que ocorra a variação da força gerada, em um mesmo fio, nos diferentes segmentos do arco. O nível de força aplicada é graduado através de toda a extensão da parábola, de acordo com o tamanho dos dentes do paciente3.

Ligas de níquel-titânio com adição de cobre (CuNiTi)

Em meados da década de 90, os fios de níqueltitânio com adição de cobre (CuNiTi) surgiram no mercado. Os mesmos são compostos, basicamente, por níquel, titânio, cobre e cromo. Devido à incorporação de cobre, apresentam propriedades termoativas mais definidas do que os fios superelásticos de NiTi, e permitem a obtenção de um sistema ótimo de forças, com controle mais acentuado do movimento dentário. Foram introduzidos no mercado, pela Ormco Corporation, com três

temperaturas de transição (27ºC, 35ºC e 40ºC), possibilitando aos clínicos a quantificação e aplicação de níveis de carga adequados aos objetivos do tratamento ortodôntico6.

FIOS ORTODÔNTICOS ESTÉTICOS

Diferentes tipos de fios ortodônticos estéticos já foram lançados no mercado, tais como: fios metálicos com cobertura de teflon, fios metálicos recobertos por resina epoxídica, fios ortodônticos

compostos por uma matriz à base de nylon contendo fibras de silicone para reforço, e fios ortodônticos feitos de material compósito polimérico reforçado com fibra de vidro7. Com a intenção de acompanhar os braquetes estéticos, tanto de policarbonato, como de cerâmica.

Agora, conhecendo os tipos de fios, na próxima matéria, falaremos sobre as propriedades mecânicas de cada um, e sua aplicação clínica. Acompanhem a sequência dos assuntos.

Cirurgiã- Dentista, Especialista em Ortodontia

Professora e Digital Influencer

Membro da Comissão de Mídias Digitais e Sociais em Odontologia do CROSP

Compartilhando conhecimento e o amor pela profissão nas mídias.

 

Referência Bibliográfica:

1. MOHLIN, B. et al. Examination of Chinese Ni-Ti wire by a combined clinical and laboratory approach. Eur. J. Orthod., Oxford, v. 13, no. 5, p. 386-391, 1991.

2 CHEN, R.; ZHI, Y. F.; ARVYSTAS, M. Advanced Chinese NiTi alloy wire and clinical observations. Angle Orthod., Appleton, v. 62, no. 1, p. 59-66, 1992.

3 KUSY, R. P. Orthodontic biomaterials: From the past to the present. Angle Orthod., Appleton, v. 72, no. 6, p. 501- 512, 2002.

4 GOLDBERG, J.; BURSTONE, C. J. An evaluation of beta titanium alloys for use in orthodontic appliances. J. Dent. Res., Alexandria, v. 58, no. 2, p. 593-600, 1979.

5 QUINTÃO C, BRUNHARO I. Fios ortodônticos: conhecer para otimizar a aplicação clínica

R Dental Press Ortodon Ortop Facial Maringá, v. 14, n. 6, p. 144-157, nov./dez. 2009

Artigos Relacionados

Fios Ortodônticos: Conhecer Para Aplicar! Part. 01

Fios Ortodônticos: Conhecer Para Aplicar! Part. 01

Mercado
Olá colegas leitores, temos uma grande variedade de fios ortodônticos no mercado e isso pode gerar dúvidas quanto à melhor escolha de acordo com as situações clínicas e fases de tratamento, não é verdade?