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Lidocaína na Odontologia: Guia completo de dosagem, indicações e boas práticas

Confira os anestésicos locais mais utilizados, as principais complicações que podem ocorrer ao utilizá-los e dicas para evitar as possíveis complicações!

A lidocaína é o anestésico mais utilizado em todo o mundo e o mais empregado na área odontológica. 

Esse fármaco foi sintetizado em 1943 pelo químico sueco Nils Löfgren, sendo o primeiro anestésico local pertencente ao grupo das amidas a ser comercializado. 

Desde então, vários outros anestésicos do grupo das amidas foram desenvolvidos, incluindo a mepivacaína, prilocaína, articaína, bupivacaína, ropivacaína e etidocaína. 

Até hoje, eles continuam sendo muito utilizados em procedimentos para controle da dor, já que raramente causam reações alérgicas aos pacientes. 

Como a anestesia local com lidocaína é muito realizada na Odontologia, neste artigo vamos abordar o mecanismo de ação, indicações, contraindicações e como calcular a dosagem adequada, visando a segurança do paciente e o sucesso da anestesia odontológica.

Lidocaína na Odontologia

A lidocaína é um anestésico local do grupo amida, considerada como padrão ouro neste grupo.

Na Odontologia, pode ser encontrada em forma de tubete injetável, creme de uso tópico e spray, em diferentes concentrações. 

Saiba mais sobre as características farmacológicas da lidocaína:

  • Potência: potência 1; equivalente à prilocaína e mepivacaína;
  • Toxicidade: baixa, se comparada aos demais anestésicos odontológicos disponíveis;
  • Ação: rápida, iniciada entre 3 e 5 minutos, sendo que seu efeito tem duração média de 1 hora em polpa e de 3 a 5 horas em tecidos moles;
  • Vasodilatação: apresenta ação vasodilatadora;
  • Metabolismo: hepático;
  • Excreção: renal.

IMPORTANTE:

  • Em tubetes, pode ser comercializado como lidocaína sem vasoconstritor e lidocaína com vasoconstritor;
  • Os vasocontritores associados são epinefrina, norepinefrina e fenilefrina, responsáveis por minimizar o efeito vasodilatador aumentando o tempo de duração da anestesia e reduzindo a toxicidade do medicamento.

As principais apresentações comerciais da lidocaína para uso odontológico incluem: 

  • 2% e 3% associada à norepinefrina;
  • 2% associada à epinefrina e fenilefrina.

Conheça algumas marcas comerciais:

  • Anestésico Injetável SS White 100® da fabricante SS White, contendo lidocaína 2% com vasoconstritor fenilefrina 1:2.500;
  • Anestésico Injetável Lidostesim AD® da DLA, contendo lidocaína 2% com vasoconstritor norepinefrina 1:50.000;
  • Anestésico Injetável Alphacaine® da DFL, contendo lidocaína 2% com vasoconstritor epinefrina 1:100.000;
  • Anestésico Injetável Xylestesin® da Cristália, contendo lidocaína 2% com vasoconstritor norepinefrina 1:50.000;
  • Anestésico Spray Nebulizador Xylestesin ® da Cristália, contendo lidocaína 100mg/ml. É indicado para uso prévio a injeções, moldagens, remoção de tártaro, entre outros;
  • Anestésico Creme Medicaína® contendo 25 mg de lidocaína e 25mg de prilocaína. É indicado para uso tópico antes da anestesia infiltrativa.

Para saber mais sobre anestésicos na Odontologia, veja este vídeo:

Indicações e contraindicações da lidocaína

Para garantir a qualidade da anestesia odontológica e segurança do paciente, é importante que o dentista conheça as indicações e contraindicações:

Indicação da lidocaína na Odontologia

A indicação do anestésico local dependerá de características clínicas e sistêmicas de cada paciente. 

Pacientes normoreativos:

  • Concentração: 2% e 3% 
  • Vasoconstritor: adrenalina, noradrenalina e epinefrina.

