A dentição permanente possui um papel fundamental na função mastigatória, fonação e oclusão dentária, além de impactar diretamente no desenvolvimento craniofacial.
Durante a fase de transição da dentição ocorrem simultaneamente diversas alterações fisiológicas e estruturais, sendo fundamental o dentista observar se há variações no padrão de erupção dentária, pois qualquer alteração pode evoluir para problemas de maior complexidade, como retenção, maloclusão e discrepância esquelética.
Por isso, neste artigo, vamos abordar sobre a anatomia, cronologia, sequência de erupção e a importância da dentição permanente para a saúde bucal e sistêmica.
O que é dentição permanente?
Também chamada de dentição secundária ou dentição definitiva, é o conjunto formado por até 32 dentes definitivos (incluindo os terceiros molares) que substituem a dentição decídua.
Se os terceiros molares estiverem ausentes, a dentição permanente apresenta 28 dentes.
Esse processo fisiológico segue padrões cronológicos, mas podem ocorrer variações individuais influenciadas pelos seguintes fatores:
- Genética,
- Nutrição;
- Impactação dental;
- Lesão periapical em decíduos;
- Cistos e tumores.
O acompanhamento clínico desde a infância é fundamental para avaliar os riscos de alteração do padrão normal de erupção dentária e monitorar a transição entre as dentição decídua e permanente.
Leia também: Endodontia em dentes decíduos: guia completo para o sucesso clínico
Qual a diferença entre dentição decídua, mista e permanente?
A dentição, em cada etapa do crescimento do corpo humano, representa um papel de extrema importância nas funções mastigatórias, estéticas e fonéticas por apresentar uma relação direta no desenvolvimento e estabilização das estruturas da face, sendo composta por três fases:
Dentição decídua
- Início por volta dos seis meses de idade;
- Dentição completa em torno de 2 anos e meio;
- É temporária, sendo substituída pela permante.
Dentição mista
- Ocorre aproximadamente entre 6 e 12 anos de idade;
- Inicio com a erupção do primeiro dente permanente (geralmente primeiro molar);
- Caracterizada pela presença de dentes decíduos e permanentes na arcada dentária.
Dentição permanente:
- Início aproximadamente aos seis anos;
- Caracterizada pela erupção do primeiro dente permanente;
- Pode terminar em duas fases distintas, devido à variações: erupção dos segundos molares ou erupção dos terceiros molares.
Outro diferencial em relação aos dentes decíduos é a coloração amarelada devido à diferença de espessura dos tecidos, translucidez do esmalte e saturação da dentina.
Além disso, as áreas de contato são mais próximas ao terço oclusal, ao contrário dos decíduos, que têm áreas de contato mais cervicais.
Quais as características da dentição permanente?
Os dentes permanentes são maiores e possuem maior espessura de esmalte e dentina, além de câmaras pulpares menores e raízes mais longas e robustas.
Por isso, apresentam maior resistência ao desgaste em comparação aos decíduos.
A dentição permanente completa é composta por:
- 8 incisivos;
- 4 caninos;
- 8 pré-molares;
- 12 molares (incluindo terceiros molares).
Sendo por arcada:
- 4 incisivos;
- 2 caninos;
- 4 pré-molares;
- 6 molares (incluindo terceiros molares).
Cada grupo possui funções específicas, relacionadas à mastigação, fonação e estética:
- Incisivos: localizados na região anterior, possuem bordas incisais responsáveis pelo corte de alimentos.São fundamentais para estética e fala;
- Caninos: também classificados como dentes anteriores, apresentam cúspides pontiagudas responsáveis por dilacerar e rasgar os alimentos. Possuem papel essencial na guia canina e na desoclusão durante movimentos mandibulares;
- Pré-molares: localizados na região posterior, são responsáveis por moer os alimentos. Apresentam grande importância na estabilidade oclusal;
- Molares: também classificados como dentes posteriores, são responsáveis por moer e triturar os alimentos, além de impactar na chave de oclusão.
A compreensão dessas características é fundamental para avaliar se a oclusão está adequada e também para promover o sucesso do tratamento odontológico, principalmente em procedimentos endodônticos, restauradores diretos/indiretos e protéticos.
Cronologia de erupção da dentição
A erupção dos dentes permanentes geralmente se inicia com o aparecimento dos primeiros molares permanentes e dos incisivos centrais inferiores, e se estende até a erupção dos terceiros molares (quando presentes).
A cronologia pode variar entre indivíduos e sexos, mas segue um padrão importante para avaliação do desenvolvimento odontológico.
Segue a cronologia de cada dentição, de acordo com a sequência de erupção:
Dentição decídua
- Incisivo central inferior: 6 meses;
- Incisivo central superior: 7,5 meses;
- Incisivo lateral inferior: 7 meses;
- Incisivo lateral superior: 9 meses;
- Primeiro molar inferior: 12 meses;
- Primeiro molar superior: 14 meses;
- Canino inferior: 16 meses;
- Canino superior: 18 meses;
- Segundo molar inferior: 20 meses;
- Segundo molar superior: 24 meses.
