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Classificação de Angle: guia completo para auxiliar no diagnóstico e tratamento ortodôntico

A Classificação de Angle define as maloclusões dentárias de acordo com as alterações ântero – posteriores relacionadas ao primeiro molar permanente.

Segundo Edward Hartley Angle, responsável pela classificação, o primeiro molar superior é relativamente estável na arcada dentária, sendo indicado como referência para a análise da oclusão.

É considerada um dos pilares no diagnóstico ortodôntico, devido à simplicidade da técnica e por estabelecer um padrão universal na comunicação entre os dentistas.

Por isso, neste artigo, vamos abordar a base da classificação, benefícios, limitações e conceitos complementares, além da importância no planejamento ortodôntico para promover o sucesso do caso clínico.

O que é a Classificação de Angle?

É um sistema de categorização das maloclusões baseado na relação ântero-posterior entre os primeiros molares permanentes superiores e inferiores.

Avalia a posição dos primeiros molares superiores em relação aos molares inferiores.

Quais as vantagens da Classificação de Angle?

O primeiro molar permanente estabelece a relação entre as arcadas superior e inferior, impactando diretamente na oclusão dos demais dentes permanentes.

Por isso, conhecer a chave de oclusão entre molares apresenta os seguintes benefícios:

  • Ferramenta para o diagnóstico de maloclusão;
  • Facilita a elaboração do plano de tratamento;
  • Auxilia o dentista à escolher o tipo de aparelho ortodôntico;
  • Avaliar a necessidade de cirurgia ortognática.

É importante lembrar que é uma classificação dentária e estática, que determina somente a relação molar, facilitando o planejamento ortodôntico.

Quais as limitações da classificação de Angle?

Apesar de sua relevância, apresenta limitações por não avaliar os seguintes fatores que também impactam na oclusão:

  • Discrepância horizontal;
  • Discrepância vertical;
  • Fatores esqueléticos;
  • Fatores musculares;
  • Grau de severidade da maloclusão.

A classificação avalia somente a relação entre os primeiros molares, sendo fundamental realizar a avaliação do paciente com outras classificações e solicitar exames complementares, para elaborar o plano de tratamento de acordo com as características de cada caso clínico.

Por causa dessas limitações, para para realizar o diagnóstico correto, é importante o ortodontista analisar:

Chaves de oclusão de Andrews

São os fundamentos básicos de uma oclusão satisfatória:

  • Chave I – Relação molar;
  • Chave II – Angulação da coroa;
  • Chave III – Inclinação da coroa;
  • Chave IV – Rotações;
  • Chave V – Contatos justos;
  • Chave VI – Curva de Spee.

É importante lembrar que todas as chaves de oclusão são avaliadas e determinadas sob um ponto de vista estático.

Classificação de Lischer

Avalia a posição de cada elemento dental na arcada dentária:

  • Mesioversão;
  • Distoversão;
  • Vestibuloversão;
  • Linguoversão;
  • Infraversão;
  • Supraversão;
  • Giroversão;
  • Transversão;
  • Torsiversão;
  • Axiversão.

É indicada para complementar a classificação de Angle, focando em aspectos morfológicos.

Classificação de Moyers

A maloclusão pode ter origem:

  • Dentária;
  • Muscular;
  • Óssea.

Portanto, classifica a origem do problema de acordo com o tecido envolvido, que pode envolver um ou mais tecidos.

Classificação de Simon:

Os arcos dentais estão relacionados a três planos antropológicos baseados em 3 pontos craniométricos, sendo eles plano de Frankfurt, plano orbital e plano sagital médio.

Portanto, são classificados como:

Anomalias ântero- posteriores:

  • Protração;
  • Retração.

Anomalias transversais:

  • Contração;
  • Distração.

Anomalias verticais:

  • Atração;
  • Abstração.

Apesar de ser menos utilizada se comparada as demais classificações, conhecê-la é importante para descrever a posição dos dentes em relação aos planos anatômicos de referência.

Dica clínica:

Nenhum sistema de classificação abrange todo o conhecimento necessário para definir o diagnóstico ortodôntico.

Por isso, além de associar os conceitos, é importante o dentista avaliar os exames de imagem e a análise cefalométrica para elaborar o plano de tratamento.

Quais os tipos da Classificação de Angle?

Segundo Angle, a oclusão ideal entre molares ocorre quando há uma relação ântero-posterior normal entre os arcos superior e inferior, evidenciada pela “chave molar”.

Com base nesse conceito, definiu três classes, sendo elas:

Classe I de Angle

  • Também chamada de neutroclusão;
  • É considerada a base do padrão oclusal ideal;
  • Ocorre quando a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior permanente oclui no sulco mesiovestibular do primeiro molar inferior permanente;
  • Perfil facial reto;
  • Principais problemas oclusais: rotações, apinhamentos, diastemas e demais alterações na posição de dentes anteriores ou posteriores.

É importante lembrar que mesmo sendo considerada como a relação ideal, pode ser necessário realizar o tratamento ortodôntico.

