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Dia do Dentista: como se destacar no mercado e o futuro da odontologia

Em comemoração ao Dia do Dentista de 2026, convidamos profissionais que vivem a odontologia na prática para uma conversa inspiradora sobre sobre gestão de clínicas, posicionamento profissional, relacionamento com pacientes, novas tecnologias e o uso de IA.

Em dois episódios do podcast, Fernanda Prado, Gerente de Educação da Dental Speed, Ramon Maciel, dentista e CEO do Simples Dental, Gustavo Ottoboni, fundador da Design Ottoboni, e Maryah Teixeira, dentista e especialista em gestão, compartilharam suas experiências, opiniões e perspectivas sobre o futuro da odontologia.

A seguir, reunimos os principais insights, dicas para você colocar em prática e ensinamentos válidos para qualquer profissional, em qualquer momento da carreira. Confira!

O dentista pode (e precisa) ser gestor

No primeiro episódio do podcast, foi abordado um tema que desafia a maioria dos profissionais: dá para ser dentista e gestor ao mesmo tempo?

Essa é uma dúvida comum, especialmente para quem está iniciando na carreira.

Ramon foi honesto, já que sempre viu a gestão como uma premissa básica. Depois de um tempo, ele entendeu que não era bem assim.

“É difícil mesmo. É difícil ter um consultório com uma secretária, dar conta do financeiro, dar baixa nas coisas manualmente, entrar em contato com todo mundo que precisa de retorno, responder todo mundo que vem na rede social. Uma pessoa só não dá conta.”

Já Gustavo explicou que ele e o Thiago (seu irmão e sócio) foram forçados a fazer gestão por muito tempo.

“Eu falo ‘tentar’, porque a gente sempre tentou e nunca fez bem-feito. Não é uma coisa que fluiu da gente”, afirmou ele.

Maryah, com três anos de formada, trouxe uma perspectiva muito válida sobre o assunto: no começo, ter noção de gestão é essencial para que, no futuro, você consiga delegar essas tarefas com segurança.

E a solução que surgiu na conversa é bem simples: tratar a gestão como um compromisso inegociável.

  • O que fazer na prática? Coloque a gestão na agenda como se fosse um paciente: separar 30 minutos ou 1 hora por dia para cuidar do financeiro, acompanhar métricas e organizar processos. Isso evita que tudo se acumule no final do mês.

Vender não é feio, é necessário

Outro ponto abordado foi que falar de dinheiro na odontologia ainda causa desconforto. Ramon provocou:

“Uns 10 anos atrás, tinha dentistas fazendo curso de vendas e o pessoal malhava o pau. Mas ele não estava ensinando a enganar, estava ensinando a entender o anseio do paciente.”

Ele reforça que, sem venda, não tem tratamento odontológico, porque o paciente vai gastar o dinheiro com iPhone novo em vez de priorizar a saúde.

Mas como vender sem parecer vendedor?

O ponto é que o dentista não precisa ser necessariamente um “vendedor”, precisa ser claro. Ou seja, quando o paciente entende a necessidade, a decisão acontece sem pressão.

Gustavo trouxe o exemplo de uma paciente que o acompanhou por 10 anos. Ela disse:

“Vocês dariam dois comerciantes fantásticos. Nunca teve nada que vocês não explicaram para mim.” Ele respondeu que nem percebia que vendia. Ela devolveu: “É que você não faz uma venda normal. Do jeito que você conversa, pelo carinho, no final, a gente entende que é necessário.”

A autoridade é construída antes da consulta

Outro ponto é que o paciente pesquisa, compara e decide antes de agendar. Sobre isso, Ramon explicou que a venda não acontece só dentro do consultório. As pessoas também consomem informação fora e, muitas vezes, elas já chegam compradas.

Nesse cenário, a indicação boca a boca continua poderosa, mas tem limite. Como reconheceu Ramon:

“Só isso não é suficiente. Você tem que entrar no jogo do século que a gente vive.”