Para facilitar a compreensão, segue tabela comparativa:
| Erupção | Dente superior | Dentição inferior |
| Incisivo Central | 7,5 meses | 6 meses |
| Incisivo Lateral | 9 meses | 7 meses |
| Canino | 18 meses | 16 meses |
| Primeiro Molar | 14 meses | 12 meses |
| Segundo Molar | 24 meses | 20 meses |
Dentição permanente:
- Primeiro molar inferior: 6-7 anos;
- Primeiro molar superior: 6-7 anos;
- Incisivo central inferior: 6-7 anos;
- Incisivo central superior: 7-8 anos;
- Incisivo lateral inferior: 7-8 anos;
- Incisivo lateral superior: 8-9 anos;
- Primeiro pré-molar superior: 10 – 11 anos;
- Primeiro pré-molar inferior: 10 -12 anos
- Segundo pré-molar superior: 10- 12 anos;
- Segundo pré-molar inferior: 10, 12 anos
- Caninos superiores: 11-12 anos;
- Caninos inferiores: 9 -11 anos;
- Segundo molar inferior: 11-13 anos;
- Segundo molar superior: 12 – 13 anos;
- Terceiro molar: 17-21 anos.
Para facilitar a compreensão, segue tabela comparativa:
| Erupção | Dente superior | Dentição inferior |
| Incisivo Central | 7-8 anos | 6-7 anos |
| Incisivo Lateral | 8-9 anos | 7-8 anos |
| Canino | 11-12 anos | 9-11 anos |
| Primeiro Pré – Molar | 10-11 anos | 10-12 anos |
| Segundo Pré- Molar | 10-12 anos | 10-12 anos |
| Primeiro molar | 6-7 anos | 6-7 anos |
| Segundo molar | 12-13 anos | 11-13 anos |
| Terceiro molar | 17-21 anos | 17-21 anos |
É importante lembrar que a variação de erupção até 6 meses para mais ou para menos é considerada normal.
Além dos fatores já citados que podem influenciar na transição da dentição, a erupção dos dentes permanentes geralmente é mais precoce no sexo feminino do que no masculino.
Essa diferença ocorre principalmente na fase pré-puberdade e puberdade, pois as meninas tem a tendência de se desenvolver antes dos meninos.
Qual a sequência de erupção da dentição permanente?
Os dentes permanente seguem uma sequência específica de erupção, fundamental para oclusão adequada, sendo:
- Maxila: primeiro molar, incisivo central, incisivo lateral, primeiro pré-molar, segundo pré-molar, canino, segundo molar.
- Mandíbula: primeiro molar, incisivo central, incisivo lateral, canino, primeiro pré-molar, segundo pré-molar, segundo molar.
Os terceiros molares erupcionam posteriormente, geralmente no final da adolescência ou início da vida adulta.
A sequência correta é fundamental para manter o perímetro do arco e evitar apinhamentos ou erupções ectópicas, sendo importante monitorar os estágios de Nolla.
Quais os estágios de Nolla?
Essa classificação é amplamente utilizada para avaliar o desenvolvimento dos dentes permanentes, avaliando o desenvolvimento dentário em 10 estágios, sendo:
- Estágio 0: Ausência de criptas/sem formação dental;
- Estágio 1: Presença de cripta;
- Estágio 2: Início da calcificação/mineralização;
- Estágio 3: Formação inicial da coroa (1/3 da coroa formada);
- Estágio 4: Coroa parcialmente formada (2/3 da coroa formada;)
- Estágio 5: Coroa quase completa;
- Estágio 6: Coroa completa, caracterizada pelo início do potencial eruptivo;
- Estágio 7: Início da formação radicular (1/3 da raiz formada);
- Estágio 8: Raiz parcialmente formada (2/3 da raiz formada), caracterizado pelo rompimento da crista óssea;
- Estágio 9: Raiz quase completa, caracterizada pelo dente visível na arcada e pelo ápice aberto;
- Estágio 10: Raiz completa, dente erupcionado e ápice fechado.
Sua utilização auxilia no planejamento ortodôntico, na avaliação do tempo de erupção e na identificação de possíveis atrasos ou anomalias no desenvolvimento dentário.
Importância da dentição permanente
O acompanhamento da erupção dentária é uma das bases do desenvolvimento odontológico, desde a primeira infância até a fase adulta.
Durante esse processo, é fundamental o dentista observar o sequência de erupção, simetria dentária, espaço disponível na arcada e a relação intermaxilar, pois os dentes permanentes impactam diretamente nos seguintes aspectos:
Fisiológicos
- Desenvolvimento da articulação temporomandibular (ATM);
- Migração fisiológica dos molares;
- Aproveitamento do Leeway Space (espaço de Nance) para alinhamento dentário.