Pacientes gestantes:

  • A lidocaína 2% com adrenalina a 1:100.000 é o anestésico mais seguro para gestantes, incluindo as diabéticas e as hipertensas controladas;
  • A felipressina como vasoconstritor não é indicada para gestantes, pois pode causar contração uterina.

Pacientes odontopediátricos:

Para uso pediátrico, indica-se a Lidocaína a 2% com adrenalina 1:200.000, considerando como dose máxima um tubete de anestésico, com ou sem vasoconstritor, para cada 9,09 kg. 

Pacientes idosos:

  • Em idosos, é recomendado usar a lidocaína a 2% com adrenalina na diluição de 1:200.000 ou 1:100.000;
  • É importante não ultrapassar a dose de 0,04mg de adrenalina, já que esse tipo de paciente costuma ser mais sensível aos vasoconstritores. 

Contraindicação da lidocaína

Embora segura, a lidocaína não é indicada para:

  • Alergia à lidocaína;
  • Alergia à outros anestésicos do grupo amida;
  • Pacientes em uso contínuo de antiarrítmico de classe I;
  • Doenças cardíacas graves;
  • Doenças renais graves;
  • Doenças hepáticas graves.

Como calcular a dosagem de lidocaína na Odontologia? 

O calculo da dose máxima é fundamental para não ocorrer a dose tóxica, que pode causar depressão do Sistema Nervoso Central (SNC), Sistema Cardiovascular (SCV) e Sistema Respiratório.

Para realizar o cálculo de dose máxima do anestésico, precisamos saber quantos miligramas da substância contém em um único tubete. 

Saiba como calcular a dosagem:

No caso da Lidocaína 2%, em 100ml teremos 2g do anestésico ou 2000mg de anestésico. Cortando dois zeros, chegamos ao valor de 1ml para 20mg de anestésico. 

Lidocaína

Um tubete de anestésico de lidocaína possui 1,8ml. Logo, se em 1ml temos 20mg de anestésico, é necessário fazer uma regra de três para chegar ao resultado: 

Lidocaína

Agora, precisamos identificar qual a dosagem máxima da lidocaína por peso corpóreo. Essas informações podem variar conforme a literatura consultada ou a bula do medicamento. 

Segundo o livro “Manual de Anestesia Local” de Stanley Malamed, 5ª edição, a dose máxima de lidocaína, com ou sem vaso constritor, é de 4,4mg/kg, sem exceder 300mg. 

Desse modo, para aplicação de anestésico em um paciente de 65kg, podemos realizar o seguinte cálculo: 

Lidocaína

Identificamos que a dose máxima que o paciente pode receber do anestésico lidocaína é de 286mg. 

Com essa informação, precisamos calcular quantos tubetes serão utilizados nesse paciente fazendo novamente uma regra de 3. 

lidocaína

Logo, poderão ser administrados 7,94 tubetes em um paciente de 65 kg.

Dica clínica:

  • É importante salientar que o uso de anestésicos, sobretudo a lidocaína, é muito seguro;
  • Contudo, o cirurgião-dentista deve ficar atento a dosagem e aos sintomas apresentados pelo paciente e estar preparado para agir em caso de urgências e emergências odontológicas.;
  • A superdosagens das soluções anestésicas incluem sintomas como sonolência, perda de consciência e, em casos mais graves, parada cardiorrespiratória. 

Leia também 👉 Emergências e Urgências Odontológicas: Saiba a diferença!

Para saber mais sobre anestésicos locais na Odontologia, veja este vídeo:

A lidocaína é muito utilizada para anestesia local na Odontologia, sendo considerada padrão ouro dos anestésicos do grupo amida.

Para promover o sucesso da técnica anestésica e garantir a segurança do paciente, é fundamental o dentista dominar as propriedades farmacológicas, escolha do vasoconstritor, indicações e contraindicações, bem como realizar o cálculo de dose máxi

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Saiba mais sobre anestésicos na Odontologia:

Referências:

Publicado por
Gabrielli Nery Wandscheer

Formada em Administração pela Estácio, é especialista em Marketing e redação técnica na área odontológica.

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