Para quem está começando, Maryah reforçou que o Instagram é um canal de comunicação gratuito. E mesmo com poucos seguidores, você já está falando com pessoas que podem se tornar futuros pacientes.

Já para quem já tem nome no mercado, as redes funcionam como uma vitrine de validação.

Quando alguém recebe uma indicação, a primeira coisa que faz é procurar o profissional no Instagram. Portanto, um perfil bem cuidado reforça a confiança e facilita a decisão do paciente.

A experiência do paciente é essencial

Sobre a experiência do paciente, Gustavo compartilhou que a Atelier Oral, uma clínica de São Paulo, foi o que inspirou a filosofia da sua própria clínica, a Design Ottoboni.

Ele trabalhou lá por alguns anos, e o que mais chamou a atenção não foi só a excelência técnica, mas o cuidado com cada detalhe.

“Eu via a atenção nos detalhes e foi a primeira vez na vida que eu ouvi falar sobre o cheiro da clínica. Então, eu chegava lá para trabalhar de manhã e tinha cheiro de bolo, um cafezinho. Eu pensava: como que o cliente se sente entrando aqui?”

Outra conclusão é que não importa o tamanho do negócio, o que importa é o carinho, a dedicação e o que faz a pessoa se sentir única. Ou seja, você não precisa de uma clínica com 80 funcionários para oferecer uma experiência memorável.

Você sabe cobrar pelo seu trabalho?

Um dos momentos mais marcantes do episódio foi a reflexão sobre a relação do dentista com o dinheiro.

Muitos profissionais ficam desconfortáveis ao apresentar um orçamento, só que isso se torna uma limitação. Às vezes, a gente olha para um procedimento, como uma gengivectomia, e pensa: “Nossa, é muito caro!”. Mas quanto tempo e conhecimento investimos para isso?

Por exemplo, um implante de incisivo central pode parecer caro. Mas qual é o valor de um incisivo central? Experimente perder esse dente para entender o quanto ele vale.

Alinhar as expectativas evita frustrações

Os profissionais também falaram sobre imprevistos. E eles sempre vão acontecer, seja uma greve dos Correios, um atraso do laboratório, uma complicação biológica. O que diferencia uma experiência negativa de uma situação contornável é o alinhamento de expectativas desde o início.

Por isso, apresentar o plano A, o plano B e os possíveis cenários protege você e o paciente. Como foi dito no episódio:

“O que mata não é o acontecimento, é o susto.”

Portanto, quando o paciente já sabe o que pode acontecer, ele lida melhor com qualquer imprevisto.

Técnica ou empatia: o que vale mais?

A resposta de todos os convidados foi unânime: os dois são essenciais, mas a empatia vem primeiro.

A técnica você melhora com horas de prática e estudo, mas o cuidado genuíno com o paciente é algo que você pode oferecer desde o primeiro dia.

Gustavo resumiu:

“Faça tudo de coração, como se fizesse para Deus. A melhor entrega possível para aquela pessoa, porque ela está confiando em você.”

Para quem está começando na odontologia, investir na experiência do paciente, numa boa primeira consulta, numa profilaxia bem-feita, num atendimento atencioso, pode trazer mais resultado do que qualquer especialização prematura.

Comece com o que você tem

Uma mensagem que esteve presente ao longo de todo o episódio foi: não deixe de fazer o mínimo porque você quer o máximo.

  • Não tem scanner? Mande o laboratório escanear.
  • Não tem microscópio de última geração? Comece com uma lupa.
  • Não tem câmera profissional? Grave com o celular.

Para se ter uma ideia, o primeiro microscópio de Thiago Ottoboni custava o valor de uma lupa. A questão é ir evoluindo aos poucos, pois cada investimento abre caminho para o próximo.

Quer saber mais? Assista ao Episódio 1 completo e acompanhe o bate-papo na íntegra:

A tecnologia não substitui o dentista, ela potencializa

O segundo episódio começou com uma pergunta direta: como a odontologia evoluiu nos últimos 20 anos e para onde ela está indo?

