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Mucosite oral:o que é, causas, diagnóstico e como tratar no consultório odontológico 

mucosite oral é uma das complicações mais comuns da terapia oncológica, especialmente em pacientes que são submetidos a quimioterapia e radioterapia.

Essa alteração causa feridas e dores intensas, dificulta a alimentação e a higiene bucal, favorece infecções secundárias sistêmicas e, em casos mais graves, pode levar à interrupção do tratamento oncológico.

Nesses casos, o acompanhamento odontológico faz a diferença. O cirurgião dentista atua na prevenção, diagnóstico e manejo da mucosite oral, buscando alternativas para aliviar os sintomas, reduzir a dor causada pelas lesões e oferecer mais conforto ao paciente.

Ao longo do texto, você vai conhecer os principais aspectos clínicos dessa complicação, as escalas de avaliação e os tratamentos preventivos e terapêuticos disponíveis para seu manejo. Confira!

O que é mucosite oral?

A mucosite oral é uma inflamação dolorosa da mucosa oral caracterizada pelo surgimento de eritemas e ulcerações. Ela costuma ocorrer principalmente após tratamento antineoplásico, como a quimioterapia ou a radioterapia, e possui vários graus de severidade e sintomatologia.

De modo geral, a mucosite se manifesta como um eritema, uma área avermelhada na mucosa oral, que pode ou não evoluir para erosões e ulcerações. As regiões mais afetadas são as mucosas não queratinizadas, como:

  • Lateral e ventre da língua;
  • Mucosa jugal;
  • Palato mole.

Epidemiologia: por que o dentista deve se preocupar?

A mucosite chama a atenção principalmente pela sua incidência, gravidade e prevalência em pacientes submetidos a tratamentos oncológicos.

Alguns dados importantes

  • Estudos relatam que 20% a 40% dos pacientes com tumores sólidos em quimioterapia desenvolvem mucosite oral. Isso ocorre entre cinco e quatorze dias após o início do tratamento;
  • O risco pode chegar a 76% em pacientes que recebem altas doses de quimioterapia ou que são submetidos a transplante de medula óssea;
  • A mucosite oral induzida por radiação (MOIR) ocorre 100% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço em radioterapia com fracionamento alterado.

Leia também: Saúde bucal em pacientes com câncer

Fisiopatologia da mucosite

Quanto à fisiopatologia, a mucosite oral é causada pelos danos da quimioterapia, radioterapia ou pela combinação de ambas sobre as células da mucosa bucal. O desenvolvimento costuma ser descrito em cinco fases:

  1. Iniciação = Fase assintomática. Ocorre dano direto ao DNA das células basais do epitélio.
  2. Sinalização = Dano celular ativa mensageiros químicos no corpo.
  3. Amplificação = Aumento da injúria celular. Ocorre a produção exacerbada de citocinas inflamatórias.
  4. Ulceração = Fase mais crítica. Mucosa perde sua integridade e fica exposta à colonização de microrganismos; acompanha sintomatologia dolorosa;
  5. Cicatrização = Epitélio se regenera, fecha as úlceras e a mucosa oral retorna à sua normalidade estrutural.

Como identificar a mucosite oral?

O diagnóstico da mucosite oral é baseado em um exame detalhado, onde o dentista avalia a aparência clínica da lesão, sua localização e o tempo e evolução dos sintomas.

Também são considerados o histórico médico do paciente, a presença de doenças sistêmicas e realização de terapias comumente associadas à condição. Já exames de laboratório e radiografias não são tão úteis nesse tipo de diagnóstico.

Além do exame clínico, os relatos do paciente são importantes para auxiliar o diagnóstico. É comum que pacientes com mucosite descrevam sintomas como:

  • Vermelhidão da mucosa;
  • Inchaço (edema);
  • Sensação de queimação ou ardência;
  • Dor intensa;
  • Ulcerações dolorosas;
  • Dificuldade na mastigação, deglutição (engolir) e fala;
  • Sangramentos ao escovar os dentes.

O uso de escalas de avaliação também é indicado. Elas auxiliam o cirurgião-dentista na classificação da gravidade da mucosite oral, que costuma variar de eritema leve (1) a úlceras extensas (4), além de orientar a conduta terapêutica mais adequada para o caso.

Classificação da mucosite oral: principais escalas

Diferentes escalas foram desenvolvidas para avaliação dos graus de mucosite oral, com destaque para as propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), National Cancer Institute (NCI) e Radiation Therapy Oncology Group (RTOG).

Classificação da mucosite segundo a OMS

A escala da OMS é simples, apresenta 5 pontos (Graus 0 a 4) e combina medidas subjetivas e objetivas da mucosite oral. Os principais sintomas incluídos nessa classificação são dor, eritema, ulceração e dificuldade de alimentação.

