Empoderamento na Odontologia

Histórias de Dentista

Certa vez fui convidada para um evento com profissionais conceituados na Odontologia brasileira.

Um detalhe me chamou atenção: não havia nenhuma mulher como palestrante no Congresso.

Confesso que não entendi, porque como sabemos que o maior número de profissionais de Odontologia no Brasil, atualmente, é feminino.

Estatisticamente, o Brasil é o país com a maior população de dentistas do mundo, 19%, sendo que deste total 122 mil são mulheres, correspondendo a 56% do total (dados do livro “O Perfil Atual e Tendências do Cirurgião-Dentista Brasileiro”).

Se analisarmos, por exemplo, o evento Odontológico para o qual eu fui convidada, o fato de não ter nenhuma mulher como ministradora de curso, num país onde as mulheres correspondem a mais da metade da população de profissionais, pode-se dizer que “essa conta não fecha”.

Em tempos de redes sociais, que possibilitam a expressão individual de forma livre e com amplo alcance, fala-se muito sobre “Empoderamento Feminino”, “Feminismo”, “Sexismo”, “Machismo” e “Assédio”.

Em 2016 o termo “Empoderamento Feminino” foi o mais procurado nos sites de busca, de acordo com um estudo sobre tendências visuais.

Diz respeito à consciência da mulher de seus poderes e capacidades, concedendo a ela participação social, econômica, política e cultural, de forma igualitária entre os gêneros, por exemplo.  É um movimento consequente do Feminismo.

De acordo com a ONU, os princípios de Empoderamento estabelecem:

– lideranças corporativas femininas no mais alto nível

– tratamento justo, respeitando os Direitos Humanos, de mulheres e homens;

– garantia de segurança, saúde e bem-estar no ambiente de trabalho;

– capacitação e desenvolvimento profissional;

– apoio ao empreendedorismo de mulheres;

– promoção de igualdade de gêneros;

– documentação do progresso empresarial na promoção da igualdade de gênero.

São muitas as ações e movimentos sociais para a garantia dos direitos das Mulheres de participarem ativamente na comunidade e não é diferente quando o assunto é Odontologia. Aliás, o direito de participação social igualitária é uma prática do empoderamento que não se limita somente às mulheres. Homens também devem assegurar que a participação de ambos aconteça da mesma forma.

Porém nossa atuação ainda é restrita a algumas especialidades Odontológicas e nossa presença em outras áreas da nossa profissão ainda causam estranheza.

Não participamos efetivamente nos cargos de chefia em Hospitais, não vemos mulheres presidindo nosso Conselho Profissional, seja regional ou federal e estamos em menor número nos eventos científicos, como palestrantes.

Como dito no início do texto, A CONTA NÃO FECHA.

O poder da mulher em Odontologia precisa ir além do fashionismo e estética. E triste é a necessidade de justificarmos isso constantemente…

*Juliana Lemes é graduada pela UNESP-SJC, atua em clínica geral e estética dental. Dentista 10h por dia, “escritora” nas horas vagas e “maquiadora” de vez em quando – das resinas, dos clareamentos, dos sorrisos e dos pincéis!