Atender Convênios Odontológicos vale a pena?

Mercado

Não existe resposta simples à pergunta do título. A decisão de atender convênios odontológicos é algo muito particular de cada cirurgião dentista e vai depender de uma série de fatores. A região do consultório, o público alvo, seus objetivos, sua estrutura e o mais importante: se a conta fecha no final do mês.

Existem cidades ou regiões específicas do Brasil onde é muito difícil você não atender convênio na sua clínica. São regiões industriais onde a maioria das pessoas que passam por lá têm o convênio odontológico pela empresa. Isso deve ser muito bem analisado na hora de decidir montar seu consultório ou clínica para você não ser pego de surpresa. Claro que sempre é possível diversificar e focar em um público que busca tratamentos no particular, mas a região acaba pesando bastante.

Não é segredo para ninguém que a maioria das tabelas de convênios odontológicos contemplam valores de procedimentos muito abaixo do mercado. Acredito que a primeira atitude a tomar seria fazer o cálculo de quanto custa a sua hora clínica. Tendo esse número em mãos, fica mais fácil analisar as tabelas. Saiba que para a conta fechar, muitas vezes você vai ter que diminuir seu tempo de consulta para atender mais gente.

Para ter uma clínica que rode bem com o convênio você precisa de recepcionistas bem treinadas. Elas são fundamentais. A agenda é uma prioridade. Quando um paciente desmarcar, a recepcionista precisa estar esperta e tentar ocupar aquele horário com outro paciente. Hoje, com o uso do Whatsapp, fica mais fácil confirmar consultas e entrar em contato com os pacientes em tempo real.

É preciso também uma estrutura para ficar tirando radiografia periapical antes e depois de vários procedimentos, porque muitos convênios exigem isso para o pagamento das fichas. A radiografia digital tem facilitado esses procedimentos e essa comunicação.  Além disso, você vai ter que arranjar tempo para preencher as guias intermináveis e sempre pedir assinatura dos pacientes, carimbar e enviar as fichas em tempo hábil para receber depois de 2 meses. Ainda assim, você corre o risco de ter procedimentos glosados.  

Outra determinação de muitas empresas de planos de saúde é que você tenha uma empresa aberta, isto é, que você seja uma pessoa jurídica. A decisão de abrir uma pessoa jurídica depende de um bom planejamento financeiro e de um giro considerável. Abrir uma empresa apenas para poder atender convênios é questionável.

Quando terminamos a faculdade e temos a pretensão de abrir nosso próprio negócio, escutamos que é bom se cadastrar em vários convênios de início para obter giro de pacientes para depois ir largando aos poucos e ter a possibilidade de atender esses pacientes “no particular” em procedimentos não cobertos do convênio. Baseado em experiências de colegas meus, isso não funciona tão bem. Alguns dizem que o público é diferente, isto é, pacientes que têm convênio não costumam gastar no particular – sem contar que muitos contratos com planos proíbem esta prática.

Na minha opinião, na maioria das vezes convênios não valem a pena. Eles pagam pouco, dão muita dor de cabeça, glosam muitos procedimentos, te pagam só depois de 2 meses, são burocráticos e ao trabalhar um tempo em uma clínica com convênios acabei percebendo que os pacientes são extremamente exigentes. A não ser que você consiga uma ótima negociação na tabela, a conta não fecha porque eu acho que é praticamente impossível oferecer um ótimo atendimento com pouco tempo de consulta, trabalhando muito e ganhando pouco. Extremamente desmotivador.

Nossa profissão toma muito do nosso corpo e mente. É preciso uma concentração ímpar, uma visão nítida, destreza nas mãos e ergonomia. Sofremos de dores nas costas, nos ombros, tendinite e estamos expostos a milhares de bactérias. Temos que nos valorizar para que possamos render e trabalhar até uma idade mais avançada com qualidade. Pense nisso antes de sair assinando contratos com convênios por aí. E se for assinar, leia o contrato atentamente e negocie. Em Odontologia a pressa é uma das maiores inimigas da perfeição.

Conte sua experiência para a gente nos comentários.

Cirurgião dentista, formado pela Universidade Paulista, UNIP, em 2011, Especialização na área de Periodontia e em Implantodontia, assumiu em 2016 a Coodernação da comissão de Mídias Sociais e Odontologia do CROSP, é palestrante na área de Mídias Sociais e Saúde Bucal. 

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