Classe II de Angle

  • Também chamada de distoclusão;
  • Ocorre quando a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior permanente oclui à frente do sulco vestibular do molar inferior;
  • Portanto, os molares superiores estão à frente dos inferiores.

As maloclusões de Classe II foram subdivididas em duas, sendo elas:

a. Classe II de Angle Divisão 1:

  • Incisivos superiores vestibularizados;
  • Perfil facial convexo;
  • Principal problema oclusal: overjet acentuado.

b. Classe II de Angle Divisão 2:

  • Incisivos centrais superiores lingualizados e/ou os incisivos laterais superiores podem estar vestibularizados;
  • Perfil facial reto ou levemente convexo;
  • Principal problema oclusal: sobremordida profunda;
  • Bilateral ou unilateral (subdivisão direita ou esquerda).

Classe III de Angle

  • Também chamada de mesioclusão;
  • Ocorre quando a cúspide mesio vestibular do primeiro molar permanente superior oclui atrás do sulco vestibular do molar inferior;
  • Portanto, os molares inferiores estão à frente dos superiores;
  • Perfil facial côncavo;
  • Principal problema oclusal: overjet negativo ou mordida em topo.

Assim como a mordida Classe II, alguns autores também dividem a Classe III em divisão I e II:

  • Classe III de Angle Divisão 1: Mordida cruzada anterior e prognatismo mandibular.
  • Classe III de Angle Divisão 2: Quando não ocorre mordida cruzada anterior.

Em resumo:

Classe de AngleO que é
Classe INeutroclusão: Representa o padrão oclusal ideal com perfil reto.
Classe IIDistoclusão: Mostra os molares superiores à frente dos inferiores e pode ter:
Divisão 1: Incisivos vestibularizados;
Divisão 2: Incisivos lingualizados.
Classe IIIMesioclusão: Apresenta molares inferiores à frente, perfil côncavo e pode ou não ter mordida cruzada anterior.

Além disso, também pode ocorrer uma pseudo Classe III de Angle, também chamada de Classe III funcional, que ocorre por uma acomodação mandibular no sentido anterior.

Importância da Classificação de Angle no diagnóstico ortodôntico

Apesar de não ser uma classificação funcional, é uma ferramenta fundamental para compreender a oclusão do paciente, além de ser utilizada em diversos estudos epidemiológicos para comparar a prevalência de diferentes maloclusões em populações.

No dia a dia do ortodontodista, impacta nos seguintes aspectos:

Diagnóstico Ortodôntico

  • Padronização da comunicação;
  • Análise da relação molar e impacto na oclusão;
  • Impacto da relação ântero-posterior nas características dentárias e faciais do paciente.

Planejamento ortodôntico

Cada classe apresenta abordagens distintas:

  • Classe I: foco em alinhamento e espaço;
  • Classe II: correção sagital;
  • Classe III: controle esquelético e compensação dentária.

Ao realizar o plano de tratamento o dentista também deve avaliar tecidos moles, características faciais e a saúde periodontal do paciente.

Tratamento ortodôntico

Para o sucesso do caso clínico, é fundamental definir objetivos realistas e avaliar a possibilidade de cirurgia ortognática, para escolher a mecânica adequada e os materiais ortodônticos específicos para a necessidade do paciente:

a. Aparelho ortodôntico fixo:

  • Bráquetes;
  • Banda ortodôntica;
  • Fios ortodônticos.

b. Aparelhos removíveis:

  • Alinhador ortodôntico;
  • Aparelhos funcionais.

Além do uso de aparelhos fixos ou removíveis, o profissional pode avaliar a possibilidade do tratamento ortodôntico híbrido, que consiste no uso de aparelho fixo e alinhador transparente em etapas determinadas pelo dentista.

c. Dispositivos auxiliares:

  • Elásticos para mecânica ortodôntica;
  • Mini-implante;
  • Discos diamantados e/ou tiras de lixa para desgaste interproximal.

Para o sucesso do caso clínico, é fundamental o ortodontista avaliar o a idade do paciente, perfil facial e solicitar exames complementares, para escolher os materiais adequados à biomecânica necessária para promover a longevidade do tratamento ortodôntico.

Além disso, as ferramentas da odontologia digital, como o scanner intraoral e os softwares de planejamento são indicados para aumentar a previsibilidade e otimizar os resultados.

Independente do tipo de mordida, é importante lembrar que a Classificação de Angle avalia a oclusão somente em relação ao plano sagital, pois não considera problemas verticais ou transversais, apenas o sentido ântero-posterior.

Por isso, é fundamental conhecer as outras classificações para realizar o diagnóstico correto e selecionar os materiais adequados para cada caso clínico.

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Saiba mais:

Publicado por
Dra. Fernanda Skupien

Cirurgiã-dentista pela Universidade Paulista (UNIP), especialista em endodontia pelo Hospital Geral do Exército de São Paulo (HGESP) e especialista em marketing pela Universidade Mackenzie.

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