Gustavo fez uma reflexão importante: a base da profissão, o cuidado humano, o atendimento, tudo isso permanece. O que mudou foi o caminho para chegar até o paciente.

“A tecnologia veio para facilitar, principalmente na parte de diagnóstico e prognóstico. Scanners, exames complementares, radiológicos, tudo está mais fácil e mais barato. E vai ser cada vez mais barato. A gente não tem como fugir disso.”

Ele também destacou que, hoje, o diferencial não é ter os equipamentos em si, mas ter a mentalidade da tecnologia.

Ou seja, mesmo que você não tenha um scanner, pode terceirizar etapas e trabalhar mentalmente dentro do fluxo digital para ganhar mais previsibilidade e qualidade nos tratamentos.

Tecnologia é tempo de volta

Maryah complementou com um ponto importante: o tempo é a moeda mais cara do dentista.

“Quando você adquire uma tecnologia ou começa a ter a mentalidade da tecnologia, você busca tempo. Fazer um tratamento mais rápido, fazer o paciente perder menos tempo dentro do consultório.”

Ela também reforçou que a tecnologia vai além da precisão técnica. Os softwares de planejamento, por exemplo, mostram o resultado ao paciente antes de ele iniciar o tratamento. E isso melhora a comunicação e facilita a decisão.

“Quando a gente vai comprar uma caneca, a gente vê, pega na mão, sente o peso. Quando a gente vai comprar um sorriso, está apostando no abstrato. A tecnologia pega esse serviço e transforma em produto.”

Duas gerações, uma mesma clínica

Maryah trouxe um exemplo pessoal que ilustra os desafios da transição digital e como a experiência pode ser diferente para cada geração de profissionais.

A mãe dela é ortodontista e fez a transição do aparelho fixo para alinhadores. No início, houve resistência, mas sempre com a consciência de que ficar parada significava ficar para trás.

“Quando eu falei para a minha mãe que existia uma máquina (scanner) que faz o que uma moldagem fazia, sem ter a massa, ela ficou louca.”

Mas a mudança não foi só na parte clínica. Mariá contou que, quando começou a trabalhar com a mãe, a clínica ainda funcionava inteiramente no papel. Fichas físicas de pacientes, receitas escritas à mão com carbono e carimbo, livro de horários para consultar a agenda.

“Quando tinha emergência, ferrou! A gente tinha que achar a ficha do paciente que chegou sem estar agendado.”

A migração para o digital foi um processo de convencimento diário. Mas o que virou a chave foi a mãe enxergar como aquilo facilitava a rotina. Ou seja, o resultado prático é o que convence.

Leia também: Scanner Intraoral: principais vantagens e modelos

O paciente já chega informado (e isso não é ruim)

Outro ponto levantado foi a mudança no perfil do paciente. Hoje, ele pesquisa no Google, pergunta para o ChatGPT e chega ao consultório com o diagnóstico.

Maryah compartilhou um caso curioso:

“Eu tenho paciente que chega e fala: ‘Olha, eu tenho certeza que vou precisar fazer canal do 46.’ Ele já mandou o raio-x para o ChatGPT e recebeu um diagnóstico.”

Isso não é necessariamente ruim. O ponto é que o dentista precisa saber conduzir esse tipo de conversa, acolher a informação que o paciente traz e conduzi-lo com segurança até o diagnóstico correto.

Inteligência artificial e automatização de processos: o que está mudando?

A conversa sobre IA também ajudou a entender a mudança nos processos e a automatização das tarefas. Gustavo explicou que diversas etapas que hoje dependem da mão do profissional já estão sendo automatizadas, e isso vai acelerar ainda mais.

No design de sorriso, o dentista ainda pega a fotografia do paciente, coloca no software e ajusta manualmente o desenho dos dentes. Mas já existem ferramentas em que o design acontece sozinho. Isso também vale para o mockup:

“Quando a gente vai fazer um mockup, fechar aquele modelo para imprimir, depende que a gente faça isso manualmente. Já está evoluindo para um ponto que o software faz isso sozinho para você pôr na impressora.”