GrauComo se caracteriza
Sem mucosite oral
1Eritema e dor
2Úlceras, capaz de ingerir alimentos sólidos
3Úlceras, requer dieta líquida (devido à mucosite)
4Úlceras, alimentação impossível (devido à mucosite)

Classificação da mucosite segundo a NCI

A escala da National Cancer Institute (NCI) é outro parâmetro de avaliação das mucosites causadas pelo tratamento do câncer. Nela, os graus também variam de 0 a 5, considerando gravidade e impacto nas atividades diárias.

GrauComo se caracteriza
Sem alteração
1Dor leve e sem lesões ou com pequenas úlceras indolores e eritema.
2Eritemas e úlceras dolorosas que não prejudicam a alimentação do paciente.
3Presença de eritemas e úlceras dolorosas; paciente precisa de hidratação intravenosa por não conseguir se alimentar.
4O paciente já possui risco de vida e úlceras graves necessitando de suporte nutricional.
5Morte por toxicidade sistêmica.

Classificação da mucosite segundo a RTOG

Na escala de Avaliação da mucosite oral do Radiation Therapy Oncology Group (RTOG), os graus variam de I a IV, de acordo com os aspectos clínicos das lesões.

GrauComo se caracteriza
IPresença de eritema.
IImucosite irregular; necessária administração de analgésicos.
IIIMucosite confluente com dor intensa; necessária administração de analgésicos de ação central.
IVÚlceras profundas, com necrose e sangramentos. Alimentação do paciente impossibilitada.

Leia também 👉 Estomatologia: saiba o que faz essa especialidade

Principais fatores de risco da mucosite oral

Além de fatores relacionados ao tumor, como estágio e localização, incluindo a região de cabeça e pescoço, e ao tratamento, como o tipo, as técnicas e as doses empregadas, existem outros fatores que podem aumentar o risco de surgimento de mucosite oral. Isso inclui:

  • Idade do paciente: pacientes com idade avançada podem apresentar alterações na mucosa, como atrofia epitelial decorrente de envelhecimento, ao mesmo tempo em organismo costuma levar mais tempo para retornar ao equilíbrio;
  • Predisposição genética: a genética também é um fator de risco. Isso porque os efeitos citotóxicos do tratamento contra o câncer podem ser mais agressivos para alguns indivíduos;
  • Sexo do paciente: pacientes mulheres podem apresentar maior suscetibilidade e incidência de mucosite oral, especialmente por conta das alterações hormonais presentes no corpo;
  • Higiene bucal precária: a má higiene bucal e a doença periodontal podem potencializar o risco de mucosite, já que o acúmulo de placa aumenta a carga de microrganismos patogênicos na cavidade bucal.
  • Xerostomia (Boca Seca): é tanto consequência quanto um agravante da mucosite oral. A redução do fluxo salivar impede a regulação do pH bucal, o que facilita o surgimento e a piora das lesões.

Prevenção e manejo odontológico da mucosite

Existem várias formas de prevenir e controlar a mucosite oral no contexto da terapia do câncer, incluindo ações simples que podem ser realizadas pelo paciente a partir de orientações.

Condutas preventivas

As condutas preventivas mais utilizadas para reduzir o risco de mucosite oral incluem a adoção de protocolos rigorosos de higiene oral, como:

  • escovação suave com escova de cerdas macias;
  • uso de fio dental, conforme tolerado;
  • uso de enxaguantes bucais sem álcool;
  • lubrificação frequente da mucosa oral, principalmente quando o paciente apresenta xerostomia.

O acompanhamento próximo do cirurgião-dentista durante todo o tratamento oncológico também é necessário, tanto para adequar o meio bucal antes do início da terapia oncológica, quanto para identificar possíveis lesões ainda em estágios iniciais.

Vale lembrar que focos infecciosos, doenças periodontais, restaurações defeituosas e extrações devem ser avaliados e tratados, preferencialmente, antes do início da quimioterapia ou radioterapia.

Intervenções terapêuticas

As intervenções terapêuticas são diversas e podem variar conforme a gravidade da mucosite oral e condições clínicas do paciente.

Para sintomas leves, algumas mudanças na dieta já costumam aliviar o desconforto, como evitar alimentos picantes, cortantes e duros. Realizar a higiene oral e seguir com hidratação adequada da boca também continuam sendo importantes durante todo o processo.

Em casos mais graves em que a dor é moderada ou intensa, podem ser prescritos analgésicos, antinflamatórios e anestésicos. Realizar bochechos alternados com substâncias específicas também pode auxiliar no controle dos sintomas.

  • O tratamento também pode incluir: fotobiomodulação (laserterapia de baixa intensidade), crioterapia (em casos específicos), glutamina oral e mel, fatores de crescimento de queratinócitos KGF-1, entre outros, sempre levando em conta a individualidade de cada paciente.

Laserterapia para mucosite: quando indicar?

A Laserterapia de baixa intensidade, também conhecida como fotobiomodulação, é outra estratégia que pode ser adotada na prevenção e tratamento da mucosite em pacientes oncológicos.

Muitos estudos já comprovaram os benefícios da laserterapia na odontologia, que, neste contexto, serve para promover analgesia e reparar os tecidos afetados.

