O bruxismo é uma queixa frequente no consultório odontológico. É comum ouvir relatos de dor na mandíbula ao acordar, dores de cabeça frequentes ou hábito de ranger os dentes, além de observar sinais clínicos como desgastes dentários, fraturas e marcas na língua.
Neste conteúdo, reunimos as principais informações sobre o bruxismo, incluindo sua definição atualizada, os tipos mais comuns, como avaliar e tratar, além das mudanças trazidas pelo Consenso Internacional sobre Bruxismo de 2025. Continue a leitura!
O que é bruxismo?
O bruxismo é o nome dado a um comportamento motor repetitivo da musculatura mastigatória caracterizado pelo apertar ou ranger dos dentes. O hábito é inconsciente e cada vez mais frequente entre os pacientes, com causas multifatoriais e manifestações que variam de indivíduo para indivíduo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o bruxismo acomete cerca de 30% da população mundial. No Brasil, esse percentual é ainda maior: aproximadamente 40% dos brasileiros sofrem com a condição.
Por muito tempo, o bruxismo foi considerado um distúrbio. Mas, em 2025, a atualização do Consenso Internacional sobre Bruxismo redefiniu essa condição como um comportamento motor, reconhecendo que ele pode se manifestar em diversos contextos.
Bruxismo do sono x bruxismo em vigília: qual a diferença?
É importante diferenciar os tipos de bruxismo, pois o comportamento pode ocorrer tanto durante o sono (denominado bruxismo do sono) quanto de forma consciente no dia a dia (denominado bruxismo da vigília).
- Bruxismo do sono (noturno): é uma atividade dos músculos mastigatórios durante o sono; caracterizada como rítmica (fásica) ou não rítmica (tônica).
- Bruxismo em vigília (diurno): é uma atividade dos músculos mastigatórios durante a vigília; caracterizada por contato dentário sustentado ou repetitivo e/ou por bracing (paciente segura a mandíbula, mas não encosta os dentes).
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Quais são as causas e sintomas do bruxismo?
Não existe uma única causa para o bruxismo. Vários fatores podem desencadear o apertamento ou ranger dos dentes, incluindo:
- estresse, ansiedade e depressão;
- distúrbios respiratórios, como apneia obstrutiva do sono (AOS);
- predisposição genética;
- fatores do sistema nervoso central.
Vale mencionar que o bruxismo não é uma doença e, portanto, não pode ser considerado uma comorbidade. Mas pode ser considerado fator de risco, fator protetor ou fator neutro conforme o contexto.
| Tipo | Conceito |
|---|---|
| Fator de Risco | O comportamento é frequente e intenso, e pode sobrecarregar o sistema estomatognático, provocando desgastes, fraturas, dores e disfunções (DTM). |
| Fator Protetor | Em casos específicos, como no refluxo gastroesofágico, apertar ou ranger os dentes aumenta a salivação, protegendo o esmalte dentário e neutralizando o ácido. |
| Fator Neutro | O bruxismo é leve e não causa sintomas, danos ou quaisquer alterações na saúde do paciente. |
Principais sinais clínicos e queixas do paciente
Os sinais clínicos e queixas mais comuns do bruxismo incluem:
- desgaste dentário;
- dor muscular;
- dor de cabeça;
- comprometimento da qualidade do sono.

Qual é o papel do dentista no diagnóstico do bruxismo?
Como o bruxismo não é uma doença, não pode ser “diagnosticado”. O papel do dentista, neste caso, é avaliar o comportamento motor e se existem riscos associados a ele.
Vale destacar que as mudanças no consenso sobre bruxismo incluíram um novo sistema de avaliação, que se baseia no:
- Autorrelato: devem ser realizadas entrevistas e questionários com o paciente para entender o comportamento;
- Exame clínico: com base em achados clínicos, como desgastes dentários, exostoses maxilares e mandibulares, marcas na lateral da língua, e outros;
- Uso de dispositivo: utilizam-se métodos e ferramentas como a polissonografia (padrão-ouro para bruxismo do sono) e a eletromiografia (EMG).
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Tratamento do bruxismo em odontologia
O tratamento do bruxismo deve ser realizado pelo cirurgião-dentista de forma individualizada, considerando o tipo de bruxismo (do sono ou de vigília), as manifestações bucais apresentadas e o risco que esse comportamento pode trazer para a saúde bucal e geral do paciente.
As estratégias de tratamento podem incluir:
- Uso de placas oclusais;
- Terapias comportamentais;
- Terapias farmacológicas, quando indicadas.
Não existe um tratamento único para todos os casos
Alguns pacientes podem apresentar alterações na articulação temporomandibular (ATM), onde o tratamento pode envolver o uso de placas oclusais, prática de atividades físicas e terapias comportamentais.
Em outros casos, pode haver relatos de apneia obstrutiva do sono (AOS), um distúrbio frequentemente associado ao bruxismo que também precisará ser diagnosticado e manejado pelo cirurgião-dentista.
Importância do acompanhamento multiprofissional
Em algumas situações, pode ser necessário envolver outros profissionais de saúde para oferecer um cuidado completo e integrado. Uma equipe multidisciplinar, incluindo psiquiatras, psicólogos, fisioterapeutas e médicos do sono, permitirá avaliar as causas e intervenções em cada área.
Atualização do consenso internacional
Em 2025, um consenso internacional atualizou as definições de bruxismo por meio do relatório Updating the Bruxism Definitions: Report of an International Consensus Meeting.
O objetivo da publicação foi melhorar o estudo sobre o comportamento e padronizar os métodos e processos de avaliação. Além disso, ela pode facilitar a comunicação entre pesquisadores, educadores, dentistas e seus pacientes.
As principais mudanças incluem:
- Bruxismo não é mais um distúrbio; agora é classificado como um comportamento motor;
- O comportamento pode ter efeitos de risco, proteção ou neutralidade;
- A hierarquia de avaliação se baseia no autorrelato, no exame clínico e em ferramentas de avaliação por dispositivos;
- Foi feita a padronização de um glossário de terminologias relacionadas ao tema.
Perguntas frequentes sobre bruxismo em odontologia (FAQ)
O que é o bruxismo?
O bruxismo é um comportamento motor repetitivo caracterizado pelo ato involuntário de apertar, ranger ou bater os dentes. Ele pode ocorrer durante o sono ou vigília.
Bruxismo tem cura?
O bruxismo não tem uma cura definitiva, mas pode ser controlado por meio de algumas ações, como o uso de placas de mordida, a prática de exercícios físicos, além de terapias comportamentais.
Bruxismo é sinal de ansiedade?
As causas do bruxismo são variadas, mas muitas vezes ele pode se manifestar a partir de estresse, tensão e ansiedade. O diagnóstico deve ser feito por um profissional habilitado.
Quando o bruxismo é preocupante?
O bruxismo é preocupante quando começa a causar danos à saúde e bem-estar do paciente, como desgastes e fraturas dentais, dores crônicas na cabeça e pescoço e interferências no sono.
Ao longo do texto, vimos que o bruxismo é um comportamento motor frequentemente observado no consultório e que a atualização do Consenso Internacional sobre Bruxismo, publicada em 2025, trouxe mudanças importantes que ajudam a entender melhor essa condição e como ela deve ser manejada pelo profissional.
Agora, é importante que o dentista se mantenha atualizado e esteja preparado para avaliar e tratar esses pacientes de forma individualizada, além de saber reconhecer quando é necessário o encaminhamento e acompanhamento de outros profissionais, para trabalhar de forma multidisciplinar.
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Referências consultadas:










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