Porém, Maryah fez uma ressalva importante: quem dá o “ok” é sempre o profissional.

“Você não vai poder falar: ‘Esse implante eu fiz porque o software deu o posicionamento errado.’ Ele não é feito pela IA, é feito com a IA. Essa é a principal diferença.”

Ou seja, o dentista do futuro precisa entender os processos digitais para validar o que a tecnologia entrega. Afinal, é ele quem vai assumir a responsabilidade pelo resultado.

A IA democratiza a gestão

Ainda sobre o uso de IA, Ramon Maciel compartilhou como a inteligência artificial está mudando a realidade das clínicas de pequeno porte.

Ele usou o exemplo da secretária virtual do Simples Dental, que já está em fase beta:

“Uma dona de clínica mandou prints dos pacientes elogiando: ‘Quem é a secretária nova? Ela é tão educada, sempre de bom humor.’ E custa 100, 150 reais.”

Mas também reforçou que a IA não substitui a secretária presencial. Na verdade, isso dá tempo para a secretária se dedicar ao que realmente importa: acolher o paciente na recepção e oferecer um atendimento que encanta.

Para clínicas que têm uma ou duas cadeiras, isso é revolucionário, pois dá para oferecer um atendimento de qualidade 24 horas por dia, algo que só clínicas grandes conseguiam fazer.

O recado final

Ao longo do episódio, a conversa ainda passou por outros temas, como a revolução do conhecimento comparada à invenção da prensa de Gutenberg, o futuro das interfaces conversacionais, o impacto da IA no diagnóstico médico e odontológico, e até histórias dos bastidores.

Mas, no final, Ramon pediu que cada convidado deixasse um recado para quem está se formando ou tem uma vida inteira de odontologia pela frente.

Não se compare com ninguém

Gustavo Ottoboni foi direto ao ponto que mais incomoda quem está começando: a comparação.

“A gente tá numa era de comparação. A gente sempre se compara com alguém que é nossa referência. A grama do vizinho é sempre mais verde. A gente não vê os bastidores.”

O recado é: você pode ter seus ídolos, suas inspirações, mas deve olhar para o seu presente, para a sua realidade. Fazer o que você pode com o que você tem. Fazer de coração!

Estude pessoas e seja inquieto

Maryah falou da importância de entender os medos, as dores e os anseios das pessoas, porque, no fim, é sempre um ser humano sentado na cadeira, uma mãe, um filho, um primo, um marido com alguma insegurança.

Também contou que o que virou a chave da sua carreira foi ser inquieta.

“Sempre buscar mais, seja sobre técnica ou sobre gestão. A gente vai achar coisas que não são para a gente, mas vai achar algumas que são. E é isso que vai mudar o futuro.”

Estude, se relacione, vá em frente

Por fim, Ramon Maciel deixou um último conselho: estude, conheça pessoas, saiba se relacionar. Afinal, hoje tudo é relacionamento.

“… se conheça, saiba o que você deseja. Porque muitas vezes o que você quer não está ali na frente. Você vai ter que desviar o seu caminho e buscar.”

  • Gostou? Assista ao Episódio 2 completo e acompanhe o bate-papo na íntegra:

Sua jornada de evolução começa agora

O podcast especial do Dia do Dentista 2026 reforça que o sucesso na odontologia não depende de um único fator: ele envolve técnica, gestão, empatia, cuidado nos detalhes, tecnologia e, acima de tudo, propósito.

Mas, ao mesmo tempo, reforça que cada profissional tem seu próprio ritmo e realidade. E é justamente isso que faz cada trajetória ser única e especial.

Na Dental Speed, acreditamos que compartilhar conhecimento e experiências reais é uma forma de contribuir para a sua evolução e o seu sucesso profissional.

Assista aos episódios no YouTube e envie para colegas que também podem se inspirar com essa conversa.

Saiba mais sobre marketing e gestão na Odontologia:

Publicado por
Gabrielli Nery Wandscheer

Formada em Administração pela Estácio, é especialista em Marketing e redação técnica na área odontológica.

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