Sua aplicação:

  • estimula a microcirculação e produção de novos capilares;
  • reduz o tempo de duração da inflamação;
  • acelera a cicatrização dos tecidos.

Portanto, a técnica pode ser empregada pelo dentista de forma preventiva, antes de o paciente iniciar o tratamento oncológico, e de forma terapêutica, ajudando a controlar a dor e a estimular o reparo dos tecidos quando a lesão já está instalada.

Importância do tratamento multidisciplinar

Por fim, vale destacar que a assistência ao paciente oncológico deve ser multidisciplinar, ou seja, o dentista compõe uma equipe de saúde que inclui oncologistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e outros, todos trabalhando para o cuidado integral do paciente.

Leia também 👉 Benefícios da laserterapia na odontologia

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Perguntas e respostas sobre mucosite oral (FAQ)

Qual a classificação da mucosite pela OMS?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mucosite pode ser de grau 1 a 5, sendo o grau 1 um leve ardor e desconforto com presença de manchas e grau 5 a presença de dor, úlceras intensas e necessidade de suporte nutricional.

Quando indicar laserterapia?

A laserterapia pode ser utilizada para tratamento de mucosite oral tanto antes da terapia antineoplásica, para evitar ou reduzir a severidade das lesões, quanto depois dela, quando elas já estão instaladas.

Como diferenciar mucosite de candidíase?

Uma das diferenças entre mucosite e candidíase é que esta última muitas vezes apresenta placas esbranquiçadas que podem ser removidas com uma gaze ou espátula, expondo uma mucosa avermelhada.

Qual o papel do dentista antes da quimioterapia?

O profissional deve avaliar possíveis focos de infecção bucal e eliminar fatores que possam aumentar o risco de mucosite e de outras complicações durante o tratamento.

Quais pacientes têm maior risco de desenvolver mucosite?

Pacientes submetidos a tratamentos oncológicos agressivos, à quimioterapia ou à radioterapia na região da cabeça e pescoço e transplante de medula óssea.

A mucosite pode interromper o tratamento oncológico?

Sim. Em casos mais graves, em que o paciente apresenta dor intensa e as feridas impedem a alimentação e hidratação, a mucosite pode provocar a interrupção ou atraso do tratamento oncológico.

Leia também 👉 Tratamento odontológico do paciente oncológico: saiba mais

Neste conteúdo vimos que cirurgião-dentista tem um papel importante no diagnóstico, prevenção e tratamento da mucosite oral, especialmente no caso de pacientes oncológicos.

Mais do que controlar uma complicação do tratamento, a atuação do profissional traz conforto e maior qualidade de vida a esse paciente. Além disso, evita que as complicações da mucosite prejudiquem ou interrompam o tratamento oncológico.

Esteja preparado para atender pacientes oncológicos e auxiliar na prevenção e tratamento a mucosite oral. Confira a seleção de equipamentos de laserterapia da Dental Speed e invista em soluções confiáveis para bioestimulação, analgesia e reparação tecidual.

Leia mais:

Fontes consultadas:

  • BELL, A.; KASI, A. Oral Mucositis. StatPearls. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK565848/ . Acesso em: 8 jul. 2026.
  • SOARES, Júlia Breda. Escalas de avaliação da mucosite oral em pacientes oncológicos pediátricos: uma revisão sistemática. (PDF). Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/275817 . Acesso em: 8 jul. 2026.
  • SANTOS, G. C. de C. X. dos; NEMETALA, R. M. da S.; BUGARIN JÚNIOR, J. G. Mucosite oral causada pelo tratamento antineoplásico. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 7, n. 14, p. e14969, 2024. DOI: 10.55892/jrg.v7i14.969. Disponível em: https://revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/969 . Acesso em: 8 jul. 2026.
  • SOUZA, L. T. A. de; COSTA, J. C. P.; ALFENAS, C. F.; OLIVEIRA, A. C. R. de; LESSA, A. de F. N. Avaliação da mucosite oral e seus fatores de risco em pacientes com câncer de cabeça e pescoço em tratamento radioterápico. Revista Brasileira de Cancerologia. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/5267 . Acesso em: 8 jul. 2026.
  • NASCIMENTO DOS SANTOS, Rebeka Thiara. Avaliação clínica da mucosite oral pós-quimioterapia em pacientes com doenças onco-hematológicas atendidos em um Centro de Hematologia do Amazonas. 2012. (PDF). Disponível em: https://riu.ufam.edu.br/bitstream/prefix/2860/2/Rebeka%20Thiara%20Nascimento%20dos%20Santos.pdf . Acesso em: 8 jul. 2026.
  • PINHEIRO, Ianara. Mucosite: o que é, seus tipos, sintomas e principais tratamentos. Ianara Pinheiro Odontologia (blog). Disponível em: https://ianarapinho.odo.br/mucosite/ .

Publicado por
Gabrielli Nery Wandscheer

Formada em Administração pela Estácio, é especialista em Marketing e redação técnica na área odontológica.

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