Oclusão
- Estabelecimento das curvas de Spee e Wilson;
- Ajuste do overbite e overjet;
- Relação molar;
- Chaves de oclusão de Andrews.
Fase do “Patinho Feio“
Ocorre durante a dentição mista, sendo comum a presença de:
- Diastemas interincisais;
- Sobremordida exagerada;
- Apinhamento transitório;
- Inclinação vestibular e distoangulação dos incisivos laterais.
Devido à esse conjunto de fatores, o paciente deve realizar acompanhamento periódico para avaliar por meio de exame clínico e radiográfico (principalmente a radiografia panorâmica) se há perda precoce de dentes decíduos, necessidade de intervenção ortopédica, inserção do freio e fatores que podem interferir na erupção, como cistos e dentes impactados.
Essas medidas são importantes para prevenir e/ou tratar intercorrências comuns na fase de troca de dentição:
- Doença cárie: por ser o primeiro dente a erupcionar, o primeiro molar apresenta um grande risco de cárie, sendo fundamental orientar os responsáveis e a criança sobre higiene oral;
- Maloclusão: apinhamentos, mordida aberta, mordida profunda e mordida cruzada, comprometendo função e estética;
- Diastema não fisiológico: espaços excessivos entre os dentes, principalmente nos incisivos centrais superiores;
- Dentes retidos e agenesia dentária: causam ausência de um ou mais elementos dentais, impactando diretamente na função e oclusão.
A identificação dessas condições deve ser realizada o mais cedo possível, preferencialmente ainda na dentição mista, possibilitando intervenções menos invasivas e maior previsibilidade de resultados, sendo recomendado:
- Profilaxia dentária + aplicação tópica de flúor;
- Uso de selantes (se necessário);
- Extração dentária em casos específicos;
- Ortodontia e ortopedia preventiva e interceptativa.
Além disso, é fundamental orientar o paciente sobre a importância da dentição decídua e permanece na saúde bucal e sistêmica por meio de orientação sobre higiene oral, alimentação saudável e acompanhamento clínico do desenvolvimento dentário e facial.
FAQ – Dúvidas comuns sobre dentição permanente
1 – É normal atraso na erupção dos dentes permanentes?
Sim, é normal pequenos atrasos, mas devem ser investigados se ultrapassarem o padrão esperado para avaliar a causa do retardo.
2 – A perda precoce de dentes decíduos interfere na dentição permanente?
Sim, a ausência do dente decíduo pode causar perda de espaço, sendo necessário o uso de mantenedores de espaço.
3 – Todos os terceiros molares precisam ser extraídos?
Não necessariamente. A indicação depende da posição, espaço disponível na arcada e impacto na oclusão e saúde bucal.
Conclusão – o papel fundamental da dentição permanente
A dentição permanente desempenha um papel central na saúde bucal, função mastigatória estética do sorriso.
Seu desenvolvimento segue padrões estabelecidos pela literatura, mas é fundamental o acompanhamento clínico atento para identificação precoce de alterações.
O monitoramento do paciente, em conjunto com medidas preventivas e diagnóstico precoce, é de extrema importância para promover o equilibro oclusal e a saúde bucal.
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Referências:
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- https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/anatomia-do-dente
- https://www.ident.com.br/ia/pergunta/97002-qual-a-cronologia-da-denticao-decidua-e-permanente
- https://www.ident.com.br/ia/pergunta/136076-denticao-permanente
- https://www.ident.com.br/ia/pergunta/212502-escreva-tudo-sobre-o-desenvolvimento-da-denticao-permanente-e
- https://www.ident.com.br/ia/pergunta/281793-denticao-permanente-completa
- https://www.ident.com.br/ia/pergunta/319188-surgimento-da-denticao-permanente
- https://www.ident.com.br/ia/pergunta/154489-quais-sao-os-tipos-de-denticao
- https://www.ident.com.br/ia/pergunta/319165-o-que-e-o-estagio-de-nolla?utm_source=ads_google&utm_medium=&utm_campaign=&utm_content=&utm_term=&matchtype=&device=c&gclid=Cj0KCQjw-pHPBhCdARIsAHXYWP9KVJHupEdJJq498uznSu-YW1bM5W33GG7ymtCXfqEqNN5TGyNQN70aAru5EALw_wcB&gad_source=1&gad_campaignid=21737511034&gbraid=0AAAAAoyVusdZc6wzVjHxCd_oj5zBAiBJA&gclid=Cj0KCQjw-pHPBhCdARIsAHXYWP9KVJHupEdJJq498uznSu-YW1bM5W33GG7ymtCXfqEqNN5TGyNQN70aAru5EALw_wcB









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